A Vesper Biotechnologies, de Florianópolis, Santa Catarina, primeira venture builder do Brasil voltadas a soluções nas áreas de saúde e agronegócio, anunciou a captação de R$ 25 milhões em nova rodada de investimentos e projeta alcançar R$ 75 milhões até o fim de 2026. Fundada em 2018, a holding já mobilizou mais de R$ 220 milhões entre capital privado e subvenções públicas para oito empresas (deep techs) focadas em saúde humana – cura de câncer e Alzheimer – e agricultura sustentável, com atuação de cientistas de destaque mundial nas suas áreas.
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CEO e cofundador da empresa, Gabriel Bottós afirma que a Vesper quer inaugurar “uma nova matriz econômica” para o Brasil baseada em ciência de ponta, inovação e exportação de tecnologia. Segundo ele, o grupo avaliou mais de 4,5 mil projetos científicos brasileiros até selecionar os oito que hoje integram o portfólio da holding.
– Os melhores cientistas brasileiros rivalizam com os melhores do mundo. O problema do Brasil nunca foi falta de talento, mas transformar ciência em negócios globais- afirma Gabriel Bottós.
Atualmente, a Vesper reúne 100 profissionais, dos quais 75 são doutores, além de 17 patentes internacionais registradas diretamente nos Estados Unidos. O portfólio inclui de um lado deep techs voltadas a terapias contra câncer, doenças autoimunes, Alzheimer e doenças infecciosas e, de outro, as que buscam soluções para reduzir o impacto ambiental da agricultura.
Entre os investidores da nova rodada estão membros da família Lafer, Rise Ventures e ACNext, além de outros nomes ligados ao mercado financeiro e à indústria farmacêutica.
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Além de Gabriel Bottós, entre os cofundadores da Vesper Technologies, estão o irmão gêmeo dele, Rafael Bottós; mais Julio Moura Netto, Pedro Moura e Jonas Sister.
Soluções ao futuro do agro
Na área agrícola, os primeiros produtos devem chegar ao mercado em até dois anos, informa o CEO da Vesper. A Symbiomics, uma das empresas do grupo, desenvolveu micro-organismos capazes de reduzir em até 30% a dependência de fertilizantes químicos e aumentar entre 30% e 50% a produtividade agrícola por hectare.
Essa tecnologia já foi testada em diferentes regiões do Brasil e recebeu investimento da multinacional americana Corteva, que é do setor agro.
Outro destaque é o desenvolvimento do primeiro milho não transgênico de baixa estatura do país, que promete ampliar a produtividade em até 15% ao permitir maior densidade de plantas por hectare e maior resistência à seca.
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Doenças complexas em foco
Na saúde humana, a Vesper aposta em terapias avançadas para doenças consideradas hoje sem tratamento viável no mundo. A Aptah Biosciences, empresa do grupo, foi a primeira startup brasileira a obter do FDA americano o selo de “Orphan Drug Designation”, mecanismo que acelera terapias destinadas a doenças raras e agressivas.
A expectativa é iniciar testes clínicos em humanos nos próximos dois anos com tratamentos voltados principalmente para tumores cerebrais e demências.
Segundo Bottós, algumas tecnologias já demonstraram resultados considerados inéditos em pesquisas internacionais, incluindo a recuperação de neurônios de uma paciente com Alzheimer avançado em estudo realizado no Canadá.
IA para biotecnologia
Além das pesquisas em saúde e agricultura, a Vesper também aposta fortemente no avanço da inteligência artificial aplicada à biotecnologia. Uma das empresas do grupo, a Cellertz Bio, utiliza IA para acelerar o desenvolvimento de novas moléculas voltadas ao tratamento de cânceres agressivos.
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Na avaliação de Gabriel Bottós, a integração entre computação avançada, biologia molecular e análise genética deve transformar profundamente a medicina nos próximos anos. – A próxima grande fronteira tecnológica do mundo é a biotecnologia apoiada por inteligência artificial. O Brasil pode ocupar um espaço estratégico nisso se agir agora – afirma o empresário.
Primeiras receitas da Vesper
Além dessas empresas, a Vesper tem uma que já começa a gerar receita. É a RedDot Bio, especializada em diagnósticos moleculares de nova geração. A empresa já opera comercialmente e vem fechando contratos recorrentes com alguns dos maiores laboratórios do país, disputando mercado com multinacionais do setor.
A tecnologia desenvolvida promete diagnósticos mais rápidos, precisos e baratos tanto para a saúde humana quanto para a segurança alimentar e a agricultura. Para a Vesper, o avanço dessas operações comerciais ajuda a consolidar Florianópolis como um novo centro nacional de ciência aplicada e inovação de alta complexidade.
Desafio pessoal levou às Deep Techs
A origem da aposta na biotecnologia também é pessoal. Gabriel relatou que a motivação para investir em tratamentos oncológicos surgiu após a sobrinha Helena ser diagnosticada, aos quatro anos, com um câncer metastático agressivo e sem opções terapêuticas no Brasil. A menina foi levada para um tratamento experimental na Espanha e foi curada. Hoje ela tem 10 anos.
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– Quando isso acontece dentro da sua família, todo o resto perde significado. A gente percebe que pode usar inteligência, capital e ciência para criar soluções reais que salvam vidas – disse o empresário.
A Vesper realiza segunda e terça-feira, na sua sede, que fica no centro empresarial Espaço +Um, em Florianópolis, seu evento anual. É um grande encontro para reunir investidores, cientistas, representantes do governo federal, instituições de pesquisa e fundos de inovação do Brasil e do exterior.
Brasil protagonista global
Para Gabriel Bottós, Santa Catarina tem potencial para se tornar o principal polo de biotecnologia da América Latina.
– O Brasil precisa ser mais ousado. A gente não pode continuar exportando apenas commodities enquanto importa inovação. O que estamos construindo aqui é uma prova de que o país pode competir globalmente em ciência de ponta – ressaltou o CEO da Vesper.
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