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César Seabra

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Percepções sobre Santa Catarina a partir do olhar do diretor de jornalismo da NSC Comunicação

César Seabra

Férias

Por César Seabra

12/01/2019 - 06h00

Tenho amigos que, até hoje, enchem o peito e se orgulham em dizer: “Estou cinco anos sem férias” ou “Não paro para descansar tem oito anos”.  Primeiro, desconfio. Depois, penso: como podem ficar tanto tempo sem as sempre sonhadas e merecidas vacaciones? Sou da turma do filósofo italiano Domenico de Masi: “O ócio pode se transformar em vício, preguiça. Mas pode, também, elevar-se para a arte, a criatividade”.Viajar, seja aonde for. Ler, seja o que for. Ver o nascer do sol e, logo mais, as cores provocadas pelo seu repouso. Ouvir os sons do mar. Namorar muito. Estar com pessoas que amamos. Conhecer gente nova, ouvir suas histórias. Arriscar-se a fazer coisas distantes de nosso cotidiano. Dormir até acordar. Pequenas coisas que não têm preço. “A vida já é curta. Então, que ela não seja pequena”, diz outro filósofo, o brasileiro Mário Sérgio Cortella.Verdade, é quase impossível se desligar do trabalho em tempos de WhatsApp, Facebook e afins. Ficamos, quase sempre, paranoicamente antenados. Mas é possível, senhores e senhoras, largar os celulares por algumas horas e esquecer do mundo. Bastam um pouco de esforço e amor ao “dolce far niente”. O resultado é tiro certo: faz muito bem para a saúde, a mente, o coração.Abraçado pela deliciosa brisa de Arembepe, essas poucas e mal traçadas linhas quase não saíram. Vieram com sacrifício, por insistência de minha querida editora. Disse a ela que não sabia sobre o que escrever esta semana. Raquel insistiu: “Escreva sobre como é bom não fazer nada”. Como bom menino, dediquei-me e consegui. Mas é como resumiu Goethe, um dos mais importantes escritores da Alemanha: “Escrever é um ócio muito trabalhoso”.Eita, que preguiça...°°°Um passeio pela vila da praia do Forte, na Bahia, transforma-se numa viagem antropológica. Jovens bonitos e hippies se misturam. Música (quase sempre ruim) saindo de todos os cantos. Uma moça com voz esganiçada canta um rock pauleira do Deep Purple e leva turistas estrangeiros à loucura.Os doces amigos Tio Paulinho e Andréa lembrando deliciosas aventuras do Carnaval baiano. Tem até um velório, numa pequena casa de portas e caixão abertos, para quem desejar entrar e se despedir daquele que “partiu dessa para uma melhor”.De alguma forma, é como se voltar no tempo, se estar na cidade do prefeito Odorico Paraguaçu, a Sucupira do grande Dias Gomes.É verdade, a Bahia tem um jeito...°°°Todo Carnaval tem seu fim. Férias, também. Volto ao trabalho esta segunda-feira, com o corpo e a alma renovados.

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Cores da vida  

Por César Seabra

05/01/2019 - 05h00

Na noite deste domingo "Roma" deverá ganhar o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Também é o favorito para levar o Oscar da mesma categoria, dia 24 de fevereiro. É um filmaço em toda sua singeleza e simplicidade em preto-e-branco. E ainda não chegou ao circuito de cinemas de todo o mundo.Revela lembranças de infância do diretor mexicano Alfonso Cuarón. As ruas de Roma, bairro onde viveu com a família classe média na Cidade do México; a amizade com os três irmãos; a indômita força da mãe; o abandono do pai; as relações com uma empregada doméstica de origem indígena (ela é a principal inspiração para escrever o roteiro e dirigir o filme, diz o próprio Cuarón).Vi “Roma” duas vezes. Chorei as duas vezes.Penso, por exemplo, em como teria sido minha infância em Santo Antônio de Lisboa. Aquele lugar lindo, aquele encantamento. Cheiros e músicas do mar, o calor amenizado pela brisa, os barcos pesqueiros, as cores do nascer e do pôr do sol, as ruas irregulares e seus moradores... Lembro e recrio minha infância em Brás de Pina, subúrbio do Rio. Mais precisamente na Jureia, pequena rua sem saída daquele bairro carioca de classe média-baixa. As festas na casa grande em que vivíamos. O som dos atabaques de um centro religioso nos melancólicos finais dos domingos. O Bloco da Vaca nos carnavais.Os perfumes de uma vila de casas pobres. Célia, a primeira paquera frustrada. A dureza de voltar às aulas depois das férias. As constantes brigas de meus pais. As pipas e as peladas de futebol. O braço direito três vezes quebrado. As brincadeiras com minhas irmãs Sandra e Catia. O Fuscão abóbora de minha mãe. A cabeça inúmeras vezes rachada. O tricampeonato no México (que baita coincidência!) e as comemorações com fogos e balões colorindo o céu... Enquanto me divertia em toda minha pureza, a ditadura militar comia solta, prisões, torturas, mortes. "Roma" pode ser visto, por enquanto, em streaming.Trata-se de um espetacular relato sobre o politicamente conturbado México dos anos 1970. Acima de tudo, "Roma" é um monumental relato sobre como podem ser especiais e bonitas as banalidades da vida. Um filme imperdível.°°°Minha única resolução para 2019 é bem simples: manter distância de gente tóxica com egos exagerados, de malas-pesadas, de sujeitos empáticos de mão única, de gente hipócrita e sem um pingo de humanismo. Não há mais tempo a se perder com pessoas assim.°°°"Há duas épocas na vida, a infância e a velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons", escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade em toda a sua despretensiosa grandeza.°°°Paz, paz, paz.

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Amizade

Por César Seabra

29/12/2018 - 05h00

Viver num novo país ou numa nova cidade sempre será uma experiência plena de ambiguidade. Encanta e apavora. As diferenças culturais assustam. De onde venho, para onde vou, quem sou, como me encaixar numa nova realidade, como manter coração e mente abertos e distantes de ideias pré-concebidas? Incansáveis perguntas, respostas e descobertas.

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Saudades

Por César Seabra

22/12/2018 - 06h00

Tomados por compromissos cotidianos, esquecemos detalhes importantes ou banais de nossas vidas. De repente, deparamos com um deles. Susto inevitável. Dia desses, ao abrir a surrada carteira de trabalho, a descoberta: cheguei aos 35 anos como jornalista profissional. Olhando em retrospectiva, não saberia fazer outra coisa. São tantas mudanças de estações, o tempo voa.

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Livrarias 

Por César Seabra

01/12/2018 - 04h00

Viajar revela e permite prazeres para todos os gostos. Visitar lugares badalados, conhecer a gastronomia, entrar em museus e templos religiosos, perambular pelas ruas sem dó dos pés, passar as noites em bares e boates, consumir sem necessidade, experimentar a onda dos cafés... Cada um é cada um. É proibido proibir. Uma de minhas alegrias é passar horas em livrarias. Nelas a vida pulsa, dentro e fora das páginas dos livros. Que delícia se perder na apertada Shakespeare & Co., em Paris. Um sebo metido a besta, com livros desarrumados, paredes maltratadas. Lá estudantes de todo o mundo trabalham de graça para ganhar, em troca, um lugar onde dormir. E dormem, esparramados, nas poltronas velhas da própria livraria. Que maravilha conversar com Miguel, dono da Eterna Cadencia, em Buenos Aires. Miguel é apaixonado por livros e futebol. Ama Maradona. Odeia Messi. Miguel é o típico argentino, passional. Enquanto sugere boas leituras, critica o craque do Barcelona. "Ele não tem sangue argentino, é espanhol", esbraveja Miguel. O tempo passa e não se sente. Com sorte, pode-se ainda trocar três minutos de prosa com o ator Ricardo Darín. Que primor era esbarrar com o astro da música pop David Bowie e sua linda mulher, Iman, na novaiorquina McNally Jackson. Lembro até hoje da primeira vez em que encontrei o casal, na seção de literatura britânica, e o misto de susto e encantamento que vivi. De repente, ao lado do homem que caiu na Terra, inesquecível. Tem a South Kensington Books, em Londres. A Zaccara, numa charmosa casa paulistana. A Timbre, escondidinha num shopping da Zona Sul carioca. Tem a Ler Devagar, no modernoso LX Factory, em Lisboa. E tantas outras que ainda espero visitar mundo afora. Em tempos de pouca leitura, embrutecimento e emburrecimento da sociedade, pobres das cidades que não têm uma boa casa do ramo. É como escreveu o argentino Jorge Luis Borges: "Imagino que o paraíso seja uma espécie de livraria".  °°° Por falar em livrarias, um brilhante jornalista de minha geração enveredou pela ficção, e lança livro novo. Em "Cinza, carvão, fumaça e quatro pedras de gelo", Luis Erlanger mostra a luta para se chegar à felicidade individual e social neste mundo maluco em que vivemos. Vale a leitura. °°° O Avaí voltou à Série A. Ou seja, vamos ter a visita do Glorioso à Ressacada em 2019. O Glorioso é aquele time que tem, entre os campeões do mundo, Nilton Santos, Zagallo, Garrincha, Didi, Amarildo, Jairzinho, PC Caju e Roberto Miranda. Só isso... E neste fim de semana é hora de torcer pela Chape. °°° – A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. – Do obrigatório e eterno poeta português Fernando Pessoa.   Leia outras crônicas

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Amizade

Por César Seabra

24/11/2018 - 05h00

Logo depois de me formar jornalista, tomei uma bizarra decisão: não era hora de trabalhar, precisava estudar mais. E fui fazer Ciências Sociais. Na nova faculdade conheci a mãe de Marina, minha filha. E encontrei o PJ. Ele era, também, estudante de Jornalismo. Isso nos aproximou rápida e fortemente. Nas aulas de Sociologia conversávamos sobre viagens, músicas, livros, amarguras, alegrias e, claro, muito futebol. Assim como eu, PJ amava futebol - o que nos uniu ainda mais. Torcedor roxo do Fluminense, ele tinha toda a coleção da revista esportiva "Placar". Era dono de uma memória espetacular. Adorava contar histórias de atletas fracassados e imitar antigos narradores de rádio e televisão.  O Maracanã era a nossa segunda casa. Jogo ruim, clássico, Seleção Brasileira... Não importava, lá estávamos os dois. Muitas vezes sequer prestávamos atenção no que se passava no gramado. Usávamos o tempo para falar do mundo de nossos sonhos, o mundo ideal. Nossas famílias formaram uma só. Já éramos mais do que amigos. Éramos irmãos. Irmãos da vida. O tempo passou. Abandonamos o curso de Ciências Sociais. PJ se formou e se tornou jornalista de primeira linha. Assumi um cargo de chefia. Nepotista, convidei o irmão para a equipe. Ele aceitou. E, posso dizer, como é bom ter um irmão perto da gente. Já nos campos de pelada formávamos uma zaga medíocre e descortês. Muito mais do que jogar, gritávamos e espancávamos os atacantes adversários. Formávamos a "Dupla ZZ". Eu era o "Zezinho". Ele, o "Zangado". "Zezinho", não me perguntem a razão. Mas "Zangado" é perfeito. Quanto mais mal humorado, quanto mais irritadiço, mais engraçado ficava o PJ. Vê-lo esbravejando contra tudo e todos, contra jogadores perebas ou contra uma música que considerava ordinária, era maravilhosamente divertido. Ele era o zangado mais bacana que existia. PJ se foi há pouco menos de dois anos. Ele estava no avião da Chapecoense. A saudade corta, fere, sangra. Lembrar PJ é uma simples homenagem à memória de todos que se foram naquele fim de novembro de 2016. (Aqui, na NSC, meus companheiros perderam amigos queridos e inesquecíveis.) Lembrar PJ é carregar, cada vez mais, a certeza de que o amor e a amizade são os bens mais preciosos dessa intensa vida.     °°° Do filósofo suíço Alain de Botton: “No coração das boas amizades mora um fator imprescindível: a vulnerabilidade. Amizade é o dividendo da gratidão que flui da percepção de que o outro lhe oferece algo muitíssimo valioso: a chave para sua autoestima é sua dignidade “. °°° Em curta viagem a Santiago, emocionou a visita ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Lá está tudo sobre o 9/11 do Chile, o golpe militar comandado pelo assassino Augusto Pinochet, toda a brutalidade e toda a desumanidade da longa ditadura (1973 a 1990). Visita pungente e imperdível. °°° Do poeta chileno Pablo Neruda: "Só um louco pode desejar guerras. A guerra destrói a própria lógica da existência humana.”   Leia outras crônicas

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Extrema leveza

Por César Seabra

10/11/2018 - 05h00

O passado, algumas vezes, traz boas memórias e boas risadas. Depois do peso das eleições, leveza e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Então segue uma historinha. Está perto de completar 25 anos uma pequena tragédia do futebol brasileiro. Aconteceu no velho Maracanã. Eu estava lá. Agora estou cá, para relembrar e relatar a vocês. Era uma manhã calorenta de dezembro de 1993. Eu tinha 32 anos e carregava volumosa barriga para um cara tão jovem. Naquele dia, um time de jornalistas brasileiros enfrentaria uma equipe austríaca também de jornalistas. Não havia dúvidas: arrogantes que somos, na época ainda tricampeões mundiais, tínhamos a certeza de que seríamos lembrados, eternamente, por uma vitória avassaladora. Afinal, o que era (e ainda é) a Áustria para o futebol mundial? Estavam no Maracanã cerca de cem torcedores: 60 austríacos; 30 operários que pararam o trabalho para ver a peleja; e apenas 10 loucos e amorosos parentes nossos. Os rivais entraram em campo enfileirados, bem arrumados, com o uniforme da seleção austríaca. Pareciam profissionais. Nós pisamos a grama sagrada com 26 atletas, todos com calções, camisas e meias diferentes. Éramos um bando de esfarrapados. Acreditem, a nossa camisa era a da seleção... holandesa. Aquilo era um pequeno sinal do infortúnio que se aproximava, com todo o respeito à Holanda. O jogo começou, para a alegria dos torcedores austríacos e dos operários traidores da pátria, que dançavam e gargalhavam como se ouvissem música. Seguem alguns detalhes do que ficou conhecido, para alguns gatos pingados, como "A Desonra do Maraca": 1) Nossos dois goleiros, o titular e o reserva, tinham assustadores 1,60 m de altura; 2) Um de nossos zagueiros trocou as chuteiras por um par de tênis americano All Star; 3) Um de nossos atacantes arriscou um chute de longa distância. A bola sequer chegou à linha da grande área; 4) Em 90 minutos de jogo nosso artilheiro tocou na bola apenas uma vez - no apito inicial do árbitro; 5) Nosso lateral-esquerdo, com camisa laranja, calção azul e meias do Vasco, não sabia o que era a regra do impedimento. Passou o jogo colado à trave, tricotando com nosso goleiro verticalmente prejudicado; 6) Parado em campo, deslumbrado com o tamanho do estádio, outro atacante de cabelos enormes ganhou coro dos operários: "Cabeluda! Cabeluda!"; 7) E o zagueiro que vos escreve levou um drible tão desconcertante que se estatelou com a cara e a pança no chão, parecendo um João-Bobo. Ah, o resultado? A Áustria venceu por 7 a 0. Nosso sonho virou constrangimento. Graças aos deuses do futebol, tudo aquilo foi esquecido por conta dos 7 a 1 de 8 de julho de 2014, no Mineirão. Muito obrigado, Felipão. °°° Do comediante americano Jerry Seinfeld:  “Os seres humanos têm relacionamentos abusivos uns com os outros”. °°° Uma das obras mais bacanas da literatura brasileira, “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino, bateu um recorde: chegou à centésima edição. Foi leitura obrigatória de minha juventude. Continua leitura imprescindível em meu caminho à implacável quarta idade.   Leia outras crônicas

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Reta final

Por César Seabra

27/10/2018 - 03h00

Posso dizer, com orgulho, que trabalhei em várias eleições. Muitas delas enormemente importantes, no Brasil e fora daqui. Por exemplo, a cobertura das eleições de 1989, aquela em que Collor e Lula sobreviveram para o acirrado segundo turno. Não foi nada fácil, assim como também foi dureza a disputa entre o democrata negro Barack Obama e o republicano veterano de guerra John McCain, em 2008, nos Estados Unidos. Mas nada se compara às eleições que vivemos agora em nosso país. Nunca vi tanto ódio, menosprezo e hostilidade pela opção do outro, tanto jogo sujo, desprezo pelos valores democráticos. Nunca vi tanta gente de bem - filhos, pais, amigos, irmãos, casais - tomada pela animosidade, pela raiva. Ninguém sairá ileso desse faroeste tupiniquim, dessa incomensurável confusão. Pelas redes (antissociais) - principalmente pelo WhatsApp - vi velhas amizades se dissipando, namorados se separando, irmãos se ofendendo. Vi xingamentos, promessas de agressões físicas e, simplesmente inacreditável, até de morte. O horror, o horror. "Largar as redes sociais é a maneira mais certeira de resistir à insanidade dos nossos tempos", escreveu o filósofo da internet Jaron Lanier. As redes gratuitas cobram muito caro, manipulam e mudam nossos comportamentos, acrescenta Lanier, pioneiro da realidade virtual. Perfeito, é o que vem acontecendo de forma nua e crua por aqui. As redes sociais estão nos tornando uns idiotas, ignorantes do terceiro milênio. Vivemos a “imbecilização da sociedade”, como diz Caetano Veloso. Para manter integridade e preceitos éticos, não preciso justificar em quem votarei. Muito menos tentar subjugar, reprimir ou dominar o outro que votará em candidaturas diferentes. Meus valores são inegociáveis, não dependem da força. Em tempos de cólera, o recolhimento e o silêncio tornaram-se produtos de inestimável valia. E assim chegamos à reta final das eleições 2018. Neste domingo vamos às urnas decidir quem será o nosso presidente e quem será o governador de Santa Catarina. Que tenhamos paz nas ruas. Que os eleitores exerçam o poder do voto com cidadania e sabedoria. Que os políticos, os vencedores e os vencidos, respeitem os princípios básicos da democracia, reconquistada nos anos 80 do século passado. Que respeitem os Poderes, as instituições, a Constituição, os adversários e partidos rivais.  Que respeitem, sobretudo, as dores e os sonhos dos seres humanos que habitam este conturbado país. °°° Para mostrar por que a democracia americana é tão poderosa, apesar dos históricos solavancos, seguem pequenas pérolas de dois personagens fundamentais: Thomas Jefferson, terceiro presidente e o principal autor da declaração da Independência dos Estados Unidos: "Quando estiver zangado, conte até 10 antes de falar; se estiver muito zangado, conte até cem." Abraham Lincoln, presidente que liderou o país na sangrenta Guerra Civil, manteve a União e acabou com a escravidão: "Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos." Definitivamente, nada é tão grande e forte por acaso.   Leia outras crônicas

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A rede

Por César Seabra

21/10/2018 - 05h00

O inferno astral do Facebook parece não ter fim. Entre tantos outros graves problemas, a rede ajudou a levar Donald Trump à Casa Branca, em 2016. Somente este ano foi provado que a consultoria Cambridge Analytica se apropriou indevidamente de dados pessoais de 50 milhões de usuários em benefício da campanha do bilionário americano.Mais recentemente, foi confirmado que 30 milhões de usuários tiveram dados roubados por hackers. Nomes, telefones, correios eletrônicos, gênero, idiomas, status de relacionamento, religião, cidade natal, data de nascimento, dispositivos usados para acessar a rede, grau de educação, emprego e os últimos 10 locais onde as vítimas estiveram ou foram marcadas. Ouro em pó tirado do Facebook.Até gosto do Face, tem seu valor. Nele pude reencontrar queridos amigos e mantenho contato com pessoas que provocam boas lembranças e risadas. Graças a ele quase sempre escapo da gafe de esquecer aniversários de gente que quero muito bem. Este é o Face do bem. Também temos o Face do mal. Nele me surpreendo com aberrações ali despejadas e com o livre terreno para o ódio em que se transformou. Aqui a rede de Mark Zuckerberg é completamente desnecessária e despropositada.Mas tem um dia em que o Facebook nos pega pelo pé e sacode nosso esqueleto. Todos passaremos por isso. Minha vez chegou na semana passada, quando fui convidado, via rede, para ser modelo de ensaios fotográficos, propagandas de TV e afins. O convite da agência dizia: “Estamos com demandas imensas de trabalho para modelos comerciais e seu perfil se encaixa. Modelos publicitários não têm exigência de altura, peso e idade.”Com o ego tomado pela vaidade e o coração partido, enviei a negativa: “Não conseguiria conciliar a atribulada vida de jornalista com a também dura vida de modelo.”Quando se recebe um convite assim, tão bizarro quanto o topete de Trump, precisa-se fazer uma profunda autorreflexão e dizer, sem medo de ser feliz: você não faz mais sentido, está chegando a hora de partir, Facebook.°°°De Valter Hugo Mãe, importante escritor português: "O inferno não são os outros. Eles são o paraíso, porque um homem sozinho é apenas um animal. A humanidade começa nos que te rodeiam, e não exatamente em ti."°°°Marcelo Adnet, com os tutoriais dos candidatos à Presidência, é um tremendo destaque das eleições 2018.  Viva o humor! Leia também:Vazamento de dados do Facebook atinge 443 mil usuários no BrasilFacebook 'melhor preparado' contra ingerência eleitoral, diz Zuckerberg

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Foto:Jean Pimentel/Agencia RBS

Recados e sinais

Por César Seabra

13/10/2018 - 04h50

Um amigo emitiu, pelas redes sociais (ou antissociais), um recado. Não sei para quem, nem importa saber. Em tempos de ódio, a missiva de Rodrigo Araújo é pungente e emocionante. Segue um trecho:

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