Os venezuelanos, que neste sábado (03) acordaram com a informação ou impactos do ataque dos Estados Unidos ao país, incluindo a captura do presidente Nicolás Maduro, enfrentam há 27 anos um governo que se diz democrático, mas que na prática é uma ditadura que resultou em crise econômica e forçou milhares a migrar. Uma parte veio buscar vida melhor no Brasil, incluindo Santa Catarina. O censo do IBGE apurou que de 2010 a 2022, um total de 272 mil venezuelanos mudaram para o Brasil e, desses, 24.797 optaram por Santa Catarina. Dados mais recentes, dos últimos seis anos, apurados pela Unicamp junto à Polícia Federal, mostram que 48,7 mil venezuelanos vieram para SC.

Continua depois da publicidade

A vinda para o estado visou, principalmente, colocação no mercado de trabalho na diversificada economia catarinense, que tem atraído também migrantes do Brasil e de outros países, sendo líder na atração de migrantes no Brasil, no período de 2010 a 2022, segundo o IBGE.

As cidades mais procuradas nos últimos seis anos foram Chapecó (8.583 migrantes), Joinville (6.323) e Florianópolis (3.256), informou em reportagem o jornalista do NSC Total, Jean Laurindo. Os jovens migrantes são os primeiros a vir e, depois, muitos também trazem suas famílias. Na região de Florianópolis, a maioria atua no comércio e serviços, enquanto nas demais regiões, muitos ocupam vagas nas indústrias.

A participação dos trabalhadores venezuelanos, haitianos e argentinos ganhou relevância para a economia do estado, tanto que a Federação das Indústrias de SC (Fiesc) lançou em outubro do ano passado (2025) um programa especial para a integração dos trabalhadores migrantes e suas famílias.

Denominado Portas Abertas, o programa visa qualificar migrantes para trabalhar em indústrias do estado e integrar suas famílias à cultura local. Conta com parceria de prefeituras e da Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para as Migrações. A primeira unidade foi aberta na cidade de São Miguel do Oeste.

Continua depois da publicidade

Considerado um dos países com maior potencial econômico da América Latina, a Venezuela começou a ver sua economia decrescer quando passou a enfrentar ditadura junto com a chamada “maldição do petróleo”. Com receitas elevadas das exportações petrolíferas, os governos se sentiram à vontade para minar o sistema democrático e, assim, geraram instabilidade econômica e fuga de investidores.

Essa situação acontece desde a eleição do presidente Hugo Chávez, em 1999 e, depois, segundo a oposição, teria fraudado eleições até 2012, quando faleceu em função de um câncer. Na sequência, assumiu o vice dele, Nicolás Maduro, fazendo o mesmo, até agora ser retirado do país por um ataque americano determinado por Donald Trump.

Caso o plano americano tenha êxito, proporcionando a volta de uma democracia estável ao país, existe a expectativa de recuperação gradual da economia e volta de investimentos nacionais e estrangeiros. Nesse cenário, gradualmente, mais venezuelanos vão continuar no país e uma parte dos que saíram podem querer voltar. Mas é um cenário de médio e longo prazo.

Por enquanto, Santa Catarina seguirá contando com a vinda de venezuelanos para trabalhar. A maioria é qualificada e está dando relevante contribuição para a atividade econômica do estado.

Continua depois da publicidade