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Cenário catarinense

Economia de SC diminui 0,9% em 2020; entenda por que o PIB caiu menos do que o esperado

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Por Estela Benetti
03/03/2021 - 05h01 - Atualizada em: 03/03/2021 - 11h10
Pessoas caminham no calçadão do Centro de Florianópolis
Pessoas caminham no calçadão do Centro de Florianópolis (Foto: Diorgenes Pandini)

Quando começou a crise da pandemia, em março, as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) eram de que as economias dos países iriam derreter, com quedas anuais próximas de 10%, inclusive a do Brasil. Mas o nível de atividade em Santa Catarina foi surpreendendo positivamente a cada mês e encerrou 2020 com queda de 0,9% frente ao ano anterior, indicou a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) calculada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDE).

Esse resultado catarinense é pelo menos três vezes maior do que o tombo previsto para o PIB do Brasil em 2020, que é de -4,36% segundo a pesquisa Focus. O PIB oficial, calculado pelo IBGE sai nesta quarta-feira. Para o PIB global, a última previsão do FMI é de queda de 3,5% no ano passado.

Prévia do PIB de SC calculada pelo Banco Central deu resultado diferente

Em Santa Catarina, entre os setores que mais impactaram positivamente o resultado da prévia do PIB estão a agropecuária, que cresceu 2,6% no ano passado e a construção civil, que teve alta de 10,4%, informa o estudo liderado pelo economista Paulo Zoldan. Os serviços, que têm o maior peso no PIB, recuaram 0,4% no ano, o que significa uma retração muito menor do que a média do país.

A indústria de transformação do Estado recuou 3,9% segundo a projeção, mas teve resultados variáveis diante das dificuldades da pandemia. Os setores de aparelhos e materiais elétricos subiu (8,5%), máquinas e equipamentos (6,7%), produtos de borracha e plástico (3,3%) e papel e celulose (1,4%).

Na avaliação do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Luciano Buligon, mesmo na pandemia o desempenho catarinense foi melhor do que a média, com destaque para o agronegócio, boa parte da indústria, além do comércio e serviços.

- Santa Catarina tem 1% do território nacional, mas no ano passado gerou 53.050 novos empregos, enquanto 99% do Brasil criou 100 mil vagas. Isso mostra que durante a pandemia o catarinense foi mais resiliente no enfrentamento de dificuldades – afirma Buligon.

Responsável pela coordenação dos dados do PIB oficial e por acompanhar as estatísticas econômicas de SC, o economista da SDE, Paulo Zoldan, confirmou agora o que havia apurado ainda no terceiro trimestre do ano passado: que o impacto da pandemia em SC seria menor do que o da última recessão. Ele lembra que em 2015 o PIB catarinense recuou 4,2% e em 2016 caiu 2%.

Causas e efeitos do desempenho de SC

Entre as causas desse desempenho do Estado acima da média no PIB estão fatores estruturais como a diversificada e bem distribuída economia em diversos setores e maior participação da indústria. Os novos fatores foram o pagamento do auxílio emergencial, aumento da demanda por produtos industriais em geral, aquecimento da construção civil e manutenção de empregos.

Os efeitos positivos da pandemia na economia de SC foram a geração de 53.050 novos empregos formais, manutenção de empregos por meio dos auxílios oferecidos pelo governo federal porque o Estado já contava com alta empregabilidade, abertura de 115.074 novas empresas e saldo de R$ 2 bilhões no caixa do Estado em função de políticas públicas federais na pandemia.Esses dados mostram que o conjunto de atividades de SC tem suportado os impactos da pandemia.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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