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    Tratamento precoce

    Aplicativo do Ministério da Saúde receita tratamento precoce com cloroquina até para bebês

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    Por Dagmara Spautz
    20/01/2021 - 12h34 - Atualizada em: 20/01/2021 - 23h06
    Aplicativo TrateCov, do Ministério da Saúde
    Aplicativo TrateCov, do Ministério da Saúde (Foto: Reprodução)

    Lançada em Manaus (AM) pelo ministro Eduardo Pazuello, no dia 13 de janeiro, a plataforma TrateCov, do Ministério da Saúde, receita ‘tratamento precoce’ com cloroquina, ivermectina e antibióticos para qualquer paciente que relatar sintomas semelhantes aos do coronavírus. O que inclui sinais tão triviais como dor de cabeça e diarreia - e independe da idade.

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    A descoberta foi feita por jornalistas que usaram a plataforma para simular a ‘consulta’ por diferentes perfis de pacientes. O aplicativo ‘receitou’ o kit-Covid até mesmo para bebês recém-nascidos. O TrateCov, que está inserido na plataforma Redcap do Ministério da Saúde, ficou instável nesta quarta-feira (20).

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    O TrateCov foi anunciado pelo ministro Pazuello como uma ferramenta para agilizar o atendimento de pacientes. Embora a prescrição só possa ser feita oficialmente pelo médico, o modelo permite que qualquer cidadão faça uma autoconsulta, em que relata os sintomas e recebe uma receita prévia – que, invariavelmente, recomenda o ‘tratamento precoce’.

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    Isso ocorre porque a programação da plataforma foi feita para repetir o receituário. As simulações mostraram que a recomendação foi a mesma para 'pacientes' com vários tipos de queixas, de fadiga a dor de cabeça, de diarreia a dor na nuca. 

    De acordo com os testes feitos, o que muda, basicamente, é a quantidade de medicamentos receitada de acordo com o peso de quem simula a receita. Médicos ouvidos pela coluna alertam para o risco de que esse tipo de medida provoque uma corrida por remédios desnecessários, que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19, e ainda podem piorar o estado de saúde dos pacientes. É o caso da cloroquina, por exemplo, que pode agravar quadros de arritmia cardíaca.

    Especialistas também apontaram que o aplicativo do Ministério da Saúde aumenta a pressão de uma parte dos pacientes para que recebem a prescrição dos remédios:

    - A pessoa não pode ir à farmácia e comprar o medicamento, mas o aplicativo induz a pedir a receita ao médico, exigindo inclusive as dosagens. Isso leva a uma pressão sobre o profissional e estimula a automedicação, que é algo que estamos combatendo há tanto tempo no Brasil – diz Ronaldo Zonta, membro da Associação Catarinense de Medicina da Família. 

    Tratamento precoce

    O 'tratamento precoce' receitado pelo aplicativo entrou no centro da polêmica depois que foi recomendado e incentivado pelo governo federal como solução para a explosão de casos de Covid-19 em Manaus. Uma equipe de médicos chegou a fazer peregrinação em postos de saúde para estimular o uso do protocolo.

    Dias depois, pessoas morreram no Amazonas por falta de suprimento de oxigênio, fundamental para o suporte de vida de pacientes graves. O governo optou por priorizar o tratamento com remédios, ao invés da logística de insumos. 

    Diante da repercussão, o ministro passou a dizer que não incentivou o tratamento precoce - mas foi desmentido pelo registro de suas próprias afirmações anteriores. Vale ressaltar que o protocolo com cloroquina, ivermectina e outros medicamentos não tem respaldo científico.

    O Ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre o aplicativo, e por que ele está com instabilidade.

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