O governo do Estado mantém um site com informações sobre o coronavírus em Santa Catarina. Nele há um painel com leitos de UTI disponíveis, sejam espaços gerais ou para internados com Covid-19. O problema é que internamente há outras informações mais reais. Por exemplo: no meio da semana constavam leitos disponíveis em SC, mas as informações da regulação apontavam para uma fila de espera por vagas no Estado.

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A transparência somente é completa quando os números traduzem a realidade. Enquanto dentro dos hospitais não havia mais vaga, era como se para o sistema existissem leitos irreais. 

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Nesta sexta-feira, segundado repassado pelo superintendente de Regulação do Estado, Ramon Tartari, à colega Dagmara Spautz, era 74 pessoas esperando por um leito Covid. Ou seja: se tem gente esperando, os números do sistema não se confirmam.

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Presos aos leitos

Os prefeitos catarinenses estão condicionados a apenas uma alternativa: abertura de leitos. Em redes sociais, publicam que não farão fechamentos, discursam bravamente contra restrições. Ao mesmo tempo escondem a realidade de que abrir novas UTIs é extremamente complexo no cenário atual. Faltam profissionais e os insumos estão reduzindo significativamente. Mesmo com todo dinheiro em caixa que o Estado possa disponibilizar, há mais barreiras pela frente que nem sempre o recurso vai conseguir vencer.

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Escolhas

Acontece em Santa Catarina nos últimos dias algo que somente era relatado em outros Estados como o Amazonas. Há depoimento de médico que precisou escolher quem seria internado diante de quatro pacientes e apenas duas vagas. Essa é a nova realidade catarinense. E isso se espalha pela rede pública e privada. Com ou sem dinheiro no bolso, o paciente enfrenta a mesma realidade em busca de uma UTI. E ainda há outro agravante: com a Covid-19 superlotando hospitais, os demais atendimentos também ficam fragilizados.

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