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Correios fazem mutirão na greve, mas empresas com e-commerce buscam logística privada

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Por Estela Benetti
26/08/2020 - 10h24 - Atualizada em: 27/08/2020 - 09h10
Servidora dos Correios faz entregas durante mutirão do
Servidora dos Correios faz entregas durante mutirão do fim de semana (Foto: Correios, Divulgação)

Trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado dia 17 deste mês, afetando as entregas não só de correspondências, mas de produtos que, em função da pandemia, cresceram até 200% dependendo do setor. As reivindicações trabalhistas incluem vale alimentação, licença maternidade de 180 dias e outras. Com a continuidade da greve, os Correios fizeram mutirão para melhorar entregas, mas empresas que usam a estatal para fazer a distribuição de e-commerce estão recorrendo à logística privada. A rede Havan, por exemplo, já estava buscando um parceiro empresarial quando a greve começou.

De acordo com a superintendência dos Correios em Santa Catarina, no final de semana foi realizado um mutirão no Estado que permitiu a entrega de 20 mil objetos e a triagem de 62 mil para a distribuição nesta semana. No Brasil, esse mutirão permitiu a entrega de 1,2 milhão de itens entre produtos e correspondências. O objetivo da empresa é minimizar os impactos aos clientes durante a paralisação. Os Correios informam também que a rede de atendimento continua aberta e que as entregas de Sedex e PAC, dois serviços importantes da empresa, seguem funcionando.

Enquanto o movimento grevista segue, empresas que atuam no setor de entregas privadas, com cada vez mais uso de tecnologia para acompanhar o ritmo do e-commerce, tiveram um salto na procura. A Diálogo Logística, especializada na entrega de produtos leves, registrou aumento de 200% na procura por empresas que atuam com e-commerce e foram afetadas pela greve. Com matriz em Porto Alegre, sedes em Palhoça e São Paulo, ela atua em quase todo o país.

- O comprador entra online e vê que a entrega é pelos Correios, acaba desistindo da compra se o site não oferece outra alternativa – afirma o CEO da Diálogo Logística, Ricardo Hoerde.

Uma das estratégias que a empresa adotou para crescer foi entregar em todas as cidades nas regiões onde atua. Entre os clientes estão Renner, Natura, Magazine Luiza, Via Varejo, C&A e a Posthaus. Segundo Ricardo Hoerde, a Diálogo estava incluindo em sua plataforma uma média de 10 novas empresas por mês. Com essa greve dos Correios, está trabalhando dia e noite para poder incluir 30 por mês. As entregas são terceirizadas e o aumento de contrato de entregadores não será na mesma proporção porque as cidades já contam com empresas prestadoras desse serviço. Cerca de 2,5 mil entregadoras atendem a Diálogo no país.

Quem fez um momento importante de mudança de logística dos Correios para uma plataforma de serviços privados foi a rede Havan. A startup de logística Equilíbrium, de Florianópolis, que passou a atender a empresa, sugeriu a adoção de serviços oferecido por operadoras privadas como a Total Express, Diálogo Logística, BoxLink e outras.

- Fizemos esse movimento porque entendemos ser melhor para a Havan. Mas eu destaco que, independentemente do avanço da logística privada, os Correios são importantes porque todas empresas de logística, para determinadas entregas, acabam recorrendo aos Correios. Um exemplo é uma entrega no interior do Acre. Só eles fazem – afirma Marcos Arante, CEO da Equilibrium.

Para Arante, as cidades poderiam ter mais empresas pequenas de entrega, tipo um Uber de entregas. Isso facilitaria muito a logística e geraria novos empregos.

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Estela Benetti

Colunista

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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