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César Seabra

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Percepções sobre Santa Catarina a partir do olhar do diretor de jornalismo da NSC Comunicação

César Seabra

Força bruta

Por César Seabra

16/03/2019 - 15h59

Gosto de fumaça, buzinas, sirenes de ambulâncias e de carros dos bombeiros. Cinemas, teatros, restaurantes cheios, gente nas ruas, metrô lotado, vozes, gritos. Sou urbano, admirador do caos das grandes metrópoles. E sempre tive medo das viagens mais contemplativas, cuja relação com árvores, baleias, tartarugas e afins se torna obrigatória. Até que apareceu a Islândia.

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Maggie 

Por César Seabra

23/02/2019 - 05h00

Quando ainda era moleque tive um gato. Nada bonito, nem charmoso. Era barulhento, barraqueiro, namorador. Nome: Bill. Apelido: Gato Maluco. Sumia, desaparecia, voltava, todo pimpão, para alegrar a família. Um dia Bill não retornou. Foi atropelado. 

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O bem comum

Por César Seabra

16/02/2019 - 05h00

Durante as últimas semanas correu nas redes sociais uma frase sintomática: "O Brasil não tem alvará nem para ser um país". Em pouco mais de um mês deste ano, Brumadinho, chuvas e Flamengo. Três tragédias, vidas desperdiçadas, famílias dizimadas.

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A verdade

Por César Seabra

09/02/2019 - 05h00

Jayson Blair tornou-se fera do jornalismo americano, no começo deste século. Trabalhava para o “New York Times”. Fazia reportagens por todo os Estados Unidos, ganhava prêmios, popularidade, promoções. Virou celebridade. Até que veio a bomba. O poderoso jornal descobriu que ele plagiava colegas ou fabricava as histórias fantásticas que contava. Blair era um trapaceiro. Escândalo enorme. Foi demitido, assim como vários de seus chefes. O NYT caiu numa profunda depressão de credibilidade.

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Tudo é ruína

Por César Seabra

02/02/2019 - 05h00

Dia desses tive uma forte crise renal. Não acontecia fazia 20 anos. Era um sábado ordinário. Cortar o cabelo, fazer compras, almoçar, ir ao cinema, passar na farmácia, caminhar. No começo da noite a dor veio, sem bater à porta e com a violência do Mike Tyson no auge da carreira, socando os rins por todos os lados, sem trégua, incessantemente. 

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Férias

Por César Seabra

12/01/2019 - 06h00

Tenho amigos que, até hoje, enchem o peito e se orgulham em dizer: “Estou cinco anos sem férias” ou “Não paro para descansar tem oito anos”.  Primeiro, desconfio. Depois, penso: como podem ficar tanto tempo sem as sempre sonhadas e merecidas vacaciones? Sou da turma do filósofo italiano Domenico de Masi: “O ócio pode se transformar em vício, preguiça. Mas pode, também, elevar-se para a arte, a criatividade”.Viajar, seja aonde for. Ler, seja o que for. Ver o nascer do sol e, logo mais, as cores provocadas pelo seu repouso. Ouvir os sons do mar. Namorar muito. Estar com pessoas que amamos. Conhecer gente nova, ouvir suas histórias. Arriscar-se a fazer coisas distantes de nosso cotidiano. Dormir até acordar. Pequenas coisas que não têm preço. “A vida já é curta. Então, que ela não seja pequena”, diz outro filósofo, o brasileiro Mário Sérgio Cortella.Verdade, é quase impossível se desligar do trabalho em tempos de WhatsApp, Facebook e afins. Ficamos, quase sempre, paranoicamente antenados. Mas é possível, senhores e senhoras, largar os celulares por algumas horas e esquecer do mundo. Bastam um pouco de esforço e amor ao “dolce far niente”. O resultado é tiro certo: faz muito bem para a saúde, a mente, o coração.Abraçado pela deliciosa brisa de Arembepe, essas poucas e mal traçadas linhas quase não saíram. Vieram com sacrifício, por insistência de minha querida editora. Disse a ela que não sabia sobre o que escrever esta semana. Raquel insistiu: “Escreva sobre como é bom não fazer nada”. Como bom menino, dediquei-me e consegui. Mas é como resumiu Goethe, um dos mais importantes escritores da Alemanha: “Escrever é um ócio muito trabalhoso”.Eita, que preguiça...°°°Um passeio pela vila da praia do Forte, na Bahia, transforma-se numa viagem antropológica. Jovens bonitos e hippies se misturam. Música (quase sempre ruim) saindo de todos os cantos. Uma moça com voz esganiçada canta um rock pauleira do Deep Purple e leva turistas estrangeiros à loucura.Os doces amigos Tio Paulinho e Andréa lembrando deliciosas aventuras do Carnaval baiano. Tem até um velório, numa pequena casa de portas e caixão abertos, para quem desejar entrar e se despedir daquele que “partiu dessa para uma melhor”.De alguma forma, é como se voltar no tempo, se estar na cidade do prefeito Odorico Paraguaçu, a Sucupira do grande Dias Gomes.É verdade, a Bahia tem um jeito...°°°Todo Carnaval tem seu fim. Férias, também. Volto ao trabalho esta segunda-feira, com o corpo e a alma renovados.

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Cores da vida  

Por César Seabra

05/01/2019 - 05h00

Na noite deste domingo "Roma" deverá ganhar o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Também é o favorito para levar o Oscar da mesma categoria, dia 24 de fevereiro. É um filmaço em toda sua singeleza e simplicidade em preto-e-branco. E ainda não chegou ao circuito de cinemas de todo o mundo.Revela lembranças de infância do diretor mexicano Alfonso Cuarón. As ruas de Roma, bairro onde viveu com a família classe média na Cidade do México; a amizade com os três irmãos; a indômita força da mãe; o abandono do pai; as relações com uma empregada doméstica de origem indígena (ela é a principal inspiração para escrever o roteiro e dirigir o filme, diz o próprio Cuarón).Vi “Roma” duas vezes. Chorei as duas vezes.Penso, por exemplo, em como teria sido minha infância em Santo Antônio de Lisboa. Aquele lugar lindo, aquele encantamento. Cheiros e músicas do mar, o calor amenizado pela brisa, os barcos pesqueiros, as cores do nascer e do pôr do sol, as ruas irregulares e seus moradores... Lembro e recrio minha infância em Brás de Pina, subúrbio do Rio. Mais precisamente na Jureia, pequena rua sem saída daquele bairro carioca de classe média-baixa. As festas na casa grande em que vivíamos. O som dos atabaques de um centro religioso nos melancólicos finais dos domingos. O Bloco da Vaca nos carnavais.Os perfumes de uma vila de casas pobres. Célia, a primeira paquera frustrada. A dureza de voltar às aulas depois das férias. As constantes brigas de meus pais. As pipas e as peladas de futebol. O braço direito três vezes quebrado. As brincadeiras com minhas irmãs Sandra e Catia. O Fuscão abóbora de minha mãe. A cabeça inúmeras vezes rachada. O tricampeonato no México (que baita coincidência!) e as comemorações com fogos e balões colorindo o céu... Enquanto me divertia em toda minha pureza, a ditadura militar comia solta, prisões, torturas, mortes. "Roma" pode ser visto, por enquanto, em streaming.Trata-se de um espetacular relato sobre o politicamente conturbado México dos anos 1970. Acima de tudo, "Roma" é um monumental relato sobre como podem ser especiais e bonitas as banalidades da vida. Um filme imperdível.°°°Minha única resolução para 2019 é bem simples: manter distância de gente tóxica com egos exagerados, de malas-pesadas, de sujeitos empáticos de mão única, de gente hipócrita e sem um pingo de humanismo. Não há mais tempo a se perder com pessoas assim.°°°"Há duas épocas na vida, a infância e a velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons", escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade em toda a sua despretensiosa grandeza.°°°Paz, paz, paz.

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Amizade

Por César Seabra

29/12/2018 - 05h00

Viver num novo país ou numa nova cidade sempre será uma experiência plena de ambiguidade. Encanta e apavora. As diferenças culturais assustam. De onde venho, para onde vou, quem sou, como me encaixar numa nova realidade, como manter coração e mente abertos e distantes de ideias pré-concebidas? Incansáveis perguntas, respostas e descobertas.

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Saudades

Por César Seabra

22/12/2018 - 06h00

Tomados por compromissos cotidianos, esquecemos detalhes importantes ou banais de nossas vidas. De repente, deparamos com um deles. Susto inevitável. Dia desses, ao abrir a surrada carteira de trabalho, a descoberta: cheguei aos 35 anos como jornalista profissional. Olhando em retrospectiva, não saberia fazer outra coisa. São tantas mudanças de estações, o tempo voa.

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Livrarias 

Por César Seabra

01/12/2018 - 04h00

Viajar revela e permite prazeres para todos os gostos. Visitar lugares badalados, conhecer a gastronomia, entrar em museus e templos religiosos, perambular pelas ruas sem dó dos pés, passar as noites em bares e boates, consumir sem necessidade, experimentar a onda dos cafés... Cada um é cada um. É proibido proibir. Uma de minhas alegrias é passar horas em livrarias. Nelas a vida pulsa, dentro e fora das páginas dos livros. Que delícia se perder na apertada Shakespeare & Co., em Paris. Um sebo metido a besta, com livros desarrumados, paredes maltratadas. Lá estudantes de todo o mundo trabalham de graça para ganhar, em troca, um lugar onde dormir. E dormem, esparramados, nas poltronas velhas da própria livraria. Que maravilha conversar com Miguel, dono da Eterna Cadencia, em Buenos Aires. Miguel é apaixonado por livros e futebol. Ama Maradona. Odeia Messi. Miguel é o típico argentino, passional. Enquanto sugere boas leituras, critica o craque do Barcelona. "Ele não tem sangue argentino, é espanhol", esbraveja Miguel. O tempo passa e não se sente. Com sorte, pode-se ainda trocar três minutos de prosa com o ator Ricardo Darín. Que primor era esbarrar com o astro da música pop David Bowie e sua linda mulher, Iman, na novaiorquina McNally Jackson. Lembro até hoje da primeira vez em que encontrei o casal, na seção de literatura britânica, e o misto de susto e encantamento que vivi. De repente, ao lado do homem que caiu na Terra, inesquecível. Tem a South Kensington Books, em Londres. A Zaccara, numa charmosa casa paulistana. A Timbre, escondidinha num shopping da Zona Sul carioca. Tem a Ler Devagar, no modernoso LX Factory, em Lisboa. E tantas outras que ainda espero visitar mundo afora. Em tempos de pouca leitura, embrutecimento e emburrecimento da sociedade, pobres das cidades que não têm uma boa casa do ramo. É como escreveu o argentino Jorge Luis Borges: "Imagino que o paraíso seja uma espécie de livraria".  °°° Por falar em livrarias, um brilhante jornalista de minha geração enveredou pela ficção, e lança livro novo. Em "Cinza, carvão, fumaça e quatro pedras de gelo", Luis Erlanger mostra a luta para se chegar à felicidade individual e social neste mundo maluco em que vivemos. Vale a leitura. °°° O Avaí voltou à Série A. Ou seja, vamos ter a visita do Glorioso à Ressacada em 2019. O Glorioso é aquele time que tem, entre os campeões do mundo, Nilton Santos, Zagallo, Garrincha, Didi, Amarildo, Jairzinho, PC Caju e Roberto Miranda. Só isso... E neste fim de semana é hora de torcer pela Chape. °°° – A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. – Do obrigatório e eterno poeta português Fernando Pessoa.   Leia outras crônicas

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