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Compra de 24,23% da BRF pela Marfrig mostra confiança no agro de SC

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Por Estela Benetti
22/05/2021 - 10h35 - Atualizada em: 22/05/2021 - 11h44
Marfrig se torna a principal acionista da BRF
Marfrig se torna a principal acionista da BRF (Foto: BRF Divulgação)

A BRF, dona da Sadia e Perdigão, que tem sede jurídica em Itajaí e seu maior parque produtivo em Santa Catarina, teve 24,23% do seu capital total adquirido pela Marfrig Global Foods nesta sexta-feira. Após muitos boatos e alta de 16,28% das ações da BRF, para R$ 26,93, a notícia foi informada em comunicado às 20h. 

O mercado interpretou que essa operação superior a R$ 3 bilhões é um sinal de que o sócio controlador da Marfrig e presidente do conselho, Marcos Molina, tem interesse em posição sólida também no segmento de proteína de frango e suíno, retomando ou não plano de fusão das duas empresas que não evoluiu em 2019. E ter um acionista forte, do setor, na BRF é bom para Santa Catarina porque significa mais estabilidade na empresa.

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Essa é a terceira tentativa de Marcos Molina em avançar no setor de carnes de frango e suíno, que é forte e de valor agregado no Brasil e no mundo. A primeira foi em setembro de 2009, quando ele comprou a catarinense Seara da americana Cargill por pouco mais de US$ 700 milhões. Investiu na projeção da marca até com uma campanha de marketing durante a Copa do Mundo da África do Sul em 2010. Mas o endividamento era elevado, não deu certo tocar as duas empresas naquela fase e em 2013 ele vendeu a Seara para a JBS por cerca de R$ 5,85 bilhões.

A segunda tentativa foi de fusão com a BRF, iniciada em 30 de maio de 2019, suspensa pouco mais de um mês depois porque não houve acordo. Marcos Molina ficaria com apenas 15% da dona da Sadia e Perdigão.

Agora, com maior expansão da Marfrig no exterior e resultados positivos no mercado americano, a empresa tem bala na agulha para avançar na BRF. Para se ter ideia dos principais números das duas companhias, a Marfrig fechou 2020 com receita líquida de R$ 67,5 bilhões e lucro líquido de R$ 3,3 bilhões. A BRF, obteve no mesmo ano receita líquida de R$ 39,4 bilhões e lucro líquido de R$ 1,4 bilhão.

O movimento dessa semana que tornou a Marfrig a maior acionista da empresa, articulado com bancos, também visa trazer para a BRF um acionista forte, do setor de carnes, que entenda a importância de pensar no longo prazo como requer a atividade. Isso porque a empresa é, na prática, uma corporação sem acionista majoritário e tem enfrentado problemas com isso.

Herdeiros da família fundadora levaram para a empresa o empresário Abilio Diniz em 2013 e a gestão sem foco no longo prazo colocou a empresa em crise. Agora, fala-se nos bastidores que esses acionistas familiares retomaram tentativas de interferir na gestão. Na fase de Abilio Diniz na empresa, encerrada em 2018, a demissão de executivos que conheciam o setor e opção por uma gestão baseada em redução de custos levou a BRF a prejuízo bilionário.

Agora, a entrada de um acionista forte como a Marfrig barra manobras dos herdeiros da Sadia para influenciar mais no conselho de administração e também afasta avanço de eventuais grupos estrangeiros no controle da empresa. Para Santa Catarina, interessa uma companhia com gestão estável, que olhe o longo prazo, preservando o nível de atividade econômica e a competitividade. O novo investimento da Marfrig na BRF é mais um voto de confiança na qualidade do agronegócio do Estado, um dos mais reconhecidos do mundo em carnes de frango e suíno.

Leia a íntegra do comunicado da BRF aos acionistas:

COMUNICADO AO MERCADO

A BRF S.A. (“BRF” ou “Companhia”) (B3: BRFS3; NYSE: BRFS) nos termos do artigo 12 da Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que recebeu, em 21 de maio de 2021, após o fechamento do mercado, comunicação da Marfrig Global Foods S.A (“Marfrig”), informando que adquiriu ações ordinárias de emissão da Companhia, via opções e leilão realizados em bolsa, e que pode resultar em uma participação acionária de até 196.869.573 (cento e noventa e seis milhões, oitocentos e sessenta e nove mil, quinhentas e setenta e três) ações ordinárias, correspondente a, aproximadamente, 24,23% do capital social da Companhia.

A Marfrig declarou ainda que:

(i) a aquisição da participação ora mencionada visa a diversificar os investimentos da Marfrig em um segmento que possui complementaridades com seu setor de atuação;

(ii) a participação ora mencionada reflete a participação visada até o momento e esclarece que não pretende: (a) eleger membros para a administração da Companhia; (b) exercer influência sobre as atividades da Companhia; ou (c) promover alterações no controle ou na estrutura administrativa da Companhia;

(iii) com exceção da participação mencionada acima, a Marfrig não é titular, nesta data, de outros valores mobiliários ou instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações de emissão da Companhia, sejam de liquidação física ou financeira; e

(iv) não foram celebrados pela Marfrig quaisquer contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou a compra e venda de outros valores mobiliários emitidos pela Companhia.

A Companhia ressalta que não possui controle acionário definido, sendo suas ações dispersas no mercado em geral.

A via original da correspondência recebida da Marfrig encontra-se arquivada na sede da Companhia.

São Paulo, 21 de maio de 2021.

Carlos Alberto Bezerra de Moura

Diretor Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores

BRF S.A.

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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