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Sem energia elétrica

Apagão em Caçador, como o da Ilha de SC, causa indignação e cobranças na Alesc

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Por Estela Benetti
01/06/2021 - 20h26 - Atualizada em: 01/06/2021 - 20h32
Caçador, maior cidade do Meio-Oeste de SC, no escuro
Caçador, maior cidade do Meio-Oeste de SC, no escuro (Foto: Marlise Groth, Divulgação)

A falta de energia elétrica por quase 100 horas em Caçador, considerada a capital industrial do Meio-Oeste de Santa Catarina e um dos municípios mais exportadores do Brasil, e também em mais nove municípios da região, causa indignação e surpresa. Indignação pela demora em reestabelecer energia e surpresa porque ninguém imaginava que a região tinha a mesma fragilidade de Florianópolis em 2003, quando dano na única linha que levava energia deixou a Ilha de SC se luz por 55 horas.

O deputado Valdir Cobalchini (MDB), que é de Caçador, levou o problema para debate na Assembleia Legislativa na sessão desta terça-feira, que se estendeu até o inicio da noite. Cobrou posição do setor elétrico, do governo do Estado e da Celesc para resolver o problema com urgência e evitar que se repita. 

Quatro dias após tornado, mais de 10 cidades de SC enfrentam falta de luz

A Evoltz, fornecedora da Eletrobras, dona da linha de alta tensão que teve quatro torres levadas pelo tornado, é apontada como a responsável, mas tanto Cobalchini, quanto os demais deputados presentes defenderam uma solução por parte do setor público e cobraram ação da Celesc. A propósito, segundo o deputado, a população da região sentiu a ausência da diretoria da Celesc e de lideranças do governo, incluindo o próprio governador Carlos Moisés, que não visitaram a região para ver de perto o drama, embora a empresa informe que está dando apoio.

- Precisamos de uma solução. A região, que tem uma economia forte, não pode ficar à mercê desse tipo de risco, que nem sabia que estava correndo. Além disso, a Celesc e o governo Catarinense precisam fazer um levantamento para saber quantos municípios do Estado também enfrentam esse mesmo risco sem saber – disse o parlamentar.

Valdir Cobalchini, Divulgação
A maioria da população está tendo que se virar com luz de vela, como esta fotografada por Cobalchini sábado, na sua casa, em Caçador
(Foto: )

Maior cidade da região, com mais de 80 mil habitantes, Caçador surpreende pela economia globalizada e competitiva. É a 17ª maior cidade catarinense, tem o 18º maior Produto Interno Bruto (PIB) do Estado (R$ 3,3 bilhões em 2018) e está entre os 10 maiores municípios exportadores de Santa Catarina.

Entre as grandes empresas locais que têm maior receita no exterior estão a Viposa, Temasa, Frame, Dami e Tedesco. Conta também com a Sul Brasil, Daniela Tombini e unidade da Guararapes, de papel e celulose, que acaba de anunciar investimento de R$ 750 milhões. Outra peculiaridade de Caçador é que tem o melhor microclima e solos do mundo para o crescimento do pinus, madeira renovável que impulsiona a indústria e as vendas externas.

A região ainda não estimou detalhadamente as perdas com esse apagão, mas dá para prever que serão milhões de reais. Depois desse acidente, cuja promessa é de volta da energia até a meia noite desta terça-feira, será preciso encontrar solução para que isso não se repita. Em Florianópolis, anos depois foi instalada outra linha de transmissão no Sul da Ilha de SC. 

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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