Quem trabalha com negócios presta mais atenção, no começo de cada ano, para as projeções de crescimento da economia, em especial do Produto Interno Bruto (PIB). O país está encerrando 2025 com crescimento econômico que deverá ficar entre 2,2% e 2,5%. Para o novo ano que se inicia, as perspectivas são de crescimento menor do PIB, de 1,6% a 1,8% diante de cenário mais adverso, com fatores favoráveis e desfavoráveis no mercado interno e externo.
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O último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras, estimou que o Brasil vai encerrar 2025 com crescimento do PIB em 2,26%. E para 2026, o boletim projetou alta de 1,8%.
O Banco Central do Brasil está mais cauteloso para 2026. Estimou alta de 1,6% para o PIB. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetou crescimento de 1,8% e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE FGV) estimou alta de 1,7% a 1,8% para o PIB neste novo ano.
O ano de 2026 será mais desafiador porque começa sob os efeitos dos juros altos, com a taxa Selic ainda em 15% ao ano para conter a inflação. São esperados cortes pelo Banco Central levando a taxa para dezembro em torno de 12,25%, ainda em patamar elevado para conter a inflação. O IPCA, que é a inflação oficial, deve fechar 2025 com alta de 4,32% e para 2026 é estimado em 4,05%.
A Selic alta seguirá inibindo o crédito para os diversos setores econômicos que dependem de vendas a prazo. Outro fator que inibirá o crescimento este ano é o cenário pior para exportações, com a continuidade do tarifaço de 50% dos Estados Unidos e menores vendas também para outros países. Isso significa menos atividade econômica e empregos no país.
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Mas o mercado interno terá a favor do crescimento de vendas em 2026 a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e as eleições, que acabam aquecendo o consumo, e especial no primeiro semestre.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), ao falar em dezembro sobre cenários para 2026, considerou mais pontos favoráveis. Considerando fatores do mercado interno, a entidade considerou a redução do Imposto de Renda a quem ganha menos e redução da taxa Selic no começo do ano. No cenário externo, projetou mais exportações em função de duas decisões que o Brasil espera para o primeiro trimestre: assinatura do acordo Mercosul e União Europeia e fim o tarifaço dos Estados Unidos.
A economia catarinense, nesses cenários, tem expectativa de resultados acima da média nacional por ser diversificada em todos os setores e também competitiva no mercado internacional.
Além disso, podem vir mais estímulos do governo federal para ampliar o consumo. Assim, o Brasil pode repetir mais uma vez o que ocorreu em anos anteriores: começa com uma projeção menor da atividade econômica, mas acaba crescendo ao longo do ano.
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