Com o lema “Indústria, estado da arte”, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) celebrou nesta sexta-feira, em evento virtual, os seus 70 anos de atividades completados dia 25 de maio. Em discurso carregado de significados, o presidente da federação, Mario Cezar de Aguiar, afirmou que, provavelmente, o atual momento é o mais grave desses 70 anos da instituição. Segundo ele, Fiesc, desde o início da pandemia, se mobilizou e cumpriu seu papel de articuladora, ouviu os industriais e levou suas propostas ao setor público. Um dos resultados foi a mobilização rápida para produção de respiradores que, agora, está ampliando a oferta do Estado e do país para salvar vidas.

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– Estamos aqui para celebrar os 70 anos de Federação das Indústrias, uma instituição cuja história se confunde com o desenvolvimento do Estado. Uma entidade que, a exemplo do setor que representa, é agente de transformação. Nós queremos valorizar a dedicação… a criatividade… a persistência… o talento… e a capacidade de superação do industrial catarinense. Estes mesmos adjetivos se aplicam à arte. E assim chegamos ao conceito “Indústria, estado da arte” para marcar as sete décadas da Fiesc – afirmou Aguiar na abertura do evento.

Estado da arte

Como não podia faltar, a celebração teve arte: um espetáculo musical do maestro João Carlos Martins. O secretário da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, falou de Brasília, enquanto o primeiro vice-presidente da entidade, Gilberto Seleme, e a diretora Rita Conti acompanharam a transmissão ao lado do presidente, na sede da entidade, em Florianópolis. Industriais, trabalhadores do setor e convidados acompanharam pelo YouTube.

Aguiar afirmou que a pandemia reverteu expectativas no mundo todo. Disse acreditar, no entanto, que o industrial catarinense, assim como o artista, vai se reinventar. Observou que Santa Catarina é destaque em todos os indicadores econômicos, especialmente nos ligados a emprego, o que ele acredita ser fruto da diversidade industrial, força dos seus empresários e capacidade de trabalho dos seus profissionais.

Legado de líderes

Para Aguiar, o momento atual da indústria catarinense tem muito a ver com a trajetória da entidade construída até aqui, resultado de escolhas feitas pelos seus antecessores, nove presidentes desde 1950, quando Celso Ramos fundou a Fiesc.

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– Vou me permitir citar apenas os últimos quatro, que tive o prazer de conhecer pessoalmente: Osvaldo Moreira Douat, que notabilizou-se pelo foco na internacionalização da indústria; José Fernando Xavier Faraco – que priorizou a tecnologia para tornar nossa indústria mais competitiva; Alcantaro Corrêa – que descentralizou a federação, fortalecendo as vice-presidências regionais; e Glauco José Côrte – que projetou a Fiesc com a defesa da educação dos trabalhadores como pré-requisito para a competitividade – destacou.

A atual gestão da Fiesc elegeu como prioridades os temas: infraestrutura, internacionalização, inovação e inclusão de pessoas e empresas na nova economia. Segundo Aguiar, a entidade está se dedicando a elas com o mesmo esmero de um artista que quer emocionar o público.

Foto
Aguiar fala sobre o futuro da indústria (Foto: Filipe Scotti)

Travessia

Os industriais têm consciência de que se o estado da arte foi fundamental até aqui, com essa pandemia que transformou para sempre a vida e a economia no mundo, será necessária ainda mais perfeição na arte de produzir e competir globalmente. Por isso a Fiesc lançou dia 8 de maio o projeto Travessia.

– É a nossa visão sobre a reconstrução que precisaremos empreender. A proposta contempla quatro frentes: reinvenção da indústria e da economia; investimento em infraestrutura; atração de capital e pacto institucional – destacou Aguiar.

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Diante da mudança do cenário mundial, a Fiesc entende que é preciso reindustrializar o país, produzir aqui o que é possível e rever a dependência externa, dentro do necessário. Mas cobra que, para ter competitividade, o ambiente de negócios no Brasil precisa ser semelhante ao do exterior.

Recados aos políticos

No discurso do presidente da Fiesc não poderia faltar recados aos políticos. A entidade disse que o Brasil precisa de foco, alinhamento e conciliação em torno de causas comuns. Segundo Aguiar, o industrial catarinense não abre mão da democracia, quer harmonia entre os poderes e tem coragem de dizer que apoia as medidas do governo que geram e preservam empregos e desenvolvimento. Defende que o setor público também dê sua contribuição para enfrentar essa crise e novo pacto federativo para melhor distribuição dos recursos. A Fiesc não concorda com o “quanto pior, melhor”, disse ele.