nsc
nsc

Análise

Decisões de gastos do governo federal de olho na política podem piorar o cenário econômico

Compartilhe

Estela
Por Estela Benetti
17/08/2020 - 10h27
O presidente do BC, Roberto Campos; da Caixa, Pedro Guimaráes
O presidente do BC, Roberto Campos; da Caixa, Pedro Guimaráes; o ministro Paulo Guedes e Jair Bolsonaro em evento no Planalto sobre crédito imobiliário tempos atrás (Foto: Antônio Cruz, Agência Brasil)

A falta de compromisso do presidente Jair Bolsonaro em seguir a agenda econômica liberal que prometeu na campanha, tendo à frente o ministro Paulo Guedes, vem causando mais incertezas no mercado. Isso porque existe uma pressão política por mais gastos públicos em função de eleições e também pelos problemas causados pela pandemia. Até o final deste mês, o governo precisa definir o orçamento do ano que vem, no qual gostaria de incluir o novo Renda Brasil, programa substituto do Bolsa Família. Mas se o executivo abrir mão do equilíbrio das contas públicas, vai impedir, mais uma vez, uma retomada consistende do crescimento econômico.

Os sinais evidentes de que a agenda liberal do governo vem ficando para trás está na fuga de técnicos do Ministério da Economia. Há informações até que o presidente Jair Bolsonaro avalia demitir o ministro Paulo Guedes e colocar o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no cargo. O que deu mais tranquilidade para fazer isso foi o aumento inesperado da sua popularidade em função do pagamento do auxílio emergencial, isso apesar da triste e lamentável marca já alcançada de 107.897 mortos no país.

O presidente já chegou a cogitar tentativa de mudança no teto de gastos e tem uma parte do seu ministério, espericialmente as pastas de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional que querem gastar mais recursos públicos sob o argumento de ajudar na retomada da economia.Na prática, estão pensando nas eleições, tanto municipais quanto para presidente da República e governadores em 2022.

Enquanto isso, o Congresso não fez a reforma esperada para reduzir os gastos do governo federal com folha de servidores e outras despesas. Além disso, vem sendo pressionado a incluir na reforma tributária um imposto semelhante ao da CPMF, considerado prejudicial à economia e à sociedade.

O fato é que sem reformas e medidas que levem ao equilíbrio das contas públicas, abrem-se portas para inflação, alta de juros e recessão. E onde há expectativa de recessão ocorre tretração de investimentos e, consequentemente, de geração e empregos. Isso condena o país a continuar pobre, sem oportunidades. O Congresso Nacional pode ajudar a impedir isso. Espera-se que os parlamentares sejam responsáveis.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Mais colunistas

    Mais colunistas