A economia do mar gera em Santa Catarina 250 mil empregos diretos, o que representa cerca de 8,5% da força de trabalho formal do estado. É isso que revela novo estudo realizado pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan/SC), divulgado nesta quarta-feira (29), no III Simpósio Internacional Economia Azul, dentro da programação do evento Blue Nautical HUB Brasil 2026, que acontece em Florianópolis e é voltado para conectar o setor.

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O levantamento foi realizado com base em microdados do Novo Caged divulgados em 31 de março de 2026. Foram considerados 30 grupos de atividades que utilizam o espaço oceânico como insumo ou base operacional para suas atividades. A lista inclui setores como pesca, aquicultura, fabricação de barcos e navios, transporte marítimo, extração de minerais, turismo e outros.

Os municípios com maior contingente de trabalhadores formais nessas atividades são Florianópolis, Joinville e Itajaí, que juntos somaram mais de 82 mil vínculos.

Nos últimos 12 meses até fevereiro de 2026, os setores da economia do mar criaram quase 6 mil novos empregos formais, o que representou 13% do saldo de vagas no período no estado.

A secretaria também analisou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024. Eles mostraram que ao longo de uma década, o crescimento foi expressivo: os empregos no setor aumentaram 25% em comparação a 2014, com acréscimo de quase 50 mil trabalhadores formais, ritmo superior ao verificado no restante do país (15%).

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O estudo foi feito para mostrar a força da economia do mar durante o evento Blue Nautical Hub Brasil, que é um evento internacional que visa conexões da indústria, comércio, setor público e entidades do associativismo para impulsionar mais o setor náutico.

Entre os números que destacam a força da economia do mar de Santa Catarina estão o fato de o estado liderar os empregos formais do país na pesca com 45% do total e, também, na preservação e industrialização de pescados, com 27% das vagas.

SC também está em segundo lugar na oferta de vagas para fabricação de motores, bombas, compressores e equipamentos de transmissão para o setor naval, na construção de embarcações, na fabricação de aparelhos e instrumentos de medida e na fabricação de artefatos para pesca e esporte.

Outros setores que têm impacto importante são os grupos de armazenamento, carga e descarga, manutenção e reparação de máquinas e equipamentos e fabricação de outros produtos alimentícios.

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O levantamento apurou ainda que 65% do saldo de novas contratações foi gerado por microempresas e empresas de pequeno porte em Santa Catarina e 35% pelas de médio e grande porte.

O secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino, observa que a economia do mar mostra a diversidade e maturidade do setor produtivo catarinense.

– Santa Catarina não apenas lidera em setores tradicionais como a pesca e o beneficiamento de pescado, mas também avança com vigor em segmentos de maior valor agregado, como armazenamento logístico, engenharia e serviços. Os números confirmam que o mar é, para nós, muito mais do que uma fronteira geográfica, é uma vocação estratégica de desenvolvimento econômico e social – afirma o secretário Arão Josino.

O governador Jorginho Mello destaca que o governo tem apoiado o setor com políticas específicas diante da importância para a economia estadual.

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– Observando a importância da pesca na nossa economia, por exemplo, lançamos no ano passado o Programa Pescados SC, exatamente para aumentar a produtividade, entregando equipamentos, tratores, guinchos e disponibilizando crédito facilitado – afirmou Jorgino Mello.

O secretário adjunto de Planejamento do Estado, Lucas Amancio, destaca o ineditismo do estudo no Brasil, feito com base no conceito da economia do mar.

– O estado de Santa Catarina, através de dados e evidências, compilando dentro da nossa Diretoria de Ciência e Política Pública Inteligência de Dados Econômicos, desenvolvemos esse estudo que é pioneiro do Brasil. É a primeira vez que a gente consegue trazer o quanto esse setor contribui para a geração de empregos e renda. É um setor que representa aqui mais de 25 mil empresas, mais de 250 mil empregos – afirma Lucas Amancio.