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César Seabra

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Percepções sobre Santa Catarina a partir do olhar do diretor de jornalismo da NSC Comunicação

César Seabra

Crônica: Amor inteligente

Por César Seabra

22/09/2018 - 04h00

Salman Rushdie nasceu em Mumbai, na Índia, onde passou parte de sua infância. Aos 13 anos sua família se mudou para a Inglaterra. Seu sonho era ser ator. Não funcionou. Então ele se tornou um importante escritor de nossos tempos. Em 1989, por conta do livro "Os Versos Satânicos", foi condenado pelo governo do Irã. O aiatolá Khomeini, líder religioso iraniano, promulgou uma sentença de morte a Rushdie, alegando que o romance carregava blasfêmias contra Maomé, o profeta do islã. A vida de Rushdie virou um inferno. Ameaçado e perseguido, andava com seguranças 24 horas por dia, sete dias por semana. Escondia-se em pequenos quartos de diferentes cidades de toda a Europa. Hoje, quase 30 anos depois, vive em Nova York, onde continua a carreira de sucesso, refletindo sobre o futuro do mundo. "Vivemos uma grande Idade da Migração. Nos últimos cem anos, mais pessoas se mudaram de país em todo o mundo, deixando seus lugares de origem, do que em toda a história da humanidade antes disso. Isso redesenhou nossas culturas, nossos idiomas, nossas cidades e nosso senso do que é um ser humano", disse o anglo-indiano Rushdie, ele mesmo um migrante, em recente entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo". Por meio de sua corajosa literatura, Rushdie escreve e luta contra o preconceito, a homofobia, a xenofobia, a misoginia. Rushdie escreve e luta pelo entendimento, pela tolerância, pelo conhecimento, pelo amor entre os homens. De forma bem simples, homofobia significa repugnância a homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais. Já xenofobia é a profunda aversão aos estrangeiros e a culturas, hábitos, raças e religiões diferentes. E a misoginia é o ódio e o desprezo pelas mulheres. Ler a brilhante obra de Salman Rushdie ensina a respeitar o contraditório. Fortalece a adoração pelos direitos humanos. Reforça o horror por armas, tortura, violência. Faz manter cabeça, coração e mente abertos ao diferente, ao debate de ideias. Ajuda a tirar os olhos do umbigo. Ajuda a estranhar os desafios generosamente oferecidos pelo novo mundo. Rushdie revigora os eternos sonhos de solidariedade e humanismo. °°° Do escritor britânico Ian McEwan sobre o amor: "O amor não é sempre uma virtude, ele pode ser uma ferramenta muito controladora. Nunca estive de acordo com a canção dos Beatles "All You Need Is Love". Também é preciso inteligência. É preciso amor inteligente."   Leia também: “Apenas 5% das capas tiveram mulheres negras”, afirma autora de livro sobre revistas femininas

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Intolerância

Por César Seabra

08/09/2018 - 04h55

Sábado passado, enquanto assistia a um tributo a Cazuza, pensava na riqueza, no furor e na atualidade das letras do poeta. “Nas noites de frio é melhor nem nascer/Nas de calor, se escolhe, é matar ou morrer/E assim nos tornamos brasileiros./Te chamam de ladrão, de bicha maconheiro/Transformam um país inteiro num puteiro/Pois assim se ganha mais dinheiro”, escreveu Cazuza em “O tempo não para”. No dia seguinte, domingo à noite, aconteceu o incêndio que comoveu o Brasil. Primeiro, toda a negligência de vários governos e administradores, estaduais e federais, de vários espectros políticos. Depois, as chamas que destruíram o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Choque geral, aqui e no mundo. O incêndio foi capa de grandes jornais, como no britânico “The Guardian” e no americano “The New York Times”. E, então, a semana foi marcada novamente pela virulência nas redes sociais. O país viu queimar grande parte de sua história. E o que se encontra? Troca de acusações e maquiavelismos bizarros. Notícias falsas plantadas e espalhadas sem o menor pingo de cuidado e apuração. Um retrato desse Brasil polarizado, dividido e tomado pelo ódio, pela imbecilidade, pela intolerância. O retrato de um país em chamas. Estamos estacionados numa encruzilhada. O trem vem logo ali, a todo vapor. Teremos em outubro uma oportunidade importante para tentar dar um passo à frente e buscar o renascimento. Ou fincar o pé, ainda mais profundamente, na ignorância e no obscurantismo.     Cazuza morreu cedo. Uma pena. Seria bom tê-lo aqui hoje, ler o que escreveria sobre esse novo mundo, sobre esse velho Brasil. E é sempre bom agradecer a ele por tamanha genialidade: "Meu partido/É um coração partido/E as ilusões estão todas perdidas/Os meus sonhos foram todos vendidos/Tão barato que eu nem acredito/Eu nem acredito."  Viva Cazuza. *** Meus pais me levaram varias vezes ao Museu Nacional. Tenho ótimas memórias. Mas museus não são importantes apenas pela visitação. São muito mais do que isso. Eles guardam e registram o que fomos, somos e seremos.  Eles são o HD da Humanidade. *** Do psicólogo e linguista canadense Steven Pinker: “Humanismo é o princípio de que é o bem estar dos seres vivos o maior valor moral, não a glória de uma tribo, nação ou uma lei religiosa”. *** Nada é tão ruim que não possa piorar. Vêm o feriadão, o atentado à democracia, a facada na eleição, em mais uma demonstração da intolerância que está no dia a dia do país.  Deus, onde isso vai parar?

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(João Cotta, Globo)

Indignação

Por César Seabra

01/09/2018 - 07h00

Esta semana ouvi muita gente dizer que Renata Vasconcellos e William Bonner foram impiedosamente duros com os candidatos à Presidência da República. Nas mídias sociais, os apresentadores do Jornal Nacional foram acusados de paladinos da justiça e de transformar as entrevistas em tribunal de inquisição. "Eles fazem jornalismo tarja-preta”, gritaram alguns. "Eles foram deselegantes com os convidados", reclamaram outros. Discordo de todos. Os apresentadores do JN estavam bem preparados e fizeram jornalismo de verdade, crítico como precisa ser. Estamos na encruzilhada. Não há mais espaço para sentimentalismos tolos, não dá mais para passar a mão na cabeça. Pesquisas mostram que o descrédito da sociedade com a classe política é gigantesco. A cada eleição aumenta o índice de gente que não sai de casa para votar. Por que será? Porque políticos prometem, enrolam, nada fazem. Porque participam de acordos repugnantes por um punhado de votos. Porque não reconhecem erros banais. Porque estão envolvidos em cabeludas falcatruas. Porque são despreparados. Porque não têm ideologia e trocam de partido como se troca de roupa. Porque fazem demagogia. Porque mentem na maior cara-de-pau e nos fazem de palhaço. As raras exceções para tudo o que citei acima apenas confirmam a regra. Onde os políticos escondem os projetos para melhorar a saúde, a educação, o transporte? E o que fazer para combater as gangues e a violência em Santa Catarina e em todos os cantos do país? E quais as propostas para consertar a gestão pública, para administrar com ética e responsabilidade sem gastar mais do que o previsto no orçamento? Onde estão as ideias para que possamos discutir o sonho de uma sociedade mais bem organizada e com menos desigualdades? Quantas promessas são feitas sem a menor intenção de cumpri-las? O que vemos, na maior parte do tempo, são compromissos vazios e infundados, sem sentido, simplistas, reducionistas. Pessimismo, derrotismo, ceticismo, desencanto, desconfiança, indignação, desesperança e descrença são palavras e sentimentos ligados à imagem do mundo político. Por conta de tudo isso é importante uma cobrança mais dura. Por conta de tudo isso é preciso estar bem informado e votar com consciência. Porque, com boa vontade, ainda dá para acreditar em alguma coisa. *** Nise da Silveira, uma das mais importantes psiquiatras brasileiras: "É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade".

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(EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

Mais humanismo, mais leveza

Por César Seabra

25/08/2018 - 05h25

Algumas vezes senti constrangimento por ser brasileiro. Um exemplo: o massacre do Carandiru, em outubro de 1992, quando 111 pessoas foram assassinadas. Outro exemplo: junho de 2002, quando traficantes capturaram, julgaram, condenaram e executaram o jornalista e meu amigo Tim Lopes, mostrando a força do poder paralelo no Rio. Mais um exemplo: agosto de 2018, quando moradores de Roraima atacam, espancam e tentam expulsar refugiados venezuelanos de nossas terras. É a vergonhosa e incontrolável desumanização num país construído e composto por gente de todas as partes do mundo. Na contramão da barbárie, temos o Repartir o Pão (Partake the Bread), aplicativo criado pelo publicitário Zé Rodrigues Júnior para ajudar o próximo. Ele incentiva doações, em todo o Brasil, de algo que temos em casa e não precisamos mais - sapatos, casacos, alimentos, instrumentos musicais, móveis -, visando a evitar desperdício. "Um dia minha sobrinha ofereceu uma colher de iogurte e disse: 'Pega, tudo é de todo o mundo'. Aquilo me encheu de esperança", lembra Zé Rodrigues. Vale a pena visitar o aplicativo. É humanismo na veia. *** Esta semana fui criticado por defender Ursal. Meus caros, a União das Repúblicas Socialistas da América Latina, terra da liberdade e do amor livre, não existe. É fake. Irônica invencionice de uma socióloga em 2001, Ursal alimentou na época uma teoria da conspiração sobre a implantação do comunismo sem fronteiras em todos os países latino-americanos. Estão faltando inteligência, estranhamento e bom humor no Brasil. Simples assim. *** Um trecho de “Ok Ok Ok”,  nova e bonita música de Gilberto Gil, explica o que o Brasil vive hoje: "Dos tantos que me preferem calado/Poucos deles falam em meu favor/A maior parte adere ao coro irado/Dos que me ferem com ódio e terror./Já para os que me querem mais ativo/Mais solidário com o sofrer do pobre/Espero que minh'alma seja nobre/O suficiente enquanto eu estiver vivo". *** Comecei a ler a Folha de S.Paulo em 1984, na campanha das Diretas Já. Nunca mais parei. Um jornal inquieto, pautado pelo apartidarismo e pela pluralidade. Só conheci Otávio Frias Filho 30 anos depois, na rara doença de minha irmã Catia, repórter da Folha. Otávio foi sempre solidário e generoso com minha família. Esta semana o Brasil perdeu um jornalista e um humanista de primeira grandeza. *** Nas páginas do caderno NÓS, na Superedição deste fim de semana, o amigo leitor poderá conhecer casos de solidariedade e altruísmo na nossa Santa Catarina. É disso que precisamos, mais humanismo e mais leveza.   Leia outras publicações de César Seabra

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Beleza 10 x 0 Bruteza

Por César Seabra

22/08/2018 - 18h07

Como é bom conversar com gente fina, bonita, elegante e sincera. Abre o coração, alimenta a alma, enriquece a mente, fortalece o fio de esperança que insiste existir em nós. É assim, por exemplo, quando se encontra o padre Vilson Groh, que trabalha com comunidades pobres da capital de Santa Catarina. Dono da frase “A beleza vence a bruteza”, ele carrega o humanismo no sangue. É assim também quando se entra em contato com Johann Sebastian Bach ou Aretha Franklin, a maior voz da história da música, que nos deixou esta semana. Ouvir Bach e Aretha é como conversar com Deus, seja ele de qualquer religião. O ex-presidente americano Barack Obama disse: “Toda vez que Aretha cantava, éramos agraciados com um vislumbre divino. Ela nos ajudou a nos sentirmos mais esperançosos e mais humanos”. O escritor, dramaturgo e jornalista Millôr Fernandes tinha uma visão mais divertida e cética do humanismo. “Sou um humanista. Isso não significa ser bonzinho ou acreditar que o homem é bonzão. Significa apenas que aceito o homem como é – medroso, primário, invejoso, incapaz, acertando por acaso e errando por vaidade: meu irmão”. O humanismo está no nosso cotidiano mais banal. Como dizia minha avó Edith, o humanismo está no respeito ao direito do outro, na generosidade de querer ajudar o outro, na vontade de olhar e perceber o outro, está em se colocar no lugar do outro. É o que o politicamente correto se chama de empatia. O humanismo está num sorriso da balconista da lanchonete. Muitas vezes está num bom dia ao vizinho da porta ao lado ou numa demonstração de afeto ao morador de rua que deseja apenas ser percebido. Assim como a música de Bach e a voz de Aretha, o humanismo é uma força da natureza. É a beleza que vence, de goleada, a brutalidade e a irracionalidade da vida.  ***  A frase do filósofo francês Montaigne também é sintomática: “A covardia é a mãe da crueldade”.  ***  E viva Ursal, a União das Repúblicas Socialistas da América Latina, terra de liberdade e amor plenos.     Leia outras publicações de César Seabra

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SC ainda melhor

Por César Seabra

11/08/2018 - 04h00

Curioso como nossas vidas ficam marcadas por fatos, músicas, livros, filmes, amores, amigos que se vão e vêm, despedidas, dores, choros, risos alegrias... Também por ciclos, Copas, Olimpíadas, eleições. Podemos contar grande parte de nossas vidas através das eleições. Onde estávamos, o que fazíamos, quem éramos, o que sonhávamos, o que somos agora... Por exemplo: em 1982, primeiras eleições diretas após a ditadura. A primeira vez que votei na vida. Ainda estudante de Jornalismo, foi também a minha primeira eleição como repórter temporário do "Jornal do Brasil" - minha função não era lá muito agradável, mas tinha peso: acompanhar a apuração numa zona eleitoral do Rio de Janeiro. Em 1989, primeira eleição presidencial depois dos governos militares. Após quase 30 anos sem eleger o chefe do Palácio do Planalto, o país se viu diante de 22 candidatos. Votar para presidente, um sonho de moleque exercido. E ainda participei da extensa e controversa cobertura jornalística trabalhando pelo jornal "O Globo". Muitos anos depois, em 2008, baita desafio profissional no exterior. Viver na cidade mais cosmopolita do mundo. Chefiar a cobertura, para a TV Globo, da eleição do primeiro e único presidente negro da história dos Estados Unidos. Mais tantos sonhos se tornando fatos. E, agora, Santa Catarina. A primeira eleição da NSC Comunicação. Vivemos tempos de raras discussões profundas e inteligentes, de notícias falsas, de denuncismo vazio. Tempos de desesperança e descrédito na vida política nacional. Sabemos e reconhecemos o fundamental papel da imprensa livre e responsável, que ajuda a fortalecer a sociedade catarinense e a fomentar o exercício da cidadania e o poder do voto consciente; que alimenta a discussão positiva de programas e ideias e o respeito aos contraditórios; que colabora com o desenvolvimento econômico e social de nosso Estado e do Brasil. O maior compromisso de todas as plataformas da NSC Comunicação é com a verdade e a democracia. Temos o compromisso com a cobrança ética e apartidária, com a formação de governantes mais responsáveis para que possamos continuar a sonhar com um país mais justo e desenvolvido. Temos o compromisso com uma Santa Catarina ainda melhor, com o nosso Estado cada vez mais civilizado, fértil e próspero.   Confira: assinantes têm acesso primeiro às entrevistas com 8 candidatos ao governo de Santa Catarina   *** Final dos anos 1960. Torcedor do Flamengo, meu pai me leva ao Maracanã. No fim da partida, um poderoso time alvinegro espanca o rubro-negro. E digo a ele: "Quero torcer para aquele time preto e branco". Desde então, sou um sofrido torcedor do Botafogo. Obrigado, meu pai. *** Do gênio Caetano Veloso, 76 anos esta semana, numa pergunta bem simples e direta: “Existirmos: a que será que se destina?”   Leia outras publicações de César Seabra

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Que país é esse?

Por César Seabra

04/08/2018 - 05h25

Quando era menino e caía doente, minha mãe costumava me levar ao Getúlio Vargas, respeitado hospital público no subúrbio do Rio de Janeiro. Eram outros tempos, mas tinha fila, muita gente e era sempre bem atendido por bons médicos e enfermeiros. Íamos sem medo. Pois esse mesmo hospital foi mostrado, esta semana, numa dramática reportagem do Jornal Nacional. Nela, a diabética Irene, de 54 anos, aparece largada numa ordinária cadeira do Getúlio Vargas. Sem assistência, Rangel, filho de Irene, filma tudo com o celular. Médicos e enfermeiros plantonistas nada fazem, mantêm-se indiferentes ao sofrimento e ao desespero da família. Enfraquecida, Irene não resiste, morre. Depois, num tocante depoimento, Rangel se mostra impotente e culpado pela morte da mãe. Perplexidade, insensibilidade, é tudo surreal. É possível imaginar quantas vezes isso acontece em todo o Brasil, em hospitais de todos os Estados. Quantas Irenes morrem da mesma forma, diariamente, sob olhares insensíveis e desumanos... Em que o Brasil está se transformando? Um país de valores éticos invertidos e menosprezados, sem educação, sem respeito a preceitos básicos da cidadania. Um país de intolerantes, imbecis e ignorantes. Um país onde se maltrata as duas pontas da vida (infância e velhice), onde é cada vez mais forte a banalização da vida e da morte, onde o humanismo e a solidariedade não têm o menor valor, onde somos cabeças de gado prontas para o abatedouro. Deus, em que este país está se transformando? *** Dentro de campo, ele tem um raro e vasto talento. Fora dele, Neymar é um ser humano cada vez menor. *** Da poetisa portuguesa Florbela Espanca: “Quero o bem a tudo, a toda gente. Ando a amar assim, perdidamente.” *** Um motel de Porto Alegre usa a escravidão como fetiche para atrair casais. Deus, onde essa idiotia vai parar? *** A turnê de Chico Buarque, “Caravanas”, entra em sua fase final seguindo por Curitiba, Porto Alegre, Brasília, João Pessoa e Fortaleza. Florianópolis ficou fora do roteiro, por não ter um espaço adequado para receber o espetáculo, de acordo com os produtores. É uma pena. Assim como é triste ver o aeroporto da capital catarinense entre os piores do Brasil. Sabemos que passa por obras. Sabemos que há a promessa de que se torne moderno e funcional em 2019. Mas, por ora, o Hercílio Luz é uma vergonha nacional. Simples assim. Leia outras publicações de César Seabra

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Viajar e viver

Por César Seabra

28/07/2018 - 19h00

Parafraseando o poeta Fernando Pessoa, viajar é preciso, viver não é preciso. Viajar é preciso para abrir os sentidos e alimentar corpo e mente. Ter o espírito livre para fazer novos amigos, descobrir novos lugares, sentir novos perfumes, provar novos sabores, perceber (e respeitar) as diferenças. Ter a alma livre para caminhar à noite pelas ladeiras de Lisboa e, sem medo, se aventurar na Pensão Amor – bonito bar cheio de gente bacana onde, 50 anos atrás, funcionava um bordel. (Cíntia, minha namorada, experimentou o drinque “Clarissa, a Pudica”; optei pelo “Carmem, a Exibicionista”.) Ou para entrar numa pequena igreja do século 12 em Óbidos, cidade vizinha, e descobrir que ela se transformou numa bela livraria. Ter o coração livre para estranhar e se encantar com o céu da capital portuguesa. Nele há uma luz diferente, um azul que nos rouba o sorriso mais quente. Andar pela capital portuguesa é sentir-se um pouco no Ribeirão da Ilha e em Santo Antônio de Lisboa. É colecionar histórias divertidas. É perderse em ruelas. É comer, beber, viver bem. É sentir-se confortavelmente em nossa própria casa. °°° Construtoras de Lisboa estão erguendo prédios com elevadores de serviço. Elas não faziam isso desde a década de 60. Fazem agora para atender desejos de endinheirados brasileiros que invadem a capital portuguesa. Valha-me Deus. °°° Motivo de piadas no Brasil, adoro a lógica perfeita das frases dos portugueses. Tudo muito bem explicadinho, para que não pairem dúvidas. É papo reto e direto, sem meias verdades. °°° Portugal festeja, em 2018, os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa. Então, fechamos com o grande poeta: “Quantos Césares fui!/Na alma, e com alguma verdade./Na imaginação, e com alguma justiça./Na inteligência, e com alguma razão./ Deus!/Quantos Césares fui!”   Leia também: Prima-chuva, a verdade

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(Hilton Maurente/NSC TV)

Dança e sonhos

Por César Seabra

21/07/2018 - 04h10

Nunca consegui entender por que gosto tanto de dança. Da infância classe média no Rio de Janeiro lembro de minha irmã Sandra, cabelos à altura da cintura, evoluindo na frente da televisão no estilo chacrete do Chacrinha. Da adolescência recordo a minha timidez para convidar uma menina para a pista e, depois, o vexame dos passos desconectados, a cintura toda dura, um deselegante robocop carioca. Mais tarde, uma namorada que idolatrava e falava sem parar das proezas do mito russo Rudolf Nureyev e da conterrânea Ana Botafogo. Ainda mais tarde, nos States, a curiosidade e a oportunidade de ver companhias como Merce Cunningham, American Ballet Theatre, O Corpo, Martha Graham, Pina Bausch. Aí a gente conhece o Festival de Dança e o Bolshoi de Joinville. Pelas ruas da cidade, alegria e encantamento jorram no inverno azulado. Nos elevadores, o encontro com crianças de olhos impregnados de sonhos e esperança. Tudo pela arte da dança. São 36 anos de festival de Joinville. Esta temporada foi aberta, quinta-feira, pela Cia. Brasileira de Ballet, com “O Lago dos Cisnes” e aquela grandiosidade e dramaticidade da música de Tchaikovsky. A cada movimento mais complexo dos bailarinos, aplausos e gritos rasgados quebrando a liturgia politicamente correta de outras plateias do mundo. Um espetáculo. Mas voltemos àquela questão lá em cima: por que será que gosto tanto de dança? O dramaturgo irlandês George Bernard Shaw pode ter a resposta: “A dança é uma tentativa muito rude de penetrar no ritmo da vida”. Ah, enfim está explicado. *** Neste sábado, às 14h, a NSC TV apresenta “Um Sonho na Nossa Santa Catarina”. O programa mostra a dedicação de famílias carentes, de todo o Brasil, para ver os filhos brilharem no Bolshoi. O tempo todo o humanismo está presente em histórias tão lindas. Conversei com o pai de Lorena, uma das personagens do programa. Ele me contou tudo o que fez e faz por ela. Lembrei de meu piano imaginário, desenhado por minha mãe sobre uma velha mesa, para que eu não ficasse um minuto sequer sem ensaiar em casa. Choramos abraçados, o pai de Lorena e eu.  “Um Sonho na Nossa Santa Catarina” é realmente imperdível.   Leia outras publicações de César Seabra

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AFP

Pitacos do Kaiser: Copa, até 2022!

Por César Seabra

15/07/2018 - 14h02

Acabou a nossa primeira Copa do Mundo, a primeira Copa da NSC Comunicação. Já estamos com saudade e pensando no Catar 2022. (Mas antes temos Olimpíadas de Tóquio, em 2020.) Sobre a Copa, não foi a mais técnica da história. Os craques foram embora cedo. Grandes seleções foram eliminadas cedo. Teve o VAR. Teve Neymar, a Piada Mundial. Teve o meu amigo Canarinho Pistola. Teve uma baita final. Teve o bravo timaço croata. E tem a habilidosa bicampeã França. Allez les Bleus! Sentiremos saudade da Copa. A vida segue. Vamos em frente. Muito obrigado a todos por acompanhar o time da NSC nessa linda aventura na Rússia, em todas as nossas plataformas. Ah, segue o definitivo Kaiser Team da Copa-18, no esquema 2-5-3: Courtois, Varane e Lovren; Kanté, Pogba, Rakitic, Modric e De Bruyne; Griezmann, Mbappé e Hazard. Confira outras publicações de César Seabra Leia todas as notícias da Copa do Mundo 2018

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