Santa Catarina fechou 2025 com saldo positivo de 59.184 novos empregos, uma média menor do que nos anos recentes, mostram os dados do Caged, do Ministério do Trabalho. O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Pablo Bittencourt, fez uma análise detalhada dos dados. Concluiu que Santa Catarina enfrenta uma retração no emprego mais forte na indústria, que já afeta o comércio em algumas regiões e a mudança dessa “espiral negativa” deve acontecer somente no final do segundo trimestre ou no começo do segundo semestre.   

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– Ainda que Santa Catarina tenha tido um saldo positivo de geração de emprego em 2025, a história que deve ser contada pelo filme, pelo passar do tempo, dos meses de 2025, ela é menos bonita. Há uma história de um processo de desaceleração da geração de emprego, que acompanha o ritmo da economia, de desaceleração da atividade econômica – afirma Bittencourt.

Segundo ele, os dados mostram que em diversas regiões do estado, o saldo de emprego foi negativo para diversas atividades, em especial para a indústria.

– A indústria desempregou mais do que empregou em diversas regiões do estado. Isso é explicado por um ambiente econômico interno de contração de algumas atividades, de desaceleração, combinado com os impactos das tarifas para o comércio com os Estados Unidos. Por isso, algumas regiões foram fortemente impactadas. Afetou primeiro o setor de madeira e móveis. Mas essa queda de emprego da indústria já tem se refletido numa queda de emprego no comércio, por exemplo – alerta ele.

O economista explica que a perda de emprego industrial faz com que o trabalhador reduza o consumo porque ele teme o futuro. Isso impacta no emprego da região, gera uma espiral negativa, uma espiral viciosa. De acordo com ele, esse cenário era esperado e apareceu nos dados do Caged.

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– Quando olhamos para diversos setores desagregados, vemos que todas as atividades estão desacelerando. Então, é uma desaceleração generalizada, a economia de SC gerou menos emprego seguidamente durante o ano de 2025. E esse processo deve continuar, pelo menos nesse primeiro trimestre, talvez um pouco mais ainda para frente. A retomada deve vir logo depois, mais próximo do final do segundo trimestre ou no começo do segundo semestre – estima Bittencourt.

A melhora deve vir com uma combinação de mais renda disponível das famílias por causa da mudança de tributação do Imposto de Renda. Também terá o aumento do salário-mínimo em maio e a queda dos juros. São esses três fatores combinados que vão melhorar a atividade econômica e viabilizar uma retomada do crescimento do emprego em maior ritmo em SC.

De acordo com Bittencourt, o setor de serviços é o que sofre menos porque é favorecido nesse cenário. As pessoas compram menos bens, que podem pagar a prazo, e compram mais serviços, que pagam à vista. Assim, a inflação de serviços cai mais devagar e fica difícil para o banco central reduzir os juros.

Sobre a causa dos juros altos, ele explica que a raiz está numa enorme expansão de gastos públicos, especialmente no final de 2023 até meados de 2024. Essa expansão criou uma situação que, mesmo com recordes de arrecadação, o déficit primário do país segue elevado, perto de 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).  

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