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Crônica de domingo: Deixa de ser chato

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Ânderson
Por Ânderson Silva
04/07/2021 - 09h55
Os chatos agora querem discutir as vacinas contra Covid-19
Os chatos agora querem discutir as vacinas contra Covid-19 (Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom)

Há tese para tudo, diria um amigo que conhece do mundo jurídico. Mas, ultimamente, o brasileiro tem exagerado nos argumentos para qualquer situação. Vacina? "Quero escolher". Máscara? "O Whats desconfia". Bandeira do Brasil? "É bolsonarista". Camisa vermelha? "Seu comunista!". E vai discordar pra ver o que acontece. A resposta é igual a um áudio daqueles gigantes do WhatsApp que nem com o acelerador de 2x dá coragem de ouvir.

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O brasileiro virou um chato. Não sou contra argumentar, discutir, contrapor. Pelo contrário, acho o debate saudável para as relações. Só que desde o começo da pandemia tudo virou tese. Ainda se fossem argumentos minimamente plausíveis, mas tem gente que se apresenta com a teoria do João-Ninguém da rede social.

Aí isso acaba interferindo na rotina das pessoas. O cidadão chega na fila da vacina, pergunta qual estão aplicando e vai embora. Tente, então, questioná-lo sobre o seu comportamento. Será desperdício de tempo.

Enquanto os "estudados", como diriam os mais antigos, ficam horas e horas explicando que não importa a marca da dose porque todas são aprovadas pela Anvisa, o sommelier de vacina baseado no Whats é quem sabe o melhor a se fazer. Até antes da pandemia, se fosse perguntar a essa pessoa quais os nomes das vacinas que ela tomou na vida, teria como resposta uma risada e um sonoro: "sei lá". Só que agora, em meio ao pior momento da saúde pública mundial, o chato quer escolher.

Teve até, dias atrás, a médica veterinária que foi tomar TRÊS DOSES porque não havia ficado contente com as duas primeiras. Um caso desses, claro, ultrapassa a chatice. É mau-caratismo mesmo. Mas ainda acredito que a maioria dos casos é formada pelos chatos. Não abre mão da sua visão limitada por poucos argumentos.

E ter que debater por toda e qualquer obviedade, em determinado momento, atinge um limite. Não para o chato, mas sim para os receptores das teses. O pior é que em alguns casos só piora, o debate chega a um ponto em que pensamos: "como eu vim parar aqui?".

Ultimamente, tenho pensando em adotar uma estratégia simples. Chega de discussões sem resultado. As pessoas têm que começar a ouvir: "Deixa de ser chato!". Talvez assim elas entendam. Ou não.

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Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

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