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    Carne bovina ficou 50% mais cara no último ano; entenda os motivos

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    Por Estela Benetti
    08/02/2021 - 14h16
    Preço da carne bovina no atacado teve alta média superior a 50% no Brasil em 2020
    Preço da carne bovina no atacado teve alta média superior a 50% no Brasil em 2020 (Foto: James Tavares / Banco de Dados)

    A carne bovina, um dos produtos mais importantes no cardápio da maioria dos brasileiros, teve alta média de preços superior a 50% nos últimos 12 meses, e não há tendência de queda. No final de 2019, a arroba (15 quilos) custava R$ 200 e, agora, em regiões produtoras de São Paulo, está em R$ 302 na venda a prazo. 

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    Os preços seguem elevados em função da oferta insuficiente no país, alta do dólar e exportações, explica o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri. Sondagem da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) para a coluna apurou queda de 2% a 15% na venda de carne bovina em supermercados do litoral em janeiro e a migração para outras proteínas, com destaque para o peixe.

    Na avaliação de Barbieri, apesar da oferta menor de carne bovina ser um problema nos últimos anos em função do desequilíbrio da oferta no país e, mais recentemente, com a seca, a origem desses maiores preços está na baixa taxa Selic, atualmente em 2% ao ano. Isso afasta os investimentos financeiros do Exterior e mantém o dólar alto, o que incentiva exportações de carnes e de grãos e limita a oferta de produtos no mercado interno impactando a inflação de alimentos. A China continua adquirindo elevados volumes de carnes porque ainda enfrenta os efeitos do surto de peste suína africana.   

    — Infelizmente, este ano, se o Brasil continuar com essa taxa Selic e com esse dólar, não tem nenhuma previsão de queda do preço da carne bovina e da carne suína. A única carne que poderá continuar com preço estável ou até subir um pouco é a de frango. Os ovos, outra proteína muito consumida, também vão subir porque o milho, que é a base da alimentação das aves, segue caro — explica o vice-presidente da Faesc.  

    Apesar do preço da carne bovina no atacado mostrar alta média superior a 50% no Brasil no ano passado, os dados da inflação oficial do país, o IPCA, mostram um impacto menor no custo das carnes em geral ao consumidor. Segundo o índice, os alimentos em domicílio tiveram alta de 18,16% no ano e as carnes, de 17,97%. Com preços mais elevados, boa parte dos consumidores opta por cortes mais acessíveis, a chamada carne de segunda.

    Preço impacta nas vendas

    Sondagem feita pela Acats junto a redes de supermercados sobre como foi a demanda por carne bovina em janeiro apurou que empresas com lojas mais concentradas no litoral tiveram quedas de 2% a 15%. No Oeste, o recuo de vendas do produto não foi significativo. O levantamento revelou também que a região do litoral teve uma retração de até 5% na venda de outras proteínas como ovos, carnes de aves, carne suína, linguiças e salsichas.  

    No interior do Estado, houve caso de aumento no volume de vendas de frango e linguiça, enquanto a carne suína seguiu estável, apurou a Acats. Chama a atenção o crescimento de 10% a 12% nas vendas do peixe de água doce tilápia em todas as regiões.  

    Na avaliação do presidente da Acats, Francisco Crestani, a retração da venda de carnes em supermercados do litoral catarinense em janeiro ocorreu, principalmente, em função da pandemia, que limitou a vinda de turistas para as praias do Estado. 

    Consumo maior do que a produção

    Em Santa Catarina os preços tendem a ser um pouco mais caros do que a média nacional, já que a produção local de carne bovina é baixa. Mais da metade vem de outros Estados, especialmente Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O consumo anual do produto em SC é de aproximadamente 300 mil toneladas, sendo que a produção está em torno de 140 mil toneladas.  

    Conforme a Faesc, com assistência técnica do Senar, o Estado tem incentivado maior produção e investimento em melhoria genética, o que está ajudando a ampliar a oferta de carne de qualidade. Mas SC ainda está longe de uma produção maior para atender quase todo o consumo próprio. Ano passado teve o impacto da seca na produção em campo, e o alto preço do milho também afetou a produção em confinamento.

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