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    Ouvidos Moucos: A UFSC precisa olhar para frente sem esquecer do passado

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    Por Ânderson Silva
    14/09/2018 - 02h00 - Atualizada em: 14/09/2018 - 06h55

    Estes últimos 365 dias, sem dúvidas, foram os mais marcantes da história da Universidade Federal de Santa Catarina. Desde a madrugada de 14 de setembro, quando agentes da Polícia Federal (PF) entraram no campus da Trindade e nas residências de servidores, a instituição entrou em roteiro cercado por incertezas. A prisão e a posterior morte do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier foram os fatos mais marcantes do último ano. Desencadearam uma série de reações a partir de dentro da própria universidade que ganharam apoios nacionais como do ministro do STF, Gilmar Mendes. A PF se tornou alvo de críticas constantes, assim como a Justiça Federal e o Ministério Público Federal (MPF), ambos parte das decisões judiciais responsáveis pelas prisões.

    Menos de três meses depois, outra operação da PF ainda maior atingiu a UFSC, mas a Ouvidos Moucos deixou as marcas mais evidentes. Impactaram até mesmo no reitor seguinte, Ubaldo Balthazar, eleito recentemente para substituir Cancellier por quatro anos. Ele e seu chefe de gabinete são alvos de uma denúncia da PF e do MPF por permitirem uma manifestação contra agentes públicos em dezembro de 2017. O protesto criticava a investigação que originou a prisão do ex-reitor e outros servidores.

    Claramente, no último ano a UFSC viveu sob os efeitos da Ouvidos Moucos. Ainda tenta se desvincular de uma operação questionada, mas responsável por apresentar à sociedade suspeitas de irregularidades em projetos de educação à distância. Professores e fundações antes consideradas com condutas ilibadas entraram em um círculo de dúvidas. Somente um ano depois da ação da PF, o primeiro docente afastado por medidas cautelares teve o direito de voltar ao campus. Poderá novamente estar em sala de aula, sem ter contato com as antigas funções.

    O retorno do professor será emblemático para a universidade retomar o caminho de um protagonismo no cenário nacional diferente do atual. A UFSC precisa olhar para a frente sem esquecer do que aconteceu, seja para lembrar dos efeitos da Ouvidos Moucos ou para se reorganizar diante dos apontamentos dos investigadores. Essa é a principal missão de Balthazar, reerguer a instituição. Por outro lado, com o inquérito da PF concluído e entregue ao MPF, caberá à procuradoria dar os rumos do processo em andamento na Justiça Federal. A população aguarda ansiosamente por respostas.

     

    Denúncia O reitor e o chefe de gabinete dele foram notificados oficialmente, nesta semana, do recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra a decisão da Justiça Federal que arquivou a denúncia que apura a conduta de ambos durante o protesto na UFSC, no qual autoridades foram alvo de um cartaz com críticas. Os dois ainda estão constituindo uma equipe de defesa para atuar no caso.

     

    Cancellier A UFSC vai montar uma programação de homenagens para o dia 2 de outubro, quando se completa um ano da morte do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier. Ele cometeu suicídio em um shopping da Capital menos de um mês depois de ser preso na Ouvidos Moucos.

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