O setor de microfinanças está estreando oficialmente no Brasil com otimismo e potencial para financiar diversos projetos para melhorar a vida das famílias que não têm acesso ao sistema bancário tradicional. Esse é o cenário apresentado pelas instituições de microcrédito para essa nova modalidade de crédito agora aprovado por lei.

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Esse maior potencial foi destacado por lideranças nacionais e estaduais do setor durante o evento dos 20 anos da Associação das Instituições de Microcrédito e Microfinanças da Região Sul (Amcred-Sul), na última semana, em Florianópolis.

A presidente da Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (Abcred), Isabel Baggio, afirma que agora o Brasil entrou num mundo diferente nesse setor porque oferece as mesmas oportunidades de crédito de outros países.

Significa que além do microcrédito produtivo e orientado, as Oscips de microcrédito, que são instituições sem fins lucrativos, poderão emprestar também para outras necessidades das famílias de baixa renda, melhorando a qualidade de vida no seu contexto muito mais amplo do que exclusivamente o crédito para o negócio.

Melhor qualidade de vida

– As microfinanças são algo mais amplo do que o microcrédito produtivo. Elas atendem alguém que precisa, em algum momento, lançar mão de crédito para realizar suas necessidades pessoais, necessidades complementares ao negócio ou realizar sonhos.

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É acessar recurso para fazer uma cirurgia de emergência que o SUS não faz, ampliar a casa, construir um banheiro, fazer um curso, registrar um terreno ou até fazer um funeral. São recursos para necessidades assim que as instituições de microfinanças e microcrédito podem financiar agora – destaca Isabel Baggio, presidente da Abcred.

A presidente da associação brasileira observa que nas instituições bancárias comuns é praticamente impossível conseguir crédito assim porque, em geral, as pessoas têm uma renda informal que não é comprovada e o banco formal precisa de comprovação de renda. Ela explica que isso os bancos formais não conseguem medir, mas as OSCIPs de microfinanças conseguem a partir de uma entrevista, a partir da visita na casa, a partir de um crédito acompanhado e qualificado. Agora, essas instituições também podem emprestar para quem ainda não é cliente, não atua com microcrédito produtivo.

Operações de microfinanças

O presidente da Associação das Instituições de Microcrédito e Microfinanças da Região Sul (Amcred-Sul), Ivonei Barbiero, disse que a aprovação da lei, agora, vai ajudar o setor porque esses empréstimos já estavam sendo feitos anteriormente por instituições maiores. De acordo com ele, estavam sendo concedidos diversos financiamentos para reformas de casas e tratamento de saúde.

Em Brusque, a Profomento, instituição que atende o município e região, além de operar com o programa Juro Zero, como a maioria das organizações do setor, também faz outros empréstimos já dentro do que é a definição de microfinanças. O diretor-executivo da instituição, Marcelino Schlindwein, revela que entre as operações já realizadas estão algumas de aproximadamente R$ 100 mil para financiamento de reformas de casas e até compra de caminhão.   

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Inadimplência baixa no segmento

A presidente da associação brasileira destacou também que a inadimplência nas instituições de microcrédito e microfinanças é muito mais baixa do que a média do mercado em geral. Isso porque é um crédito concedido com responsabilidade e acompanhamento. Ela reconhece que depois da pandemia, a média da inadimplência cresceu, mas é menor que a do sistema financeiro tradicional.

Atualmente, o programa Juro Zero, do governo de Santa Catarina, financia empréstimos de até R$ 5 mil para microcrédito produtivo. O programa, foi renovado pelo governador Jorginho Mello. Está em vigor desde 2011, quando foi lançado pelo então governador Raimundo Colombo.

O senador Esperidião Amin (PP-SC), que quando governador do estado criou a rede de instituições de microcrédito em 1999, foi o autor do projeto de microfinanças que virou lei nacional há cerca de um mês.

Instituições de micrédito e microfinanças da Região Sul

As instituições associadas à Amcred-Sul são a Acredite, de Rio do Sul; Acrevi, de Jaraguá do Sul; Banco da Família, de Lages; Banco do Empreendedor, de Florianópolis; Banco do Planalto Norte, de Canoinhas; Blusol, de Blumenau; Casa do Microcrédito, de Tubarão; Crecerto, de Concódia; Credi Amai, de Xanxerê; Credioeste, de Chapecó; Credisol, de Criciúma; Extracredi, de São Miguel do Oeste; Profomento, de Brusque; e Imembuí Microfinanças, de Santa Maria, Rio Grande do Sul.

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