A primeira análise de baneabilidade feita pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) após a abertura da temporada de verão em Balneário Camboriú, no último fim de semana, trouxe um sinal de alerta: os dados divulgados nesta sexta-feira (8) mostram que todos os 10 pontos de coleta da Praia Central tiveram resultado impróprio para banho na Praia Central, a mais badalada de Santa Catarina.
As amostras foram coletadas pelo IMA na segunda-feira, 4 de dezembro, na sequência de um fim de semana de sol, calor, e praias lotadas em todo o Litoral catarinense.

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Os pontos mais críticos estão na altura da Rua 2000 e da Rua 2500, onde as amostras registraram 14.136 bactérias escherichia coli a cada 100 ml. São 17 vezes mais que o limite que serve como “ponto de inflexão” para considerar um local impróprio na análise de balneabilidade, que é de 800 bactérias escherichia coli para 100 ml.

Funciona assim: o ponto é considerado próprio quando, em pelo menos 80% das últimas cinco análises, obteve valores abaixo de 800. E é considerado impróprio quando, em mais de 20% das análises, o local apontar mais de 800 escherichia coli por 100 ml. Ou quando, na última coleta, o número de bactérias for superior a 2000.

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O resultado não é inédito, mas surpreende. Balneário Camboriú é a cidade de Santa Catarina que tem a maior cobertura de rede de esgoto. Cerca de 98% do município tem coleta, um número muito superior à média do Estado, que é de 38%.

Segundo informações da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), órgão da prefeitura que é responsável pelo sistema de esgoto, a balneabilidade da Praia Central é afetada por três fatores. Um deles é a chuva, que carrega para o mar o esgoto proveniente de ligações irregulares na rede pluvial e “lava” a bacia hidrográfica, revolvendo o lodo. O segundo ponto é a falta de saneamento básico na vizinha Camboriú. Sem rede de coleta, o esgoto vai parar no Rio Camboriú, que deságua na Barra Sul.

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O terceiro fator é a eficiência reduzida do sistema de tratamento em Balneário, reconhecida pela própria Emasa. O problema ocorre na lagoa de aeração, considerada o “pulmão” do sistema, onde ocorre boa parte do processo de tratamento.

Embora todo o esgoto coletado em Balneário Camboriú seja tratado, a eficiência atualmente é de em média 60%, com picos para baixo e para cima. Sem a disponibilidade da lagoa de aeração, o esgoto in natura passa pela filtragem e vai direto para os decantadores, antes de seguir para o tratamento químico. Se a lagoa estiver em plena operação, a estimativa é que a eficiência média subiria para mais de 90%.

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Obra refeita

A lagoa já vinha com eficiência reduzida quando a Emasa identificou que o problema estava na manta que reveste a estrutura. O reparo foi contratado pelo município, a lagoa foi esvaziada e o lodo, que se acumulava no fundo, retirado para receber uma nova manta.

A lagoa “reformada” deveria ter entrado 100% em operação em novembro de 2022, mas isso não ocorreu. A obra foi considerada mal feita e os problemas continuaram. A empresa contratada é alvo de processo de responsabilização pelo município.

Ao longo deste ano, foram feitos investimentos em equipamentos enquanto a Emasa aguardava uma nova licença ambiental do IMA para mexer na lagoa. O licenciamento saiu em novembro, com a determinação de que a obra fosse feita o mais rápido possível. Diante disso, foi contratado um novo reparo, de forma emergencial, por R$ 4 milhões.

As obras começaram no dia 23 de novembro, e a expectativa é que a lagoa seja concluída até o final deste mês. Paralelo a isso, um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de Santa Catarina determina que Balneário construa uma nova estação de tratamento, com utilização de tanques.

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Essa nova estação está em fase de projeto. Segundo a Emasa, os tanques terão capacidade, no futuro, para tratar tanto o esgoto de Balneário quanto o de Camboriú.

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