A Irani, uma das principais indústrias de papel e embalagem do Brasil, que tem sua maior fábrica em Vargem Bonita, Oeste de Santa Catarina, se destaca pela sustentabilidade. Está finalizando ciclo de investimentos de R$ 1,8 bilhão da Plataforma Gaia, iniciada em 2020, com ênfase na preservação ambiental. Esse foco em sustentabilidade permitiu à companhia ter retorno médio de 20% ao ano nos últimos 20 anos, informa o CEO da empresa, Odivan Cargnin.
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A preservação ambiental é prioridade da empresa, que inclui reservas florestais, uso de itens reciclados e descarbonização. Hoje, dois terços da matéria-prima utilizada pela empresa vem da reciclagem, informa o executivo.
Veja mais imagens sobre a Irani, empresa que se destaca pela sustentabilidade:
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Ao falar para investidores, a Irani não antecipou cifras do seu novo ciclo e investimentos com a nova Plataforma Neos, mas admitiu que SC poderá ganhar uma nova fábrica. O plano é duplicar a participação de mercado no Brasil até 2034.
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Neste ano de 2026, o investimento de R$ 514 milhões está voltado à modernização da fábrica de Minas Gerais, ainda na Plataforma Gaia. Saiba mais na entrevista exclusiva do CEO Odivan Cargnin, a seguir:
A Irani fez grandes investimentos nos últimos anos. Como foi essa trajetória e o que está prevendo para o futuro?
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– Fizemos o re-IPO da empresa em julho de 2020, quando captamos R$ 405 milhões. Com esse recurso, organizamos a estrutura de capital da companhia e investimos no que chamamos de Plataforma Gaia. São 12 projetos dentro dessa plataforma. O objetivo dessa Plataforma era modernizar as plantas já existentes. Ou seja, não havia nenhum projeto greenfield.
Estamos encerrando agora a Plataforma Gaia com o último investimento, o Gaia 12, que consiste na reforma da máquina 7 da nossa planta de Minas Gerais. Essa unidade será modernizada e, no Irani Day, realizado em maio, anunciamos o próximo ciclo de investimentos: a Plataforma Neos.
Como serão os projetos da Plataforma Neos?
– A Plataforma Neos se diferencia da Plataforma Gaia porque será focada em crescimento e expansão de capacidade, com projetos greenfield. Estão previstas duas novas fábricas de embalagens e uma nova máquina de papel. Esse ciclo deverá ser executado ao longo de oito a dez anos.
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Informamos no Irani Day que o último investimento da Plataforma Gaia, que é justamente o Gaia 12, será em Minas Gerais, no valor de R$ 514 milhões para modernização.
Também anunciamos a Plataforma Neos, voltada ao crescimento. Diferentemente da Plataforma Gaia, que era focada na otimização e modernização das plantas atuais, esse novo ciclo tem foco na expansão.
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Quanto ao que será destinado para Santa Catarina ou para outros estados sobre a nova plataforma ainda não podemos detalhar. Ao longo da Plataforma Gaia investimos cerca de R$ 1,8 bilhão. Desse total, em torno de R$ 1,2 bilhão foi aplicado em Santa Catarina, na fábrica de Campina da Alegria (município de Vargem Bonita).
Houve um direcionamento muito forte de investimentos para o Estado. Inclusive, levamos o governador Jorginho Mello para conhecer a unidade, onde ele passou o dia visitando as instalações. Como implementamos os projetos sem realizar uma inauguração oficial, muitas pessoas não têm conhecimento da dimensão dos investimentos feitos em Santa Catarina desde 2020.
Que novas unidades estão sendo previstas para essa plataforma?
– A Plataforma Neos prevê duas novas fábricas de embalagens. Uma delas deverá ficar no Sul de Minas Gerais ou no Nordeste de São Paulo, região onde existe grande consumo de embalagens. A segunda ainda não tem localização definida. Ela poderá ser instalada no Sul do país, inclusive em Santa Catarina, mas isso ainda está em estudo.
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A nova máquina de papel também ainda não teve sua localização definida. Apresentamos a Plataforma Neo de forma conceitual, mas cada investimento ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração.
Agora, iniciaremos os estudos de localização, engenharia e viabilidade de cada projeto. Somente após a aprovação pelo conselho é que divulgaremos oficialmente onde cada empreendimento será instalado. Uma das plantas pode ser construída em Santa Catarina, mas isso ainda depende da aprovação.
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A empresa já definiu o total de investimentos para essa nova fase? Santa Catarina pode receber um projeto desses?
– Ainda não divulgamos esse valor. Temos estudos internos, mas, como somos uma companhia de capital aberto, não posso antecipar essas informações. Eu acredito que Santa Catarina poderá receber parte desses recursos.
Ainda dependemos dos estudos, mas Santa Catarina possui um mercado muito forte de consumo de embalagens, impulsionado pela agroindústria, especialmente pelo setor de proteínas. Nosso foco é atender justamente as agroindústrias que atuam com suínos, aves e bovinos.
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Aqui há menor presença da bovinocultura, mas os segmentos de aves e suínos são extremamente fortes. Por isso, Santa Catarina tem potencial para receber investimentos. No entanto, precisamos concluir os estudos para confirmar essa possibilidade.
Como foi o desempenho da Irani em 2025?
– O ano de 2025 foi bom para a empresa. Registramos um Ebitda de R$ 539 milhões, 11,4% mais do que o do ano anterior. O lucro líquido alcançou R$ 242,1 milhões.
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Neste ano de 2026, no primeiro trimestre, enfrentamos algumas dificuldades em razão de dois fatores. Tivemos um problema técnico em uma turbina, que comprometeu parte da nossa geração de energia, e também realizamos a parada programada de um dos projetos da Plataforma Gaia, o Gaia 11, que corresponde à modernização da máquina 5, um investimento de R$ 90 milhões.
Foi necessário interromper temporariamente a operação de uma máquina de grande porte para executar o investimento. E somado ao problema técnico na turbina, esses fatores afetaram o desempenho do período. Ainda assim, o primeiro trimestre foi satisfatório.
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Essas duas ocorrências aconteceram na fábrica de SC?
– Sim. Ambas ocorreram em Santa Catarina, na nossa maior fábrica de papel. Temos um complexo industrial bastante grande e completo. Além das florestas, contamos com geração própria de energia, fábrica de celulose, fábrica de papel e unidade de embalagens. É um site muito interessante na unidade de Vagem Bonita.
Além de atuar no mercado interno, a empresa exporta. Quanto da receita vem de do exterior?
– Exportamos cerca de 10% do nosso faturamento, principalmente papel. Ainda não é uma parcela muito relevante do negócio, mas, por enquanto, tem funcionado bem. Não sentimos impactos relevantes decorrentes de tarifas comerciais. O principal efeito observado foi o aumento dos custos com frete internacional. Exportamos principalmente para os países do Mercosul e para o Oriente Médio, mas também atendemos alguns mercados na Europa.
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A Irani se destaca pelos investimentos em sustentabilidade, em reservas florestais. O que o senhor pode informar sobre isso?
– Esse foi o foco do Irani Day. No fundo, esse é o nosso negócio. Vendemos embalagens sustentáveis e, por isso, sustentabilidade não é um projeto isolado. Ela é a nossa tese de alocação de capital, faz parte do nosso core business. Sustentabilidade é a forma como fazemos negócios.
Neste ano também comemoramos os 20 anos do nosso Relatório de Sustentabilidade. Fomos uma das primeiras empresas do Brasil a divulgar esse documento. Mas não se trata apenas de divulgar indicadores. O relatório faz parte do nosso sistema de gestão.
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Na apresentação mostramos a evolução da companhia nos aspectos ambientais desde 2006 até 2025. Reduzimos a emissão de carbono por tonelada de papel produzida, avançamos na descarbonização, ampliamos as áreas de preservação e evoluímos continuamente em diversos indicadores ambientais. Em SC, por exemplo, temos áreas florestais em Catanduvas, Irani, Ponte Serrada, Água Doce e em outros municípios da região.
Também apresentamos os avanços nos aspectos sociais ao longo desses 20 anos: a evolução do quadro de colaboradores, das comunidades do entorno e de diversos outros indicadores.
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Da mesma forma, mostramos nossa evolução econômica nesse período. Entregamos retorno médio de 20% ao ano durante os 20 anos retratados pelo Relatório de Sustentabilidade.
O senhor pode explicar melhor esses resultados?
– Obtivemos esse resultado investindo em sustentabilidade e descarbonização. As embalagens que produzimos são sustentáveis porque utilizam recursos naturais renováveis e estão inseridas em uma cadeia de economia circular. Cerca de dois terços da nossa matéria-prima vêm da reciclagem. O que muitas pessoas ainda não compreendem é que sustentabilidade gera valor.
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Essa é justamente a nossa tese de alocação de capital. Investimos na companhia tendo a sustentabilidade como estratégia central, sempre aliada à boa governança. Também migramos para o Novo Mercado da B3 e entregamos retorno aos investidores com base nessa estratégia.
Ainda sobre retorno aos investidores, se considerarmos somente o período desde o re-IPO, desde julho de 2020, o retorno ao investidor foi de 16,6% ao ano. Esse desempenho ficou bem acima do benchmark.
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Entre as 74 empresas que realizaram IPO naquela janela, estamos entre as três com melhor retorno para os investidores. Muitas dessas empresas, inclusive, deixaram de existir de forma independente, foram incorporadas ou encerraram suas operações. Nós, sendo uma indústria, permanecemos entre os melhores desempenhos daquela geração de IPOs.
Celebramos 20 anos do Relatório de Sustentabilidade mostrando que é possível evoluir simultaneamente nos aspectos ambiental, social, econômico e de governança, gerando resultados para os investidores.
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A sustentabilidade contempla quatro pilares: ambiental, social, econômico e governança. Hoje nossa governança está estruturada no Novo Mercado. Metade dos conselheiros é independente, contamos com três comitês de assessoramento e seguimos aprimorando continuamente essa estrutura.
Vocês fazem o Relatório de Sustentabilidade com base nas normas IFRS S1 e IFRS S2. Por que seguem nesse padrão?
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– Nosso relatório segue baseado nas normas IFRS S1 e IFRS S2. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu a obrigatoriedade desse relatório. O Brasil havia sido um dos primeiros países a adotar esse novo padrão internacional de divulgação. Ele traz uma abordagem diferente do relatório tradicional.
Enquanto o relatório de sustentabilidade analisa os resultados do passado, o IFRS S1 e S2 projetam riscos e oportunidades relacionados às questões socioambientais olhando para o futuro. A Vale foi a primeira empresa brasileira a divulgar esse modelo, a Renner foi a segunda e a Irani foi a terceira. No dia seguinte à divulgação do nosso relatório, a CVM tornou sua apresentação facultativa.
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Mesmo assim, continuaremos publicando esse documento, porque ele faz parte da estratégia da companhia. Da mesma forma que o Relatório de Sustentabilidade sempre foi voluntário e continuamos publicando, manteremos também a divulgação do IFRS S1 e S2.
Por que decidiram manter essa divulgação?
– Nele identificamos e quantificamos os principais riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade. Entre essas oportunidades, a principal é justamente o aumento da demanda por embalagens sustentáveis. É por isso que estamos planejando investir em duas novas fábricas de embalagens dentro da Plataforma Neos.
Nossa estratégia conecta tudo: o histórico dos últimos 20 anos, os resultados entregues aos investidores, a visão de futuro apresentada pelo novo relatório e as decisões de investimento baseadas nessas oportunidades. Arrisco dizer que esse é um trabalho bastante singular no Brasil, porque conecta a estratégia construída ao longo de duas décadas, a realidade atual da companhia e os investimentos futuros sempre sob a ótica da sustentabilidade. É um trabalho bastante amplo, profundo e denso.
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Pode detalhar mais o processo de sustentabilidade em matérias primas e produtos?
– No fundo, nossas embalagens possuem um elevado percentual de material reciclado. Não utilizamos apenas a celulose produzida por nós, mas também reciclamos papel para compor a matéria-prima.
A reciclagem tem um peso muito importante para tornar a embalagem mais sustentável, porque ela se insere no conceito de economia circular. Toda embalagem de papel já possui essa característica de ser sustentável.
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A diferença é que algumas utilizam maior quantidade de fibra virgem e outras empregam mais material reciclado. Em tese, quanto maior a participação de material reciclado, mais sustentável é a embalagem, justamente porque ela aproveita melhor a cadeia de reciclagem.
Vamos falar um pouco sobre pessoas. Como é a gestão da Irani nessa área?
– No último ranking do qual participamos, referente a 2024, ficamos na 32ª posição entre as melhores empresas para trabalhar no Brasil, do GPTW. O ranking deste ano ainda não foi divulgado, mas nossa pontuação ficou compatível com a média das 80 ou 85 melhores empresas do país, conforme os indicadores divulgados pela organização responsável.
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Hoje, não basta oferecer apenas uma boa remuneração. É preciso proporcionar oportunidades de crescimento, desenvolvimento profissional, segurança psicológica, um bom clima organizacional, além de autonomia e liberdade para que as pessoas possam desempenhar seu trabalho. Temos muito cuidado com todos esses aspectos.
Também houve aumento da participação feminina na empresa?
– Sim. Esse é, inclusive, um dos indicadores sociais no Relatório de Sustentabilidade. Quando comparamos a Irani de 2005 com a de 2025, observamos que passamos de 15% para 30% de mulheres no quadro de colaboradores. Em outras palavras, dobramos a participação feminina ao longo desses 20 anos. Nossa meta, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), é alcançar 40% de mulheres na empresa até 2030.
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Vocês enfrentam dificuldade para contratar mais profissionais?
– Bastante. Todas as nossas unidades enfrentam dificuldades para contratar pessoas. Existe um dado conhecido: Santa Catarina possui uma das menores taxas de desemprego do Brasil. O que poucas pessoas destacam é que o Oeste catarinense apresenta a menor taxa de desemprego do próprio Estado. Ela gira em torno de 1,6%. É uma taxa extremamente baixa.
Isso torna a contratação muito desafiadora. Por esse motivo, precisamos investir fortemente na retenção de talentos, cuidar muito bem dos colaboradores que já fazem parte da empresa, oferecer um excelente clima organizacional e fortalecer nossa marca empregadora para continuar atraindo profissionais. Mas enfrentamos dificuldades também contratar em São Paulo e Minas Gerais, onde temos fábricas.
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