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    Dados errados, recuo nos números, compra suspeita – e o governo em silêncio

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    Por Dagmara Spautz
    02/05/2020 - 08h46 - Atualizada em: 02/05/2020 - 09h03
    Respiradores são uma das crise com que o governo tem que lidar (Foto: Freepik)
    Respiradores são uma das crise com que o governo tem que lidar (Foto: Freepik)

    A divulgação de um número menor de casos confirmados de coronavírus na sexta-feira (1º), em comparação com o dia anterior – uma diferença de 290 – é um retrato da confusão em que se meteu o governo de Santa Catarina em meio à pandemia do novo coronavírus.

    Em duas semanas, houve recuo no modelo de contratação do hospital de campanha, denúncias sobre uma compra suspeita de 200 respiradores que ninguém sabe se chegarão, um secretário de Saúde que pediu demissão, e números inconsistentes. Há muitas perguntas a serem respondidas. Mas o governo avisou que, numa mudança repentina de postura, emitirá apenas boletins neste fim de semana. Entrevista coletiva, só na segunda-feira.

    A explicação do governo para a diferença nos números, publicada em nota, é que houve registro duplicado de casos no momento em que foi feita a inclusão de outras bases de dados, como as dos testes rápidos feitos nos municípios. A “limpeza” mostrou que, mais uma vez, as estatísticas do Estado estão muito diferentes dos números que divulgam os municípios.

    Os dados de Santa Catarina também estão desatualizados nos boletins diários do Ministério da Saúde. Todos os dias, o relatório de casos e mortes divulgados pelo governo federal traz os números catarinenses do dia anterior, o que indica uma demora no envio de dados para Brasília. O boletim nacional sai por volta das 17h, mais cedo que o estadual.

    Não por acaso, Santa Catarina ainda patina no ranking semanal de transparência na divulgação de informações sobre o novo coronavírus publicado pela Open Knowledge Brasil. A organização avalia o que é divulgado por cada estado.

    SC já esteve entre os piores do país, em nível “opaco” de transparência. Agora, está em nível médio. Na semana que passou, o Estado perdeu sete pontos no ranking porque deixou de publicar, em releases, detalhes sobre os óbitos – como doenças preexistentes.

    A organização avalia que, em meio à pandemia, em que a tomada de decisões precisa estar muito bem fundamentada, os estados devem procurar manter nível alto de transparência - hoje, estão nesse nível apenas Rondônia, Pernambuco, Ceará, Espírito Santo Minas Gerais, Goiás, Amapá, Paraíba e Distrito Federal.

    O Espírito Santo, que é considerado exemplo nesse quesito, divulga para cada caso de coronavírus confirmado a data de registro, evolução (se o paciente está ou não curado), se passou por teste, a cidade onde mora, faixa etária, sexo, raça, sintomas que teve, comorbidades, se ficou internado ou não, e se viajou dentro ou fora do país. O estado tem 2,9 mil casos de covid-19.

    Transparência precisa ser um mantra para o novo secretário (a) de Saúde de Santa Catarina, que se espera que seja anunciado ainda no fim de semana. Uma meta a ser perseguida na divulgação das informações sobre a pandemia, na relação com os municípios, nas políticas públicas e nas compras. Dar satisfações também é dever dos governantes.

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