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A Meu Móvel de Madeira, de Santa Catarina, compra a paulista Oppa e avança em produtos com design inovador

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Por Estela Benetti
13/02/2018 - 15h40
O casal de empresários Ronald e Kathlen Heinrichs
O casal de empresários Ronald e Kethlen Heinrichs
(Foto: )

Duas marcas brasileiras fortes no segmento de móveis com design inovador e venda por e-commerce agora são catarinenses. A Meu Móvel de Madeira (MMM), de Rio Negrinho, no Planalto Norte, do casal de empresários Ronald e Kathlen Heinrichs, adquiriu 100% do capital da paulista Oppa. A aquisição foi com recursos próprios e o valor do negócio foi mantido em sigilo. O plano é manter as duas marcas no mercado, cada uma com seu foco, explica o empresário.

Além de atuar em todo o Brasil, a MMM tem unidade comercial na Alemanha aberta há pouco mais de um ano, que vende para países da Comunidade Europeia e já responde por 10% do faturamento da marca. Saiba mais na entrevista com Ronald Heinrichs.

Por que a decisão de adquirir a Oppa? A Oppa é uma marca muito forte no segmento de móveis. Nasceu em 2011 com um posicionamento de design inteligente, design jovem, de uma forma muito interessante. Também começou como a MMM 100% online, e muitas vezes acabávamos disputando alguns clientes, embora tenhamos públicos distintos. Então, a decisão de trazer a Oppa para o nosso portfólio de marcas, tem uma razão estratégica muito grande porque, a partir de agora, podemos posicionar as duas marcas, cada uma bem forte em seu segmento. Uma remetendo à sustentabilidade, experiência de compra, consumo, e a outra remetendo a design, uma questão moderna, mais jovem.

Juntas, as duas empresas somam quantos empregos diretos e indiretos?  As duas juntas geram cerca de 150 empregos diretos em várias praças do Brasil. As principais são em Rio Negrinho e São Paulo, mas também temos profissionais em Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro. Quanto a vagas indiretas, não temos uma estimativa, mas cerca de 30 fábricas fornecem para nós e cada uma tem cerca de 50 empregados, o que soma 1,5 mil postos de trabalho embora a gente não compre toda a produção delas o tempo todo. 

A aquisição foi com recursos próprios, de bancos ou com aporte de investidores? Já tiveram aportes? Usamos totalmente capital próprio, da Meu Móvel de Madeira. Quem já teve aportes do investidor Peter Thiel e dos fundos Monashees e Kaszek Ventures foi a Oppa. 

Quantos itens vocês comercializam e qual é a abrangência de vendas? A MMM fornece hoje cerca de 2 mil itens diferentes e a Oppa, cerca de 2,5 mil itens. A abrangência é nacional. Hoje atingimos todos os municípios brasileiros e a ideia é que o portfólio seja complementar, cada produto será oferecido somente na sua marca. 

Como empresa catarinense vocês fabricam a maior parte dos produtos no Estado? Sim. A maior parte dos produtos, tanto da Meu Móvel de Madeira quanto da Oppa são produzidos em Santa Catarina. Cerca de 90% dos nossos fornecedores estão num raio de 30% a 40% da nossa sede, no Planalto Norte catarinense. Nosso conceito não é terceirização de produtos. Tanto a MMM quanto a Oppa são marcas de móveis, nos concentramos no design e buscamos o melhor fornecedor para fazer com que esse móvel seja produzido dentro dos nossos quesitos de qualidade, design e usabilidade. 

Vocês atuam somente com vendas virtuais ou também com lojas físicas? A MMM atuou com vendas virtuais até maio do ano passado, quando abrimos nosso showroom em Curitiba para levar uma experiência física para os nossos clientes também. Temos  resultados bem interessantes. Em setembro, abrimos showroom no Rio de Janeiro. A Oppa começou com uma loja física na Vila Madalena, em São Paulo, há bastante tempo, que é a loja ícone da marca. E abriu lojas também em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de franquias em Porto Alegre e Belo Horizonte. Essas lojas continuam porque entendemos que é importante os clientes ter acesso físico aos nossos produtos porque não somos e-commerce de móveis, somos uma marca de móveis que também vende pela internet. 

A MMM ou a Oppa exportam?  A Oppa ainda não exporta, mas a Meu Móvel de Madeira iniciou em 2016 para a Europa, onde atuamos com uma marca própria, a MeMoMad, que são as iniciais da Meu Móvel de Madeira. A base da empresa é na Alemanha e a partir de lá vendemos para todos os países da Comunidade Europeia. Tem sido uma iniciativa bem interessante, com crescimento expressivo. São exatamente os mesmos produtos que vendemos no Brasil sendo muito bem quistos por consumidores europeus. Em pouco mais de um ano, a operação já responde por 10% do faturamento da MMM. 

Como foi sua trajetória de empreendedor até aqui e em que prioriza a inovação nos negócios? Em relação à minha trajetória de empreendedor, alguns pontos importantes aconteceram na Celulose Irani. Entrei na empresa em 2009 e fui diretor da área de móveis, tanto para a indústria de móveis que a Irani tinha na época, quanto para a Meu Móvel de Madeira, que era uma empresa pequeninha. Em 2010, decidimos encerrar a fabricação de móveis, mantendo apenas o comércio de móveis, o design e, no final de 2012 a Celulose Irani decidiu se desfazer do negócio de móveis em função do core business dela ser celulose e embalagens. Foi nesse momento que a Kathlen e eu acabamos comprando a MMM. Em relação à inovação, precisamos criar negócios que gerem valor no Brasil, que mostrem que a criatividade brasileira pode ser usada para muita coisa e também para agregação e geração de valor. Muitas vezes, vemos as pessoas, dentro de negócios, apenas fazendo o que já foi feito. A nossa busca é reinventar os negócios. Foi assim com a MMM iniciando lá em 2006 vendendo móveis para os clientes montarem sozinhos e foi assim com a inovação da Oppa em termos de posicionamento de marca, o que agrega muito valor ao nosso portfólio. A inovação é constante, seja no relacionamento com o cliente, seja na forma como ele pode comprar seus produtos, seja na gestão de equipes. 

Leia mais notícias na coluna de Estela Benetti 

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