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    Xadrez da política começa a mexer as peças pelo impeachment de Moisés e Daniela

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    21/07/2020 - 13h07 - Atualizada em: 21/07/2020 - 15h57
    Moisés e Daniela
    Moisés e Daniela (Foto: Julio Cavalheiro, Secom)

    Há pelo menos cinco pedidos de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL) tramitando na Assembleia Legislativa, por diferentes motivos. Mas a tendência é que apenas um deles caminhe nas próximas semanas. Trata-se do processo apresentado pelo deputado Ivan Naatz (PL), que é embasado no reajuste dos procuradores.

    Um tema que bateu na trave na primeira tentativa – o pedido original, apresentado pelo defensor público Ralf Zimmer Junior, foi rejeitado em fevereiro pelo presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD). Mas duas coisas mudaram de lá para cá: o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), que considerou o reajuste ilegal, e o desgaste político do governador.

    > Renato Igor: Impeachment de Moisés explica-se mais pela fragilidade política do que por crime de responsabilidade

    Na história recente de Santa Catarina, nenhum personagem político teve uma carreira tão meteórica quanto Moisés, catapultado de um comando do Corpo de Bombeiros para o comando do Governo do Estado, com votação recorde. E poucos sentiram o peso do cargo em tão curto tempo.

    Pouco à vontade nos primeiros passos na política, Moisés cometeu erros fatais para alguém que ocupa um posto com tamanha envergadura. E não estamos falando dos respiradores, mas da falta de articulação política. A sangria do governo no caso das compras suspeitas é resultado do isolamento, e não o contrário.

    > Upiara: Respostas de Moisés deixam dúvidas sobre quando ele soube de erros na compra dos respiradores

    Os respiradores, no entanto, agravaram o processo de desgaste de Moisés junto ao eleitorado. E um impeachment, como mostra nossa história recente, está intimamente ligado à temperatura do apoio público ao mandatário.

    Há outro ponto a ser considerado na provável ascensão do processo de impedimento apresentado por Naatz. Ele é o único que inclui a vice-governadora Daniela Reinerh, cujo andamento pode afastar a chapa por completo do Governo de Santa Catarina. Seria uma pá de cal sobre a tal “nova política”, slogan das bases que elegeram o governador.

    O prazo também é estratégico. Em tese, se governador e vice forem impedidos na primeira metade do mandato, o presidente da Alesc assume o cargo e convoca novas eleições diretas em até 180 dias. Mas, como se trata de um processo moroso, é pouco provável que isso ocorra. 

    Se o impedimento ocorrer na segunda metade, no entanto – ou seja, a partir de janeiro de 2021 - o presidente do Legislativo, Julio Garcia, assume e convoca eleições indiretas. A medida deixa nas mãos dos deputados a escolha do novo governador, e abre caminho para um candidato à reeleição em 2022. Nos bastidores, as apostas são para um perfil mais aglutinador. Ou mesmo para o resgate das coalizões.

    Ainda é cedo para afirmar se o impeachment vingará. Mas, no xadrez da política, as peças já começaram a se mover.

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