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Inundação na Lagoa da Conceição não pode ficar sem respostas

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Por Ânderson Silva
29/01/2021 - 09h47 - Atualizada em: 29/01/2021 - 10h49
Inundação na Lagoa da Conceição ocorreu em 25 de janeiro de 2021
Inundação na Lagoa da Conceição ocorreu em 25 de janeiro de 2021 (Foto: Diorgenes Pandini)

O rompimento da lagoa superficial de decantação da Casan na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, exige respostas. O primeiro ponto é: houve falha. Uma lagoa superficial que está há anos no mesmo local, já recebeu muita chuva nos últimos anos. Em outros episódios também tivemos altos volumes na Ilha e não ocorreu isso que tivemos no dia 25 de janeiro. Ou seja: houve falha. Seja da Casan, seja da prefeitura que deveria ter liberado os reparos, Floram, órgãos ambientais.

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Do nada, uma lagoa extravasa ou rompe dessa forma? Simplesmente chove e extravasa? Será que nos outros pontos onde há lagoa superficial também corremos o risco de chover e extravasar ou romper? Certamente não, porque nos outros locais deve haver condição ou monitoramento melhor.

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Então, como houve falha, alguém precisa responder por isso. Os danos ambientais e para as famílias já ocorreram e essa discussão sobre os reparos vai avançar. O que não pode acontecer é algo que é muito comum no Brasil. Relembrarmos o episódio daqui a um, dois anos sem que ninguém tenha sido responsabilizado. Por exemplo: a Casan foi multada, recorreu, e assim ficou. Alguém precisa ser responsabilizado.

Porque houve falha, sim. Porque o que ocorreu na Lagoa da Conceição, um acidente, que nem sei se podemos chamar de acidente, não acontece de uma hora para outra. Acontece porque houve erro. Ou temos que confessar que as nossas lagoas superficiais quando recebem muita chuva podem transbordar ou romper causando transtorno para as pessoas. Caso seja isso, todos precisam saber o que fazer diante de situações eventuais.

A Casan alega que tentou fazer reparos, mas não obteve as liberações. Diante disso, os órgãos precisam se explicar. E, a partir disso, entro num ponto importante: ninguém quer discutir saneamento, ninguém quer presídios, que são assuntos difíceis. Na hora de divulgar vacina, prefeitos na mesma mesa, fotos para as redes sociais, há bastante disposição dos gestores municipais. Notícia boa todo mundo quer dar. Mas trazer notícia de saneamento, trazer notícias do sistema prisional, ninguém quer resolver.

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Só que quando temos um problema como esse rompimento, aparece gente para multar, para dizer que está errado, gente para cobrar e dizer que está fazendo alguma coisa. Agora, na hora de resolver e apresentar a solução é raro. Porque precisa enfrentar o ônus. A implantação de um emissário submarino, por exemplo, vai ter resistência. Mas os prefeitos e demais gestores estão nos cargos porquê? Só para notícia boa? Certamente, não.

A Capital catarinense precisa trazer esse assunto do que ocorreu na Lagoa da Conceição para o centro de uma mudança que deve acontecer nos próximos anos. Esse tema precisa ser discutido e não pode ser deixado para trás.

Ânderson Silva

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Ânderson Silva

Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

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