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    Opinião

    Caso Robinho mostra que o Brasil naturaliza o estupro

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    Por Dagmara Spautz
    18/10/2020 - 19h13
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    Robinho e Santos anunciaram a suspensão do contrato na última sexta-feira (Foto: Ricardo Nogueira, Folhapress, Arquivo)

    Foi necessária a exposição de detalhes da condenação de Robinho na imprensa e a consequente pressão dos patrocinadores para que o Santos, enfim, decidisse suspender a contratação. Como bem lembrou o comentarista Walter Casagrande, na SporTV, foi o final possível para uma negociação que sequer deveria ter começado.

    Não se relativiza estupro. É vergonhoso e simbólico que um clube da primeira divisão coloque em posição de ídolo um homem que foi condenado pelo crime em primeira instância, ainda que o caso esteja em fase de recurso.

    Não se trata de um trabalho comum, mas de um espaço privilegiado de visibilidade. Diferente de qualquer trabalhador, o atleta está em posição de herói potencial, de modelo e exemplo.

    > Santos anuncia o retorno do atacante Robinho

    Admitir que Robinho pudesse ocupar esse espaço mostra o quanto o Brasil naturaliza a violência contra a mulher - e o quanto ainda precisamos avançar enquanto sociedade.

    A transcrição das conversas do jogador com outros acusados, que consta no processo na Itália, é repugnante. A maneira como ele se referiu ao caso no Brasil, se dizendo 'perseguido' pela imprensa que o expôs e culpando o feminismo, é igualmente infame.

    O episódio é o retrato da cultura do estupro, que tem exposto mulheres a séculos de subjugação. No âmago desse relativismo perverso estão a culpabilização da vítima e a objetificação da mulher, como alguém que está disponível para saciar impulsos. Um ser desprovido de dignidade, de humanidade.

    Não há talento em campo que supere um estupro.

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