Uma operação, nesta quinta-feira (26), prendeu o diretor do presídio de Lages, na Serra Catarinense. Chamada de “Carne Fraca”, a ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). As investigações apontam que o policial penal Rodrigo Barroso receberia diferentes benefícios da esposa de um detento em troca de favores dentro da unidade prisional. A ação foi realizada em apoio à 15ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages, responsável pelo procedimento investigatório que deu origem à operação. As apurações indicam que os fatos teriam ocorrido entre março e outubro de 2025.

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Conforme informações apuradas pela coluna, a esposa do detento beneficiado dentro da unidade prisional seria proprietária de um estabelecimento de entretenimento adulto. Com base nisso, ela ofereceria serviços do local ao diretor em troca das favores ao marido no presídio. O policial penal também receberia produtos como carnes (veja a foto abaixo) e bebidas.

Veja fotos da operação

De acordo com o MP-SC, “conforme destacado na representação, as vantagens oferecidas integrariam um contexto contínuo de troca, no qual benefícios administrativos eram seguidos de vantagens materiais e pessoais, caracterizando uma relação estável de reciprocidade e a utilização da função pública para atender interesses privados”.

A denominação da operação “Carne Fraca” foi escolhida, conforme o MP, “por remeter ao conjunto de vantagens indevidas identificadas no curso da investigação, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público, em contexto diretamente vinculado a intervenções funcionais”. A denominação também remete, simbolicamente, à fragilidade ética evidenciada nas condutas apuradas, nas quais a função pública teria sido vulnerabilizada por interesses privados, segundo o MP-SC.

Contrapontos

Patrícia Lisbôa, que atua na defesa de Rodrigo Barroso, diretor do presídio de Lages, afirmou na manhã desta quinta-feira (26), que não teve acesso aos procedimentos.

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Já a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) emitiu uma nota:

A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informa que acompanhou o cumprimento dos mandados judiciais no âmbito da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC).

A operação apura possíveis crimes envolvendo corrupção, violação de sigilo funcional e favorecimento indevido a apenado dentro de uma unidade prisional da Serra Catarinense, tendo sido cumprido mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário.

A Pasta reforça que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores e que atua de forma permanente para garantir a legalidade, a transparência e a integridade no âmbito do sistema prisional catarinense. O policial penal citado na investigação foi imediatamente afastado de suas funções, conforme decisão judicial.

Paralelamente, a Secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais.

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A Sejuri permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e adotará todas as medidas administrativas cabíveis no âmbito de sua competência.