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    Acordo promete regularizar e recuperar área onde moram 1,5 mil pessoas em Balneário Camboriú

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    Por Dagmara Spautz
    28/09/2020 - 11h52 - Atualizada em: 28/09/2020 - 14h36
    Operação na Vila Fortaleza
    Operação na Vila Fortaleza (Foto: Ricardo de Oliveira, Arquivo, Divulgação)

    Cerca de 1,5 mil moradores da Vila Fortaleza, em Balneário Camboriú, aguardam para esta segunda-feira (28) a solução definitiva sobre a situação da área, considerada o maior problema social e ambiental do município. Um ano de discussão com a associação de moraodores e o proprietário dos terrenos resultou no primeiro acordo de reurbanização urbana (Reurb) com essas dimensões já feito em Santa Catarina. A negociação aguarda a assinatura do prefeito Fabricio Oliveira.

    > Tribunal suspende desocupação da Vila Fortaleza em Balneário Camboriú

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    O acordo começou a ser desenhado depois que, em 2018, a Justiça determinou a desocupação da área, que tem mais de 300 famílias. O município foi condenado a realocar os moradores e a pagar aluguel social temporariamente.

    Desde então, articulação entre o advogado Rafael Pierozan, que representa a associação de moradores, e o promotor Isaac Sabbah Guimarães, da 5ª Promotoria de Justiça de Balneário Camboriú, busca uma solução alternativa. A escolha foi pelo Reurb, um dispositivo previsto em lei nacional desde 2017, que permite a reurbanização de áreas urbanas consolidadas. É o caso da Vila Fortaleza, que começou como uma pequena invasão, no Bairro da Barra, e as construções clandestinas multiplicaram a ponto de tornarem inviável a remoção das famílias.

    - Não é um problema apenas ambiental. Não há esgoto, há barracos em zona de riso, uma situação bem delicada. Não posso ser um burocrata e dizer para apenas reapropriar a área – avalia o promotor.

    O acordo, inédito nessas proporções, prevê que as áreas degradadas sejam recuperadas. Casas que estão na morraria, em área de risco, serão realocadas para novas quadras que serão abertas nos terrenos ocupados. Essa reorganização ficará a cargo da Associação de Moradores.

    Ao município caberá enviar um projeto de lei à Câmara de Vereadores, que autorize a transferência de potencial construtivo dos terrenos para que o proprietário utilize em outra área da cidade.

    Os moradores já assinaram o acordo. A prefeitura, no entanto, adiou duas vezes a assinatura do TAC. A primeira reunião para selar a negociação ocorreu no dia 16 deste mês - o prefeito esteve no fórum para tratar de outros assuntos, e não compareceu. A procuradoria do município informou que a assinatura ocorreria no dia seguinte, mas, novamente, não enviou representante.

    Na última sexta-feira (25), a 5ª Promotoria notificou o prefeito para que assine o TAC nesta segunda à tarde. A prefeitura informou que a presença do prefeito está confirmada.

    - Se o município não comparecer, entenderei que se recusa a firmar o acordo e pedirei para o Tribunal de Justiça tratar do caso – explicou o promotor.

    Ele entende que a judicialização poderá levar, novamente, a uma ordem de reintegração de posse e à obrigatoriedade da prefeitura de realocar as cerca de 1,5 mil pessoas que hoje vivem na Vila Fortaleza. O promotor diz que, nesse caso, deve encaminhar o caso à 9ª Promotoria, que trata da moralidade administrativa, por entender que se trata de um ato de improbidade.

    A expectativa do promotor é de que o acordo possa servir como modelo para resolver o problema de outras áreas, que também foram alvo de ocupação irregular com reflexo ambiental.

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