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    "A gente tenta não parar", diz presidente da Engie frente a projetos de R$ 4,5 bilhões para 2020

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    Por Estela Benetti
    05/07/2020 - 12h14 - Atualizada em: 06/07/2020 - 10h38
    Eduardo Sattamini, presidente da Engie Brasil Energia Foto:Felipe Carneiro, DC, BD
    Eduardo Sattamini, presidente da Engie Brasil Energia Foto:Felipe Carneiro, DC, BD

    Maior geradora privada do país, a Engie Brasil Energia teve impacto mínimo da pandemia no primeiro trimestre, que não chegou a influenciar no balanço do período. O presidente da companhia, Eduardo Sattamini, diz que os efeitos maiores vão aparecer no segundo trimestre, mas pelo modelo de contratos do setor, não serão muito elevados. Segundo ele, a companhia projeto investimentos de R$ 4,5 bilhões para este ano e se esforça para executá-los, com rigor na prevenção da saúde das equipes. No primeiro trimestre, investiu R$ 786 milhões.

    A Engie encerrou o primeiro trimestre com receita operacional líquida de R$ 2,6 bilhões, 10,9% mais que no mesmo período do ano passado e obteve lucro líquido de R$ 512 milhões, com recuo de 9,5% na mesma comparação.

    No Balanço do primeiro trimestre a companhia também detalhou doações do grupo que superam R$ 2,5 milhões, feitas pela empresa, fundação da empresa, colaboradores e conselheiros. A seguir, entrevista com Sattamini sobre esses temas:

    A Engie sofreu impacto da pandemia no primeiro trimestre?

    O impacto da pandemia foi muito pequenino, no final do mês de março, não representou valor significativo. O efeito maior será a partir de abril, sendo mais forte no segundo trimestre. Mesmo assim, em função dos contratos que temos no mercado, que têm limite mínimo de consumo, a gente não vai perceber um grande impacto.

    Quando a gente faz o contrato com um cliente, há uma flexibilidade de ele gastar um pouco mais ou um pouco menos de energia. Em contrapartida, há um limite mínimo que ele precisa pagar. Esses contratos, que visam dar mais segurança ao fornecedor de energia e preço melhor ao cliente acabam limitando nossas potencias perdas numa situação em que o consumo cai drasticamente, como agora.

    A gente viu, por exemplo, o consumo da indústria de autopeças caindo cerca de 60%. Empresas que tiveram que fechar em função de decretos municipais e estaduais, como shopping centers, chegaram a consumir apenas 10% do previsto no contrato. Em casos de contratos com clientes livres, a gente fez renegociação bilateral.

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    Quais foram as principais razões do crescimento de receita da Engie?

    A gente investiu muito nos últimos três anos, através de alavancagem da companhia e novos projetos. Investimos no projeto eólico Umburanas, na Bahia, que ficou pronto no final de abril, também tivemos a entrada em operação da nova termelétrica a carvão no Rio Grande do Sul, com 345 MW, em junho. Esses dois novos projetos proporcionam uma elevação importante da receita.

    Além disso, temos a participação na TAG, a transportadora de gás que compramos junto com um fundo canadense CPDQ. Esse contrato trouxe uma contribuição significativa ao Ebitda. Alguns novos projetos refletem no nosso endividamento, mas ainda não estão com operação totalmente redonda, contribuindo com o valor total que poderão contribuir.

    Quanto a Engie prevê investir este ano?

    Projetamos investimentos de R$ 4,5 bilhões para 2020. Temos diversas obras em execução. Estamos fazendo um projeto de linha de transmissão no Pará e Tocantins e a linha Gralha Azul, no Paraná. Outro grande projeto que temos é a segunda fase do Conjunto Eólico Campo Largo, na Bahia.

    A companhia não fará corte de investimentos em função da crise?

    Não. A gente tem compromissos para finalizar esses projetos porque assim que ficarem prontos, vão gerar receita. Então, quanto mais rápido a gente colocar em operação, melhor é o perfil de rentabilidade e retorno do projeto. A gente tenta não parar, em que pese algumas paralisações de decretos municipais em função do novo coronavírus. Discutimos protocolos de prevenção com autoridades locais para que as pessoas possam trabalhar de forma segura e consigamos manter as obras em andamento. Adotamos novos equipamentos de proteção individual para proteger os colaboradores.

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    Como o senhor avalia a ajuda do governo federal para o setor elétrico?

    Essa ajuda do governo federal é para garantir a liquidez das distribuidoras. Em função da queda da demanda elas tiveram redução de receita. Mas os compromissos que elas têm com geradoras de transmissoras e seus colaboradores permaneceram os mesmos. Por isso, o governo entendeu que é necessário fornecer um aporte de recursos que será, depois, compensado em 60 meses. É a chamada Conta Covid, para financiar essa perda em função da queda de consumo. Com isso, as distribuidoras não transferem as perdas para os outros elos da cadeia que são as geradoras e distribuidoras de energia.

    Como está o trabalho na empresa nesta fase de isolamento? Quem faz home office?

    Estamos com todas as equipes de escritório em home office. Lançamos há três anos aquele projeto de três “Ds” – digitalização, descentralização e descarbonização.

    A digitalização iniciada lá atrás nos permite trabalhar hoje 100% em home office. Só vai ao escritório quem, por algum motivo, não pode trabalhar de casa.

    Adotamos protocolos de segurança, as pessoas são testadas a cada 15 dias. Dos 500 colaboradores que atuam no escritório de Florianópolis, no máximo 30 vão esporadicamente lá. Mas, aquele projeto, nos permitiu atuar remotamente após 24 horas e garantir maior segurança aos colaboradores.

    E o pessoal que atua nas usinas?

    Nas usinas, não tem jeito. As pessoas precisam ir nas unidades. A gente diminuiu ao máximo o pessoal local. Os de apoio ficam em casa e os da atividade operacional a gente dividiu em turnos e períodos de 15 dias. Estabelecemos três turnos, com trabalho de 15 dias e, depois, esses profissionais ficam em casa 15 dias. Aí vem o outro grupo e fica 15 dias, em três turnos. Assim, a gente conseguiu reduzir os riscos para os nossos operadores. Mesmo assim, em alguns casos que tivemos pessoas testadas positivo para Covid, nós adotamos confinamentos de equipes.

    A Engie fez doações expressivas para ações frente à pandemia. Como foram essas colaborações?

    A gente adotou como primeiro critério a atuação nas comunidades onde estamos. Colaboramos com as regionais do Rio Uruguai, Rio Iguaçu e o Nordeste, onde estão nossas eólicas. A gente destinou recursos para que fizessem apoio para atender necessidades de hospitais em equipamentos de proteção individual (EPIs), para comunicação, limpeza. Fizemos também doações de cestas básicas para famílias que ficaram sem renda. Tivemos um grande foco nessa ajuda “formiguinha” em várias regionais. Destinamos quase R$ 1 milhão de reais.

    Também fizemos, em nível nacional, dois investimentos. Um na Fiocruz, mais importante. Empresas do setor elétrico se uniram e destinaram R$ 9 milhões à instituição, dos quais nós entramos com R$ 1,5 milhão. O objetivo foi reequipar uma área da Fiocruz para fazer testes de Covid-19, para ela poder fazer prevenção e diagnósticos.

    O outro investimento foi realizado por meio de iniciativas locais. Entre elas está o Projeto Nosso Bairro, próximo da sede da empresa, em Florianópolis. Fizemos doações de máscaras, em parceria com uma estilista local, a Camila Fraga. Ela ensinou costureiras da comunidade a fazer máscaras. Foram produzidas quase 2 mil máscaras. Também fizemos, junto com os nossos colaboradores, duas campanhas de doações de máscaras, que somaram mais de 3 mil unidades. Além disso, doamos juntos alimentos em comunidades onde temos unidades. Em Florianópolis, foram distribuídas mais de 30 toneladas de alimentos.

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