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    Opinião

    Demissão do secretário de Saúde deixa vácuo no combate à pandemia em SC

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    Por Dagmara Spautz
    01/05/2020 - 08h08 - Atualizada em: 01/05/2020 - 08h14
    Ex-secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino (foto: Maurício Vieira, Secom)
    Ex-secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino (foto: Maurício Vieira, Secom)

    A decisão do secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, de deixar o cargo em meio às suspeitas que envolvem a compra de respiradores por R$ 33 milhões, denunciadas pelo site The Intercept Brasil, provoca um vácuo no governo em meio à pandemia. Ao lado do governador Carlos Moisés, Zeferino foi a “cara” do governo nas ações de combate ao novo coronavírus.

    Ao longo das últimas semanas, desde que a covid-19 se tornou uma ameaça em SC, o governo concentrou os anúncios no secretário de Estado da Saúde. Poderia ter trazido ao debate quadros técnicos da secretaria, por exemplo. Mas não o fez.

    Cobrado pelo Ministério Público para que formasse um grupo de especialistas, com epidemiologistas e infectologistas, para ajudar a embasar as decisões, o governo optou pelo personalismo. Se tem esse apoio de retaguarda, não trouxe a público.

    O resultado é que, diante do escândalo de uma compra mal explicada, e da decisão do secretário de pedir exoneração, a Saúde fica sem “cara” em Santa Catarina. E isso ocorre no meio do maior desafio sanitário que o Estado enfrenta na história recente.

    A expectativa é que o novo secretário seja anunciado em breve. Mas, ainda que esteja dentro dos quadros atuais da secretaria, o modelo de gestão da pandemia pelo governo de SC trará a sensação de ruptura.

    Em um paralelo com o governo federal, o Estado repete o impasse ocorrido no Ministério da Saúde com a troca de comando em meio à crise – ainda que por motivos diversos. Em Brasília, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, ainda patina nos números e repetiu, nas últimas semanas, que estava se atualizando sobre a situação enquanto os números de casos e mortes não pararam de subir.

    Independentemente dos motivos, as trocas, no atual cenário, são sempre perigosas e não ocorrem sem algum desgaste. O episódio impõe um duplo erro do governo: a compra mal feita, e a escolha de personalizar o combate à pandemia. Terá que enfrentar uma crise dentro da outra.

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