A testagem dos 5.325 trabalhadores da BRF Concórdia comprovou que 46 apresentaram resultado positivo para o exame PT-PCR, que confirma presença do novo coronavírus. Isso representa 0,86% do total de trabalhadores da unidade. A metodologia adotada pela companhia foi teste rápido para 100% e para 10% a 20% que apresentaram positivo nessa fase foi feito o PT-PCR, que é o exame mais seguro, indicando percentual baixo de incidência da doença. Segundo o vice-presidente de Recursos Humanos e Serviços Compartilhados da BRF, Alessandro Bonorino, esses dados mostram que os frigoríficos não são focos de Covid-19.

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Conforme a empresa, faltam ser concluídos cerca de 50 exames, mas o percentual final não será muito diferente. A BRF testou também 100% dos trabalhadores da unidade de Lajeado, Rio Grande do Sul, onde trabalham 2.759 pessoas. Dessas, 3,23%, ou seja, 89 trabalhadores, testaram positivo para coronavírus com o exame RT-PCR. Esses trabalhadores já estavam afastados da empresa desde o teste rápido, e seguem fora das atividades e monitorados.

O vice-presidente afirma que a empresa fez questão de testar 100% os colaboradores, por isso realizou a testagem rápida e a do exame internacional que confirma a doença, o RT-PCR.

– No caso de Concórdia, nosso nível de contaminação é menor do que 1%. São números alinhados com o que está acontecendo no país, em especial porque existe uma subnotificação. Nós não temos subnotificação. Nós testamos 100%. Só na fábrica de Concórdia, o número de testes que fizemos é semelhante aos já feitos em Florianópolis – afirma Bonorino, para quem esse número da empresa é semelhante ao que está acontecendo na população em geral.

– Então, as informações de que os frigoríficos são focos de Covid-19 não correspondem. A BRF não é foco, muito pelo contrário, a gente tem feito todas as análises para garantir a segurança do trabalhador. Estamos mais preocupados com a segurança dele fora da empresa do que dentro da empresa – destaca.

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Segundo ele, a preocupação com o que acontece com o trabalhador fora da empresa é maior porque no ambiente empresarial é feita uma série de controles, incluindo verificação de temperatura, uso de EPIs. Mas há dúvidas sobre as medidas preventivas tomadas nas comunidades onde os trabalhadores vivem, se as famílias deles e os vizinhos adotam todas as medidas de proteção recomendadas.

Quando ocorreram os primeiros casos, em unidades diferentes no complexo industrial de Concórdia, sem as pessoas compartilharem o mesmo ambiente, a empresa decidiu pesquisar os dias anteriores. Concluiu que nos 15 dias que antecederam os primeiros casos, ocorreram alguns feriados, dias em que a empresa ficou fechada, os trabalhadores tiveram folga e puderam ter uma convivência comunitária maior. Daí a conclusão de que a contaminação começou nas comunidades.

A BRF informa que cumpre o protocolo dos órgãos de saúde em cada caso. Quando o trabalhador apresenta sintomas é atendido na empresa, afastado da sua atividade, recebe acompanhamento médico e fica monitorado.