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    ATOS EM SP

    Torcidas organizadas assumem protagonismo em protesto pró-democracia no Brasil

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    Augusto
    Por Augusto Ittner
    31/05/2020 - 18h53
    Nelson Almeida, AFP
    Foto: Nelson Almeida, AFP

    Em primeiro lugar é preciso deixar uma coisa clara: não existe torcida organizada de direita no Brasil. Ponto final. Isso aliado às seguidas manifestações antidemocráticas nas principais cidades brasileiras ajuda a entender o porquê das cenas que vimos no início da tarde deste domingo (31) na Avenida Paulista. No último dia de maio, as principais uniformizadas de São Paulo assumiram protagonismo em um movimento que queria confrontar ideologicamente.

    E confrontou.

    O protesto que terminou em barricadas, bombas de efeito moral e quebradeira, foi desencadeado por meses seguidos de questionáveis manifestações dominicais organizadas por céticos e conspiracionistas vestidos de verde e amarelo. Soma-se isso a uma noite de sábado marcada por um ato ao melhor estilo Klu Klux Klan em frente ao STF. Convenhamos: não precisa ser um especialista para entender que tudo era potencial tempero para conflitos.

    Entre os que não são radicais pró-Bolsonaro, a saturação chegou às torcidas organizadas. São movimentos historicamente populares e que têm presença não somente na arquibancada, como nas ruas.

    Embora comumente relacionados apenas à violência, as TOs foram fundamentais para a massificação do futebol justamente por estarem dentro das comunidades. E foram, também, ligadas a movimento relacionados aos pedidos pela democracia, inclusive durante o Regime Militar.

    Com essa bagagem histórica nas costas, coube à Gaviões da Fiel — instituição amarrada a um clube que tem a Democracia Corinthiana como parte importante da história, na década de 1980 — a mobilização de um ato antagonista a mais um domingo de destras manifestações antidemocráticas. Foi a gota d’água e que terminou, infelizmente, com "cenas lamentáveis" — como diria o próprio jargão futebolístico.

    Futebol e política sempre se misturaram — vide Milagre Econômico, a Seleção de 1970 e os “noventa milhões em ação”. O Brasil, de novo, em 31 de maio de 2020, durante uma pandemia, percebeu isso na prática e viu que para toda a ação há uma reação — embora tardia.

    Enquanto bolsonaristas ressaltavam (de novo) pedidos pelo fechamento de instituições democráticas com um presidente alado e a cavalo, torcedores organizados (que não têm auréolas sobre as cabeças) representaram a fatia de população que não compactua com autoritarismo presidencial: os tais 70%.

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