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    Análise

    Vídeo mostra Brasil governado pela barbárie, mas é combustível para os bolsonaristas

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    Por Dagmara Spautz
    22/05/2020 - 19h25 - Atualizada em: 22/05/2020 - 19h37
    Reunião ministerial de Bolsonaro (foto: Reprodução)
    Reunião ministerial de Bolsonaro (foto: Reprodução)

    O aspecto mais revelador a respeito do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, liberada pelo ministro Celso de Mello esta tarde, está no que ele não diz. A diferença entre a postura corporal de ministros alinhados a Bolsonaro até as entranhas, e o aparente mal-estar dos que ainda tinham um pé na civilidade, chega a ser palpável. No mais, é um tratado sobre a barbárie que hoje governa o Brasil.

    Não há surpresas na falta de compostura e nem no tom antidemocrático e incivilizado do presidente da República e de seus companheiros.

    Mas é curioso que os generais estejam tão à vontade ao ouvi-lo admitir o desejo de que a população pegue em armas para “dar um recado” a governadores e prefeitos que estabeleceram regras de isolamento social. Ou insistir em lembrar o artigo 142 da Constituição Federal, que permite convocar as Forças Armadas para retomar a ordem pública.

    Ou ainda que ninguém estranhe, aparentemente, a proposta indecente do ministro do Meio Ambiente, de passar a patrola nas normas ambientais e de proteção ao patrimônio histórico brasileiro enquanto a imprensa mantém as atenções voltadas ao novo coronavírus. Marcelo Salles fala em "baciada de simplificação" de regras e em oportunidade para "passar a boiada".

    Moro, de tão encolhido, quase desaparece. Assim como Teich, visivelmente deslocado.

    Bolsonaro, de fato, fala em trocar a “segurança” no Rio de Janeiro e admite que vai interferir nos ministérios. Mas o assunto é quase eclipsado por afirmações do presidente como a de que “mais importante que a vida é a liberdade”. Em meio a uma pandemia.

    Naquele momento, o país tinha 46 mil casos confirmados e quase 3 mil mortos. O encontro, que debateria o plano de recuperação, descamba para delírios autoritários de ministros como Damares Alves, que fala em prender prefeitos e governadores por medidas de isolamento social, e Abraham Weintraub, que quer mandar prender os ministros do STF.

    A propósito, Bolsonaro cita mais de uma vez o ministro da Educação em comparações. Dois lados da mesma moeda, da qual o presidente acredita ser a face mais polida e lustrosa.

    O vídeo comprova que o Brasil vive uma tragédia institucional, cooptado por um governo tosco, sem compromisso com princípios básicos da democracia. E que isso não é segredo para quem está entranhado no poder.

    Nem para quem o apoia.

    Por isso a divulgação, que à primeira vista pode parecer um duro golpe em Bolsonaro, também serve como combustível para os bolsonaristas. Os seguidores fiéis do presidente sabem como ele pensa. Assistirão a duas horas de propaganda sem filtros, com defesa de uma visão enviesada de poder e de país.

    As instituições precisam agir, para juntar os cacos do que restou do Brasil. Caso contrário, Moro, ao pedir a divulgação do vídeo, poderá ter feito um favor a Bolsonaro.

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