A economista e consultora Zeina Latif, uma das analistas mais influentes do Brasil na área econômica, foi palestrante da ExpoGestão 2026, em Joinville. Entre os temas que abordou, incluiu alta da inflação, políticas eleitoreiras em ano de eleição e o desafio da educação no Brasil.

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– Não é um quadro de descontrole, mas temos uma aceleração da inflação por causa do conflito no Oriente Médio. Difícil saber a extensão disso porque depende de quando vai terminar a guerra. Não sabemos quanto os preços de fertilizantes vão impactar na inflação, nem quanto mais a Petrobras vai conseguir segurar os preços de combustíveis artificialmente baixos. Nem deveria segurar. Então, tem mais inflação por vir, mas não é um quadro de descontrole – afirmou a economista.

Zeina Latif também comentou sobre o atual momento em que as pessoas estão cobrando uma melhor gestão pública que vai além da economia. Envolve melhores serviços nas áreas de segurança e educação. Ela criticou políticas eleitoreiras, que afetam a qualidade da gestão pública.

– Política eleitoreira não é privilégio do Brasil. Isso acontece em outros países também. Acho que políticos têm insistido nesse erro, mas a impressão que dá é que tem funcionado cada vez menos. Isso porque a sociedade vai percebendo que os seus anseios vão mudando. São medidas que, a curto prazo podem ser bem avaliadas. Mas, cada vez mais, está ficando arriscado para os governantes adotarem isso – disse Zeina Latif.  

De acordo com a economista, políticas eleitoreiras acabam também trazendo risco para alta de inflação e juros para uma sociedade que já está muito endividada. Mas, mesmo com a insistência desse modelo, ela avalia que a sociedade está olhando mais para outras variáveis além da economia, como segurança e qualidade do ensino.

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As pesquisas mostram maior preocupação com a segurança. Isso inclui segurança para as pessoas em geral, nas ruas, mas também o avanço do crime organizado na política, alerta a economista.  

– Muitas vezes, as empresas precisam investir alto para garantir a segurança dos seus trabalhadores, quando poderiam estar investindo na aquisição de máquinas e introdução de tecnologias que levariam a empresa a ser mais produtiva – disse Zeina Latif.

Outro desafio estratégico que está chamando mais a atenção da sociedade é a qualidade do ensino no país, observa a economista. Ela chamou a atenção para o baixo aprendizado de matemática, por exemplo. Apenas 4,5% saem do ensino público médio sabendo o que precisam de matemática.

– Qualidade da educação! Esse é o nosso grande gargalo. É o alicerce que a gente não tem. São erros históricos do Brasil. Não é de hoje. O problema é que no relativo a gente vai ficando para trás porque não gastamos pouco em educação. Proporcionalmente ao PIB, gastamos como a média dos países da OCDE, mas a gente tem indicadores muito piores do que países parecidos com o Brasil como a Colômbia e o Chile – enfatizou a economista.  

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Para ela, o Brasil precisa melhorar a formação e a remuneração dos professores e, também, ampliar a oferta de ensino técnico.

Além disso, ela defende que, nas universidades públicas, estudantes que têm condições financeiras passem apagar os cursos. Isso porque muitos fazem todo o ensino fundamental e médio em escolas privadas e poderiam pagar para fazer a graduação.