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    Crise dos respiradores

    Queda de Douglas Borba dá a Moisés chance de governar com as próprias pernas

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    09/05/2020 - 17h30 - Atualizada em: 11/05/2020 - 08h20
    Governador Carlos Moisés (foto: Tiago Ghizoni)
    Governador Carlos Moisés (foto: Tiago Ghizoni)

    As suspeitas de fraude na compra de 200 respiradores por R$ 30 milhões em Santa Catarina, com um canhestro pagamento adiantado, têm custado ao governador Carlos Moisés (PSL) mais do que um desgaste popular sem precedentes. Obrigam um governo inexperiente e desarticulado a trocar suas peças-chave de uma hora para a outra, com consequências imprevisíveis, em um momento absolutamente crítico.

    A bola da vez é o secretário de Estado da Casa Civil, Douglas Borba. Ouvido pelo Gaeco na manhã deste sábado, em meio à operação que investiga o sumiço dos respiradores, tornou-se uma pedra no sapato do governador. Neste domingo, os rumores de seu desembarque do governo foram confirmados.

    Mantê-lo no cargo, neste momento em que as investigações seguem em andamento e os ânimos exaltados, seria suicídio político. Exonerá-lo, no entanto, é um teste de fogo para Moisés.

    Ao longo do primeiro ano e meio de mandato, o governador entregou a Borba o braço político do governo. E o poder do secretário aumentou ainda mais com a reforma administrativa, ao ponto da Casa Civil ganhar status de supersecretaria.

    Se antes Douglas respondia pelo gabinete da Chefia do Executivo e da Casa Militar, após a reforma seu guarda-chuva passou a abrigar nove estruturas diferentes, da Comunicação aos Assuntos Internacionais. Um poderoso emaranhado burocrático. Cogitou-se, na época, incluir outras pastas como Defesa Civil, Santur e até o Detran na Casa Civil.

    A saída de Douglas, empurrado para fora em meio ao escândalo, poderá trazer ao governo a chance de descentralizar as decisões e tornar o fluxo menos engessado. Mas não há dúvidas de que, sem uma de suas figuras de maior poder e articulação política, o governo será outro.

    O estilo de Moisés é reativo, não ativo. Um modo de governar que ficou evidente na decisão de esticar a permanência de secretários investigados até o limite.

    Na sexta-feira (9), a fala do governador aos empresários do Lide, grupo de empresários organizado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), entregou a maneira como Moisés enxerga a situação que enfrenta no Estado. Mesmo com figuras proeminentes do governo citadas na investigação dos respiradores, o governador justificou a compra errada como “desespero” e ameaçou a liberdade de imprensa ao sugerir a empresários que deixem de anunciar em veículos que denunciaram o escândalo. Perseguido pela crise, com as flechas na mão, o governador ainda não entendeu qual é o alvo.

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