Desde sexta-feira, com a saída do ministro Sérgio Moro e desdobramentos, o Brasil passou a enfrentar três crises: na saúde, na economia e na política.

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A crise na saúde vai se estender por diversos meses, a situação ainda vai piorar, e mais estados vão enfrentar a saturação de sistemas de saúde. Esse risco existe também para Santa Catarina, embora tenha menos casos ainda. E a situação pode piorar se a Covid-19 se estender em pequenas cidades, onde não existem hospitais preparados e muitos municípios não têm nem hospitais.

A crise política poderá se estender até o final do ano. O presidente Jair Bolsonaro foi acusado pelo ex-ministro Sérgio Moro de tentativa de obstrução de justiça. Está sendo aberto um inquérito para investigação e, dependendo das provas, o presidente poderá ser considerado culpado. Quem conhece Bolsonaro, diz que ele não vai renunciar. Então, se sofrer impeachement, o processo pode ser longo.

E a crise econômica tem três obstáculos. O principal é a parada em função dos efeitos da pandemia que colocou todo mundo para dentro de casa e com medo de consumir. Existem também as pressões inflacionárias que dificultam, como o dólar alto e também os elevados preços de soja e milho, que pressionam preços.

E o terceiro obstáculo é a instabilidade do ministro da economia, Paulo Guedes, que todos indicam ser a bola da vez, ou seja, o próximo ministro a ser fritado pelos bolsonaristas. Caso ele saia, a incerteza na economia será ainda maior, o dólar será mais pressionado e a tendência é o governo ficar estagnado, ou seja, o país vai ficar esperando o governo acabar.

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É um cenário difícil, com elevado desemprego e investimentos parados. Tudo sinaliza para o Brasil fechar 2020 com a pior recessão da história. Santa Catarina deverá ter menos problemas graças ao agronegócio, especialmente a exportação de carnes.

No Mercosul, decisão da Argentina pode ajudar o Brasil

O governo da Argentina anunciou sexta-feira o rompimento de negociações com o Mercosul porque quer cuidar do seu mercado interno em função da crise da Covid-19. Informou que pretende seguir participando somente do acordo Mercosul e União Europeia.

Essa decisão da Argentina, segundo a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, não muda os negócios que já estão em curso no bloco. A série de negócios que acontecem hoje entre as empresas dos países do bloco seguem normal porque estão sob o guarda-chuva de um acordo da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

O rompimento da Argentina está ligado ao Tratado de Assunção. Segundo Maitê Bustamante, essa decisão da Argentina tem a ver com a pressão do Brasil por um acordo com os EUA, que os argentinos não querem. Mas abre espaço para o Brasil buscar esse acordo de forma independente ou com o Uruguai e Paraguai.

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Esse acordo com os Estados Unidos interessa Santa Catarina porque o mercado americano, durante muitos anos, foi o maior parceiro comercial do Estado e nos últimos anos têm oscilado entre a segunda e a primeira posição, num revezamento com a China.

A Argentina, único vizinho internacional de Santa Catarina, também é um parceiro econômico relevante do Estado. Neste ano, em janeiro e fevereiro, foi o quarto maior mercado de exportações do Estado o terceiro de importações.

Este foi o meu comentário na CBN Diário de 27/04/20