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    Crise do coronavírus pesa em SC e RS, mas agro pode ajudar mais a economia catarinense

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    Por Estela Benetti
    14/05/2020 - 11h43 - Atualizada em: 14/05/2020 - 21h09

    O mapa da pandemia do novo coronavírus no Brasil mostra que estados da Região Sul, por suas condições socioeconômicas diferenciadas e medidas preventivas dos governos, conseguiram até agora baixar a curva da Covid-19. Santa Catarina e Rio Grande do Sul adotaram caminhos diferentes no isolamento social e ambos alcançaram bom êxito contra a doença, como mostra reportagem do jornalista Cristian Weiss, da NSC Comunicação.

    Mas os dados econômicos de março começaram a mostrar os impactos negativos profundos nas duas economias, embora de forma distinta, em função das restrições. O cenário sinaliza que ambas economias terão recessão profunda, mas Santa Catarina mostra um melhor ritmo do agronegócio.

    O lockdown adotado pelo governo catarinense em 18 de março, mantendo só setores essenciais em funcionamento, derrubou a economia estadual. O maior baque foi na produção industrial, com retração de 17,9% frente ao mês anterior, fevereiro, segundo a pesquisa mensal do IBGE, na série com ajuste sazonal. Isso preocupa porque o setor de transformação, em SC, responde por 19% do Produto Interno Bruto (PIB) local, um peso acima da média nacional, que é em torno de 11%.

    Em segundo lugar nos resultados negativos de março no Estado ficaram os serviços, com recuo de 7,1% e o comércio ficou em terceiro lugar, com retração de 3,1%. Esses dois setores respondem juntos por mais de 70% do PIB estadual.

    No Rio Grande do Sul, as variações dos setores econômicos tiveram outro ritmo em março. Enquanto em SC a produção industrial caiu acima do esperado, no Estado vizinho ela cresceu 3,1% no período frente a fevereiro. Mas o comércio recuou 5,1% e os serviços, 11%, o que indica perdas maiores do que em SC.

    O maior diferencial entre as duas economias, no momento, mostra ser o agronegócio. Atingido pela seca, o Rio Grande do Sul, que é um dos celeiros na produção agrícola do país, amarga queda de 27,7% na produção de soja, de 4,4% na produção de arroz e de 19,3% na produção de milho, de acordo com dados de abril do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE. Além disso, o RS tem polo agroindustrial de carnes menor do que Santa Catarina e dois frigoríficos do Estado foram fechados por duas semanas pelo Ministério Público em função de casos de Covid-19.

    :: Com efeitos do coronavírus, vendas do comércio de SC têm a maior queda em 15 meses

    Em Santa Catarina, a agroindústria de carnes não teve unidades paradas e segue exportando com faturamento elevado em função do dólar. Além disso, a produção agrícola, que tem peso menor no PIB daqui, sofre menos com a estiagem. O levantamento do IBGE de abril indica no Estado crescimento de 6% na produção de arroz, queda de 3,5% na produção de soja e estabilidade no milho. A Epagri, estatal de pesquisa e extensão agrícola catarinense, aponta retração de 10% na produção de milho.

    As políticas de controle da Covid-19 com economia em atividade e mercados fracos, permitirá produção num ritmo menor em ambos os Estados até o fim do ano. O cenário econômico atual, com especial atenção ao agronegócio, indica que em Santa Catarina o tombo do PIB pode ser menor que o do Rio Grande do Sul. O fato de o setor público catarinense ter menos déficits que o gaúcho também pode ajudar no resultado final.

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