A era das megacoligações

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Mais Santa Catarina, Todos por toda Santa Catarina, As Pessoas em Primeiro Lugar. Nos últimos 20 anos, a política catarinense se acostumou a esses slogans que representavam enormes coligações partidárias que acabaram elegendo Esperidião Amin, Luiz Henrique da Silveira e Raimundo Colombo.

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Esse modelo de megacoligações garantiu vitórias sem susto nas três eleições em que foi colocado em pé. Em 1998, Amin pilotou a frente com PPB (atual PP), PFL (hoje metamorfoseado em PSD) e um ainda emergente PSDB. Em 2006, Luiz Henrique trouxe para sua órbita tucanos e pefelistas. A tropa se manteve unida em torno de Colombo em 2010.

Mais do que o número de legendas penduradas, o que importa na megacoligação é juntar três dos cinco maiores partidos do Estado. Mesmo nas eleições em que o modelo não se repetiu (2002 e 2014), ele foi almejado por garantir um exército estadualizado de apoiadores, tempo de televisão que desequilibra a disputa e maioria parlamentar depois da eleição. Ao mesmo tempo, engessa os governos e internaliza na máquina disputas de poder entre díspares.

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Esse modelo está em xeque este ano. Há quem acredite que no atual cenário de desmoralização da política, uma penca de partidos pode afastar o eleitor. Além disso, o fim do ciclo Luiz Henrique/Colombo deixou o Estado sem nomes naturais para liderar o comboio.

Desde que o prefeito joinvilense Udo Döhler perdeu a hora da ultrapassagem e voltou para o terceiro, talvez quarto lugar na fila dos pré-candidatos do PMDB, as atenções de quem quer reconstruir uma megacoligação estão voltadas para o senador Paulo Bauer (PSDB). O tucano ex-pefelista poderia reunir o PSD de Colombo e somar PP de Amin ou o PMDB de Mauro Mariani. As conversas acontecem.

Curiosamente, o maior obstáculo é o ninho tucano – que Bauer nunca conseguiu controlar. Presidente do partido, o deputado estadual Marcos Vieira está entre aqueles que não acreditam mais nas megacoligações. Inflamou a base do partido com a ideia de que o PSDB deve ter candidato a governador e a senador, citando-se, inclusive, para ambas as vagas. Incentivou o prefeito blumenauense Napoleão Bernardes a renunciar em abril para também ocupar vaga majoritária. Parece um caminho sem volta.

Bauer – vice de Amin, secretário de LHS, senador na chapa de Colombo – é fruto dessa política de ampla composição. Aceitaria ser candidato em um projeto mais enxuto? Em março, os tucanos devem oficializar seu candidato a governador. Eles pararam de brigar em público, mas ainda têm um jogo de bastidores divertido de observar.

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