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Opinião

Feira do Livro não é lugar de intolerância

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Por César Seabra
17/07/2019 - 17h53 - Atualizada em: 17/07/2019 - 18h56
Feira do Livro de Jaraguá do Sul (Rodrigo Philipps, Agência RBS)
Feira do Livro de Jaraguá do Sul (Rodrigo Philipps, Agência RBS)

Feiras de livros devem ser um ambiente rico. Percorrer seus labirintos e as bancas das editoras, escolher e pechinchar preços, entrar nas filas de autógrafos, fazer selfies com os ídolos. Diversão e arte.

Feiras de livros devem ser um ambiente dominado pela pluralidade, pelo pensamento livre e crítico, pela valorização dos contraditórios e das ideias. Assim deve ser em qualquer parte do mundo, um ambiente pleno de experiências, respeito e tolerância. Templos do saber.

A Feira do Livro de Jaraguá do Sul, porém, quer ser diferente. Ao sucumbir a ameaças de idiotas nas redes sociais e desconvidar a jornalista Miriam Leitão e o sociólogo Sérgio Abranches, seus organizadores fizeram a opção por um sombrio caminho.

A desculpa dada pelo coordenador da Feira é esfarrapada. Para proteger seus participantes cortou o casal de escritores, ele justificou.  Poderia ter, com um pingo de coragem, mantido os convidados e pedido reforço policial para o evento. É assim que acontece em muitos países, quando autores são ameaçados até por terroristas.

Sobre Miriam, os petistas a odiavam, diziam que ela era uma conservadora radical. Hoje os bolsonaristas a odeiam, dizem que ela é uma comunista roxa. Seria engraçado se não fosse patético.

Mais do que qualquer coisa, Miriam é uma jornalista brilhante e uma escritora vitoriosa. Miriam é cheia de boas histórias para compartilhar com adultos e crianças (ela tem também no currículo premiados livros infantis). 

Em Jaraguá do Sul, Miriam e Sérgio falariam sobre leitura afetiva, sobre os livros que foram referência para eles e que não saem da cabeceira. Mas foram cortados, deselegante e covardemente. 

Queiram ou não, o que aconteceu tem nome e sobrenome. Chama-se censura à liberdade de expressão e ao direito ao conhecimento.

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