Uma organização criminosa com base em Santa Catarina e ramificação em outros estados do Brasil, com participação de empresários e agentes públicos, estaria por trás da estrutura, do incentivo e do financiamento dos bloqueios ilegais das estradas. A conclusão é das investigações que são acompanhadas pelo Ministério Público em Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo, e foi repassada ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes.

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Nesta terça-feira (8), o procurador-geral de Justiça de SC, Fernando Comin, participou de uma reunião em Brasília a convite de Moraes, acompanhado de representantes do Ministério Público de São Paulo e do Espírito Santo. O ministro chamou os procuradores para conversar no âmbito da ação que apura responsabilidades pelos atos antidemocráticos que se espalharam pelo país após as eleições. A investigação inclui a identificação de lideranças e a responsabilização de autoridades que tenham deixado de cumprir suas funções para restabelecer a ordem.

Comin entregou ao TSE o relatório das apurações conjuntas feitas pelo Gaeco, Polícia Militar de Santa Catarina e Polícia Rodoviária Federal (PRF). O documento aponta que empresários de SC estão por trás da estrutura de alimentação, logística, banheiros químicos, entre outras facilidades que possibilitam os bloqueios ilegais das estradas. Em outros estados, o grupo inclui também políticos com mandato.
Um dos pontos de discussão com o ministro Alexandre de Moraes foi a “subida de tom” dos manifestantes, que na segunda-feira agrediram agentes da PRF em Rio do Sul.

— O direito à manifestação é garantido por lei, mas, quando há pessoas reagindo à abordagem policial com violência, e colocando crianças e idosos como escudo, ultrapassam-se os limites — afirmou Comin.

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A identificação dos responsáveis pelo financiamento dos bloqueios é considerada um passo fundamental para a responsabilização de quem está por trás da estrutura das manifestações. Até agora, nenhum líder foi preso.

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