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Qualidade de vida

Os amantes dos pedais em busca de espaço nas estradas do Sul catarinense

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Por Denis Luciano
18/07/2021 - 10h00 - Atualizada em: 18/07/2021 - 10h04
Ciclistas na Via Rápida entre Criciúma e a BR-101
Ciclistas na Via Rápida entre Criciúma e a BR-101 (Foto: Eduardo Schaucoski / Divulgação)

As redes sociais ajudam. Os dispositivos tecnológicos também. Por esses meios, os grupos se formam e a prática do ciclismo cresce e muito. Mas as cidades e estradas ainda não acompanham. As estruturas viárias urbanas seguem carentes para quem pedala. É o caso de Criciúma.

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Tanto que, para pedalar, os vários praticantes, seja os membros de clubes, seja os que isoladamente recorrem às bikes para se deslocar, buscam a mais recente rodovia que a cidade ganhou: a Via Rápida, acesso à BR-101 inaugurado no fim de 2017.

- Por fim de semana passam uns 400 ciclistas por aqui - conta o também amante dos pedais Eduardo Schaucoski, que sempre que pode se mistura aos grupos e os fotografa, unindo as paixões dos cliques e dos pedais. Mas é consenso que Criciúma e a região ainda carecem de melhores e mais amplos espaços para as pedaladas. 

- Temos estradas boas aqui pelo interior, em Nova Veneza, Siderópolis por exemplo. Mas a gente nota que muitas dessas estradas ainda são feitas sem o espaço para pedalar, sem uma ciclofaixa - adverte o ciclista. - Ou ao menos um acostamento já serve. Isso cria dificuldades não só para quem pedala, mas também para as máquinas agrícolas, que precisam transitar por essas estradas, e para pedestres, crianças, cadeirantes, os carroceiros que usam tração animal - complementa.

No caso da Via Rápida, a recente novidade, de um projeto de expansão da rodovia a partir da BR-101 até o Balneário Rincão, atiça os grupos de pedais da região. É que, já nas condições atuais, esse é um dos destinos mais frequentes, mas por estradas que ainda carecem de melhores condições. - Esperamos que o projeto contemple acostamento e ciclofaixa - pondera Schaucoski. 

A nova rodovia ainda está em fase de estudos. Recentemente, o governador Carlos Moisés determinou a contratação, com recursos do Estado, do projeto técnico. A estimativa é de investimentos de R$ 40 milhões no trecho de 6,5 quilômetros, ainda sem previsão do início das obras. Mas, pelo que consta, haverá sim atenção aos ciclistas.

Nos finais de semana são comuns os grupos pedalando na Via Rápida
Nos finais de semana são comuns os grupos pedalando na Via Rápida
(Foto: )

- Ainda temos esse problema nas rodovias estaduais também. A Via Rápida é uma exceção aqui, já que conta com bons acostamentos e uma ciclofaixa em parte da sua extensão também. É um espaço adequado para quem pedala - elogia Schaucoski. Ele lembra que a BR-101 também vem sendo bastante utilizada. - Ela tem um bom acostamento, são comuns os grupos que saem de Criciúma e pedalam pela BR até Tubarão, Laguna, até Florianópolis - constata.

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Ele lembra que o adequado é que os acostamentos das rodovias municipais e estaduais, onde estão os maiores problemas, respeitem um espaço de ao menos 1m50cm para quem pedala e quem precisa estacionar. - Por isso que estradas de fluxo mais pesado, como a Via Rápida e a BR-101, são mais seguras para nós - pondera o ciclista. Ele conta que na Via Rápida os ciclistas são percebidos, em grupos ou individualmente, pedalando a partir das 6h e alguns até depois das 23h.

Acostamento da Via Rápida no limite de Criciúma com Içara é bastante usado pelas bikes
Acostamento da Via Rápida no limite de Criciúma com Içara é bastante usado pelas bikes
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A prática do ciclismo vem fazendo aumentar, também, o número de triatletas na região. - Sim, a pessoa já corre e nada, e coloca o pedal na sua rotina, assim o número de triatletas está aumentando bastante por aqui. E tudo isso é qualidade de vida da população que está aumentando - observa Schaucoski.

Ciclistas do Sul gostam, também, de utilizar o acostamento da BR-101
Ciclistas do Sul gostam, também, de utilizar o acostamento da BR-101
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A falta de ciclofaixas em Criciúma

Criciúma tem um problema crônico envolvendo sua principal via: a Avenida Centenário. - Muita gente que é de fora, vem pedalando e chega em Criciúma, usa o corredor dos ônibus para as pedaladas, já que as calçadas não são adequadas para bikes ali - conta o ciclista. A prefeitura de Criciúma vem trabalhando em alguns projetos para tentar dotar a Centenário de uma ciclofaixa, mas encontra dificuldades, já que a via tem três pistas em cada sentido, duas para o trânsito geral e uma exclusiva para o transporte coletivo e de viaturas. O canteiro, por abrigar plataformas de embarque e desembarque de passageiros nos ônibus, não oferece um espaço linear para as bicicletas, o que torna mais complexo o desafio de prever uma malha cicloviária na principal avenida da cidade.

Rodovia Jorge Lacerda, no acesso Sul a Criciúma, está em obras e ganhará ciclofaixa
Rodovia Jorge Lacerda, no acesso Sul a Criciúma, está em obras e ganhará ciclofaixa
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Nos últimos anos estão sendo registrados casos de óbitos de ciclistas em vias públicas de Criciúma. O mais emblemático, que gerou protestos na cidade, foi o de um jovem de 13 anos que se desequilibrou na calçada da Avenida Centenário, caiu na pista dos ônibus e foi atropelado, falecendo no local.

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Boa notícia para quem pedala

A Rodovia Luiz Rosso, acesso Centro da BR-101 a Criciúma, está passando por uma revitalização e ganhará uma ciclofaixa em toda a sua extensão, de 12 quilômetros. O município anuncia, também, investimentos em ciclofaixas na Rodovia Alexandre Beloli e no futuro binário da Avenida Santos Dumont, que está em obras. Com isso, Criciúma planeja oferecer mais 19,5 quilômetros de ciclofaixas. 

Em obras, Rodovia Luiz Rosso ganha espaço para ciclofaixa
Em obras, Rodovia Luiz Rosso ganha espaço para ciclofaixa
(Foto: )

- Não queremos um tapete vermelho, queremos acostamento e ciclofaixa para a segurança de todos. É pelo bem estar e pela saúde das pessoas e por um trânsito mais humanizado - finaliza Schaucoski.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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