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Fim de ciclo

A aposentadoria da gigantesca Marion, símbolo da mineração no Sul de SC

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Por Denis Luciano
14/07/2021 - 09h44
Marion operando antigamente em Siderópolis
Marion operando antigamente em Siderópolis (Foto: Adriano Gomes / Portal Siderópolis / Divulgação)

Gigante e assustadora. Possante e imponente. Mas também destruidora. A passagem de 33 anos da mega escavadeira Marion por Siderópolis, no Sul de Santa Catarina, deixou marcas que insistem em não cicatrizar. Há memórias saudosistas, até positivas daqueles que admiram o operar de uma máquina tão grandiosa. Mas há o passivo ambiental, resultante de tempos em que minerar carvão passava à margem das regras hoje tão apuradas.

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A Marion 7800 fabricada em Ohio, nos Estados Unidos, veio para o Sul do Brasil por encomenda da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que precisava acelerar a exploração de carvão visando a plena operação das unidades de produção de aço e ferro em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Nesse sentido, deu certo. 

A Marion chegou em 1958, ano em que Siderópolis emancipou-se de Urussanga
A Marion chegou em 1958, ano em que Siderópolis emancipou-se de Urussanga
(Foto: )

O carvão estava na superfície em Siderópolis, e a Marion, que operou na cidade de 1958 a 1991, não titubeou em, por anos a fio, escavar e escavar.

Até que, em 1991, com a saída de cena da CSN, a Marion mudou de mãos. Foi vendida por 2 milhões de dólares para a Petrobrás, que a desmontou e a transportou para São Mateus do Sul, no Paraná. Lá, ela começou a atuar na extração de xisto. Sua aposentadoria foi anunciada há poucos dias. Agora, ela é apenas uma peça de museu. Museu ao ar livre, claro, por conta da sua dimensão. Ficará como objeto de exposição.

No vídeo abaixo, um dos últimos operadores da Marion narra os últimos momentos da Marion no Paraná:

Saga da Marion virou filme

Recentemente, um grupo de cineastas e amantes da arte, que se reúnem no Polo de Cinema de Criciúma, resgataram a história da Marion. Foram até Siderópolis, passaram por São Mateus do Sul, uniram os pontos e criaram o enredo que deu à luz ao curta-metragem "Marion, galos e passarinhos", cujo pré-lançamento já se deu no canal do grupo no YouTube. 

O filme foi custeado pela Lei Aldir Blanc, e contou com a direção do cinéfilo criciumense Sander Hahn.

Nove meses para desmontar

A aposentadoria da máquina tira de cena uma gigante de 6,4 mil toneladas, com capacidade de 145 toneladas de carga, 23m³ de caçamba de 70 metros de lança, que é a sua plataforma para içar e carregar a terra revirada. A Marion é tão grande que, quando da sua venda da CSN para a Petrobrás, foram necessários nove meses para o desmonte, de outubro de 1991 a junho de 1992, e 112 carretas transportaram a estrutura do sul de Santa Catarina até o Paraná, conforme conta o historiador Nilso Dassi, profundo conhecedor da história da região carbonífera.

Os engajados na causa ambiental não guardam saudades da Marion. Pelo contrário, evocam o seu uso como a razão de um ainda grande passivo ambiental. Lembram que, na época da venda da escavadeira, a luta foi para que a Petrobrás arcasse com a recuperação das terras escavadas, enquanto a Marion não saísse de Siderópolis. Não deu certo. Entre os testemunhos, o do professor Gerson Philomena, que conta que "a Marion extraia tudo o que via pela frente". O resultado: paisagens lunares no interior de Siderópolis, com crateras que se tornaram lagos de água contaminada e com coloração diversificada. 

O terreno revirado pela Marion no olhar do curta-metragem recém produzido
O terreno revirado pela Marion no olhar do curta-metragem recém produzido
(Foto: )

Muitas dessas extensões passaram por investimentos posteriores de recuperação, por parte das mineradoras que sucederam as atividades da CSN na região, e hoje a mineração envolve processos bem distintos. O maquinário tem cada vez menos operação humana e o passivo precisa ser administrado ao mesmo tempo em que o terreno é minerado.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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