O Complexo Hidrelétrico Rio Vermelho (URVE), empresa de geração de energia de São Bento do Sul, celebrou nesta sexta-feira o final de uma etapa histórica: a conclusão de túnel de três quilômetros, obra estratégica da pequena central hidrelétrica, a PCH Rabo do Macaco. A obra nas rochas foi aberta com mesma tecnologia usada para túneis urbanos para não afetar a natureza. “Nós não suprimimos um galho de árvore para esse projeto”, afirmou o fundador e presidente da URVE, o industrial Frank Bollmann.
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Por isso, especialistas que acompanham a obra reconhecem que esta pode ser considerada a hidrelétrica de túnel mais sustentável do Brasil. Para abrir o túnel, a empresa importou da Alemanha um equipamento chamado TBM – Tunnel Boring Machine, tipo de equipamento que ganhou no Brasil, carinhosamente, o apelido de Tatu, animal da fauna da América Latina que escava sua “casa” no solo da floresta sem afetar a vida de árvores e outros animais.
Veja mais fotos do evento sobre o fim dos trabalhos em túnel de 3 quilômetros:
Essa máquina TBM, que nesta sexta-feira, na etapa final do túnel, foi operada por seis profissionais, já foi usado na realização de mais dois túneis, que somam 1,2 quilômetros de comprimento para compor outra usina da URVE. O complexo é integrado por seis usinas, duas PCHs e quatro CGHs, que vão fornecer energia renovável para indústrias de São Bento do Sul. Ao todo, o investimento vai somar mais de R$ 270 milhões terá potência instalada de 26,98 MW.
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O empresário Frank Bollmann, que está à frente desses projetos de energia, é um dos principais empreendedores da indústria de Santa Catarina. Ele também fundou e lidera a Steelmast, empresa fabricante de tubos de aço para seis setores, entre os quais saneamento e energia. Em maio do ano passado, ele vendeu para a ArcelorMittal 100% da Tuper, empresa processadora de aço que fundou há mais de 50 anos e chegou a faturar R$ 3,5 bilhões.
O projeto de energia é um sonho que alia geração de renda, preservação da natureza e uma série de ações sustentáveis. Começou há 21 anos e deve ser concluído em cerca de dois anos. Frank Bollmann revelou com emoção os desafios de fazer essas usinas com túneis.
– Nós estamos aqui basicamente para celebrar e agradecer a Deus por ter nos trazido até aqui, porque um túnel é uma coisa um pouco mais complicada do que se pode imaginar. Por isso eu estou fazendo questão de nominar aqueles que desde o início foram os operadores da nossa máquina, nas pessoas de Fernando Torquato, doutor Fernando da Silva, do Bimbo, do Everton, do Tiago K, do Tiago R e do Cleiton. Esses sim foram os artistas que nós estamos celebrando hoje. Pessoas destemidas e dedicadas, que dirigiram esse equipamento, o TBM, com maestria durante praticamente 11 anos – afirmou Frank Bollmann.
Preservação da floresta com muita fé
O empresário enfatizou que a decisão de abrir esse tipo de túnel a frio, sem usar explosivos, foi para preservar integralmente a floresta, sem derrubar nenhuma árvore. Mas disse que fazer essa obra envolve também risco de vida dos operadores porque no avanço do túnel, uma rocha ou terra podem cair, ou pode ter uma explosão de gás da natureza e trancar essas pessoas. Nesse cenário, ele disse que além de determinação foi preciso muita fé e oração. Não aconteceu nenhum acidente.
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Por isso, o evento na localidade de Rio Natal, nesta sexta-feira, teve como um dos destaques a bênção do pastor luterano Yuri Schwingel. Também participaram da solenidade o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck, o presidente da Associação Empresarial de São Bento do Sul (Acisbs), Gabriel Weiherman e o secretário de Obras do município, Luiz Pereira.
O empresário estava acompanhado dos familiares acionistas da URVE, a esposa Eliane e os filhos Karina, Alexandre e Gustavo. Entre os presentes, também estava o irmão Magno Bollmann, que entre os pontos em comum tem o fato de os dois terem sido prefeitos de São Bento. Parceiros locais dos projetos e executivos da Steelmast também participaram.
Mais de 7,5 mil árvores são preservadas
Com essa tecnologia foi possível preservar 50.400 metros quadrados de mata atlântica, área igual a 5,04 hectares sem suprimir qualquer vegetação. Assim, 7.560 árvores não foram derrubadas, representando 1.110 metros cúbicos de árvores preservadas. E todo volume de rocha retirado pela máquina já saiu moído e foi usado 100% para pavimentação de estradas e ruas de municípios da região.
Esse projeto do túnel foi realizado durante seis anos. O TBM é um equipamento moderno, mas movido com energia de gerador com combustível fóssil. Os operadores entravam todos os dias no túnel com motocicleta. A obra consiste na abertura de um túnel em rochas, que ficará assim (sem um tubo ou revestimento interno) para a passagem da água da usina que vai percorrer esses três quilômetros para gerar energia em turbinas no final desse percurso. O empresário explica que, com a declividade do túnel, é possível obter geração mais eficiente.
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A sustentabilidade das usinas da URVE envolve, além da preservação das florestas, educação ambiental com visita às usinas de mais de 5 mil crianças em parceria com as escolas, parceria na produção de mel silvestre e plantio de árvores nativas.
Um dos plantios maiores foi de sementes do palmito Jussara, lançadas de helicóptero na floresta há cinco anos, numa iniciativa dos irmãos Magno e Franck Bollmann. O desafio da obra com esse túnel de três quilômetros, considerado o maior do país para usina feito com essa tecnologia, ganhou até uma poesia de um dos acionistas. O empresário Alexandre Bollmann escreveu e leu no evento um poema no qual resumiu muitas emoções vividas no desenvolvimento do projeto.
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