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    Na batalha do impeachment, falta uma tropa para o comandante Moisés

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    Ânderson
    Por Ânderson Silva
    22/07/2020 - 07h04 - Atualizada em: 22/07/2020 - 07h14
    Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva
    Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (Foto: Mauricio Vieira/Secom)

    Por quase 30 anos, Carlos Moisés da Silva acostumou-se com o comando de tropas no Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Sob a alcunha de comandante, inclusive, chegou ao cargo de governador do Estado. Mas, para uma das suas principais missões da recente vida política, o coronel Moisés não tem uma tropa para o combate. Com cinco processos de impeachment em análise na procuradoria da Alesc, ele está refém da decisão jurídica sobre o proesseguimento das denúncias.

    O que falta para o impeachment de Moisés

    Caso algum dos pedidos avance, o comandante estará exposto justamente pela falta de uma tropa para conseguir conter o impedimento dentro da Assembleia. Desta vez, a equipe de Moisés não deveria ser formada por praças, mas sim por uma base parlamentar forte. Nos bastidores, a oposição conta nos dedos quem votaria contra o impeachment do governador na Alesc. Por isso a pressão constante sobre o presidente da Casa, o deputado Julio Garcia. Recentemente, ele disse que o clima para o avanço dos pedidos precisa ser jurídico.

    Para piorar a preparação de Moisés para a batalha que se avizinha, ainda lhe falta um subcomandante na linha de frente. Sem chefe da Casa Civil titular desde a saída de Amandio João da Silva Junior, cabe ao colega de PSL e deputado federal, Fabio Schiochet, a interlocução com os deputados. O número 2 da pasta, Juliano Chiodelli, também exerce o mesmo papel. Mas ambos ainda estão distantes da importância que o momento exige.

    Claramente, do ponto de vista prático, os pedidos contra Moisés tem viés político e devem ter dificuldades de avançar sob a ótica jurídica. O problema para o governador é que na Alesc, assim como nos demais legislativos, o fator "política" tem muito peso e pode se sobrepor à técnica do jurídico. Os preparativos para uma batalha que pode não ocorrer dentro do plenário expõem a fragilidade de articulação do comandante do Estado. Falta uma tropa para defendê-lo.

    Alguns movimentos de Moisés mostram que ele tenta reconstruir uma base e recuperar o tempo perdido. A liberação de emendas impositivas nos últimos dias, por exemplo, fez alguns parlamentares elogiarem publicamente o governador. A dúvida é se o recurso vai ser suficiente para demovê-los da ideia de oposição caso o impeachment caminhe dentro da Assembleia nos próximos dias.

    Do ponto de vista estratégico, a medida terá eficiência se ajudar o comandante a montar uma equipe para as batalhas que se desenham. Hoje falta uma estrutura de combate para um eventual processo de impeachment, assim como para outras disputas que devem surgir entre os parlamentares. A grande missão de Moisés no momento é conseguir estruturar a sua tropa em meio a um delicado momento político.

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