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    Investigação

    Estado pagou 744% a mais do que a Câmara dos Deputados por serviço investigado na Alcatraz, afirma MPF

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    Por Ânderson Silva
    10/10/2020 - 09h25
    Operação foi deflagrada no dia 30 de maio de 2019, quando foram cumpridos 11 mandados de prisão
    Operação foi deflagrada no dia 30 de maio de 2019, quando foram cumpridos 11 mandados de prisão (Foto: Tiago Ghizoni / NSC Total)

    Na última denúncia feita pelo MPF dentro da operação Alcatraz, um dos trechos destaca a negociação que teria sido feita por agentes públicos que atuavam na secretaria de Administração e empresários pela propina de um contrato de gestão de telefonia móvel, em 2016. Segundo os procuradores da força-tarefa, ao invés de “se limitar aos usuais 10% de propina – parâmetro muitas vezes encontrado em contratações públicas fraudadas –, a organização criminosa nesse momento obteve vultoso e aviltante lucro (ilícito) de até 86% do valor do contrato”. Os investigados negam envolvimento no esquema.

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    O MPF analisou ainda o preço cobrado pela empresa vencedora da licitação e o comparou com o mesmo serviço contratado pela Câmara dos Deputados um ano depois. A despesa mensal prevista em Brasília foi de R$ 6.162,50, enquanto que em SC a secretaria de Administração do Estado “teve que desembolsar por mês, por serviços similares, o montante de R$ 45.904,40”, segundo os procuradores. Com isso, houve sobrepreço de 744% em comparação com o contrato da Câmara. A elevação dos valores é comum nos contratos investigados pela Alcatraz.

    A força da operação Alcatraz

    Em um ano e quatro meses, a operação Alcatraz colocou luz sobre uma das principais pastas do governo de Santa Catarina. Os contratos da secretaria de Adminstração entraram no foco da Polícia Federal (PF), da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF). Os braços da investigação se estendem por áreas como a tecnologia, telefonia e terceirização de mão de obra.

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    Neste último caso estão os maiores valores, mas até o momento nenhum dos inquérito concluídos aprofundou as denúncias feitas em delação que originou a Alcatraz por um empresário da área da publicidade. O MPF concluiu 16 denúncias até este mês, enquanto a PF ainda tem prazo para novos inquéritos. São sinais de que a operação conhecida nos bastidores como a “Lava-Jato catarinense” pode ser ainda maior do que se apresentou até agora.

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