A multinacional americana Cargill, líder no Brasil e no mundo no comércio de grãos e em nutrição animal, se tornou sócia da Agriness, empresa de tecnologia de Florianópolis, que é a número um na América Latina em software de gestão para suinocultura. O contrato foi assinado quarta-feira, na sede da Cargill no Brasil, em São Paulo, pelo fundador e CEO da Agriness, Everton Gubert, e o presidente da multinacional no país, Luiz Pretti.
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Com essa associação, a Agriness inicia uma expansão internacional mais rápida e, com a nova plataforma digital em nuvem que está finalizando, vai fornecer tecnologia também para a avicultura e bovinocultura. A participação da Cargill na Agriness é minoritária e os termos do contrato e os valores não foram divulgados.
— A empresa continuará sediada em Florianópolis e todo o desenvolvimento tecnológico seguirá aqui. Vamos sair de uma liderança na América Latina para buscar liderança global no nosso segmento. Estamos lançando uma plataforma que vai permitir ampliar a gestão pró-ativa das propriedades rurais, permitindo maior produtividade – afirmou Gubert.
As duas empresas informaram que essa parceria estratégica vai promover uma transformação global nesses setores por levar tecnologias digitais emergentes para todos os produtores. Hoje a Agriness faz o gerenciamento demais de 2 milhões de matrizes por com o software S2, que registra dados gerais da propriedade e incentiva a melhoria contínua, tendo inclusive uma premiação por produtividade. Neste mês, a empresa lançará a Agriness 365, nova plataforma digital escalável, com alta capacidade e baseada em nuvem, que permitirá registrar e visualizar todos os dados em tempo real. Essa tecnologia de ponta abriu as portas para a empresa catarinense na Cargill, no momento em que foi buscar parceria para crescer de forma mais acelerada.
— Estamos trabalhando juntos para construir um ecossistema no espaço digital que combine nossa escala global, aproximação com os clientes, as habilidades técnicas e os recursos de parceiros como a Agriness para lidar com desafios da produção animal com soluções tecnológicas inovadoras – afirmou SriRaj Kantamneni, diretor executivo da Unidade de Negócios Digital Insights, da Cargill, companhia sediada em Minneapolis, estado de Minnesota.
Segundo o executivo, a solução Agriness não apenas permitirá que agricultores e as agroindústrias tomem decisões proativas que melhorem a eficiência, mas também aumentarão o bem-estar animal e a lucratividade. O vice-presidente e diretor global da multinacional, Scott Ainslie, disse que é importante para a Cargill investir em tecnologias digitais emergentes que gerem valor para nossos clientes e para o setor. E que a companhia está cumprindo seu propósito de nutrir o mundo de forma segura, responsável e sustentável, usando inovações como essas para abordar alguns dos maiores desafios de nossa indústria, como segurança alimentar, sustentabilidade e transparência.
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A negociação entre as duas companhias demorou nove meses. A expectativa é de que o número de colaboradores da Agriness cresça num curto espaço de tempo dos atuais 60 para 120. A empresa foi fundada por Everton Gubert em 2001, depois o seu irmão Elton João Gubert e Cristina Bittencourt se tornaram sócios. Mais tarde, Junior Salvador entrou na sociedade. A empresa foi aberta logo após eles concluírem a graduação em Ciência da Computação na UFSC.
Com 153 anos, a Cargill tem 155 mil empregados em 70 países e no ano passado teve receita bruta de US$ 113 bilhões. Líder no Brasil nos segmentos em que atua, a gigante americana já foi dona da Seara, entre 2004 e 2009.
O negócio entre a Cargill e a Agriness é mais um que projeta o polo tecnológico de Florianópolis e de Santa Catarina no mundo. Alguns negócios com startups chamaram atenção recentemente. A Decora foi vendida para grupo americano CreativeDrive por US$ 100 milhhões, a Chaordic para a Linx por R$ 50 milhões e a Axado, para o Mercado Livre, por R$ 26 milhões.
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