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Reflexão

A vida se transformou num ciclo banal ou foi a morte que se tornou normal?

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Edsoul
Por Edsoul
12/03/2021 - 06h20 - Atualizada em: 05/04/2021 - 11h00
Perdemos mesmo o verdadeiro sentido da vida? O ciclo se tornou banal? Normalizamos a perda de um ente querido?
Perdemos mesmo o verdadeiro sentido da vida? O ciclo se tornou banal? Normalizamos a perda de um ente querido? (Foto: Pixabay)

Quando penso em vida, me vem em mente o conceber, dádiva sagrada dada ao ser feminino. Quando penso em vida, penso em belas meninas crescendo, se tornando mulheres fortes, guerreiras, independentes, cuidadosas, desbravadoras deste mundo que insiste erroneamente em ter meninos no seu predomínio.

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Pensar no ser vivente é remeter o imaginário àquele que somente, vive. Se diverte, trabalha, embebido no seu ir e vir adequadamente contente. Bobo eu, acreditar mesmo que dentro da mente, que o demente não se faz presente no seu mais costumeiro ato de ser inconsequente.

As rimas que fiz no trecho acima nasceram de um sonho. Verdade. Um daqueles que a gente acorda suado, preocupado e desconfiado que poderia ser mesmo tudo real. E, não é que neste caso, para minha infelicidade, o pesadelo traz um “Q” de realidade?

Depois daquele bom e quente café da manhã fiquei refletindo sobre tudo que estamos vivendo, vendo, aprendendo e, para alguns, somente sobrevivendo, com ajuda de aparatos de saúde, profissionais da área e todo o seu aparelhamento.

Cara, me dói passar pelas quebradas, que a propósito, já eram quebradas e invisibilizadas mesmo antes da pandemia, e ver que principalmente os jovens não estão dando a verdadeira importância ao período de caos. Não que isso não aconteça com os bacanas que moram em bairros nobres. Mas, de fato, a vulnerabilidade existente nos becos e vielas, fazem com que seja latente a presença das comorbidades em pessoas de favela. Infelizmente, as doenças aos montes não são consequências de desleixo de quem lá habita, são heranças de desgovernos passados que se acumulam com o “Deus dará” das ditas lideranças políticas de hoje.

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Entristece, sabe? Ver azarações presenciais acontecendo com drinks alcoólicos ao som do batidão do funk. Se engana quem pensa que o bailes que me refiro acontecem somente nos guetos. Que nada! Eles estão rolando também, em mansões de condomínios fechados, festas clandestinas com tudo liberado. Ganha mais quem fizer mais escondido, aquele anfitrião que não for apanhado. Gente, será mesmo que vale a pena sair no rolê, sem o menor dos cuidados, voltar pra casa e deixar adoecida aquela pessoa que te deu a vida, educação, e tudo mais que vem no fardo?

Quantos e quantas estão sendo, juntos com a má política que circunda o país, coniventes com as mortes destes milhares de brasileiros? Enquanto isso, os profissionais da saúde e demais serviços tidos como essenciais, estão tendo que lutar todos os dias contra a morte de alguém que aquele irresponsável deveria ter demonstrado amor. Zelo, cuidado, proteção, afinco, carinho, todas essas palavras são vazias se não há atitude. Perdemos mesmo o verdadeiro sentido da vida? O ciclo se tornou banal? Normalizamos a perda de um ente querido? Normalizamos a perda de alguém que não conhecemos, somente pelo fato de não ser próximo?

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Na boa, dizem por aí que um ditado famoso está se fazendo valer durante esta pandemia. “O problema não é meu, desde que a água não me bata na bunda.”

Vamos, dê esse passo e entenda que consciência não nasce com a gente. Ela é desenvolvida conforme a nossa vivência. Não é maduro ou madura para tê-la? Procure aprender com quem sabe, geralmente são os mais velhos. Mas, faça logo, antes que você e sua irresponsabilidade sejam os cruéis responsáveis por mais uma morte.

Assista ao video: 

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