Parques de diversões e filmes apresentam muitos dinossauros gigantes em ação ou reproduzidos em esculturas. Mas uma emoção maior é ver como eram, de verdade, esses animais gigantes ou pequenos, que viveram há cerca de 233 milhões de anos no Sul do Brasil. Essa incrível realidade é possível ao visitar o Cappa, Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, que fica na pequena cidade de São João do Polêsine, município com cerca de 2.700 habitantes, na região central do Rio Grande do Sul. Os fósseis de animais históricos são uma nova atração turística para estado e também para o Sul do Brasil porque parte dos visitantes inclui outras visitas no roteiro.
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No Cappa, centro que pertence à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), estão expostos achados históricos e imagens simuladas desses dinossauros encontrados na região, e de outros animais. Estão lá ossos e imagens estimadas de como eram o Buriolestes schultzi e o Gnathovorax cabreirai, ambos encontrados em São João do Polêsine. Também estão expostos fósseis do dinossauro Macrocollum itaquii, encontrados no município de Agudo, também na Quarta Colônia.
Veja mais imagens sobre dinossauros no RS e outras sobre o potencial turístico da região:
Além desses, pesquisadores encontraram em São João do Polêsine, em 2024, fósseis de um outro dinossauro, depois da grande enchente de maio daquele mesmo ano que afetou a região. De acordo com o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, da UFSM, esse é um animal do grupo Herrerasauridae, um tipo carnívoro que viveu há cerca de 230 milhões de anos. Seus fósseis estão no Cappa para serem analisados.
Esses achados da região foram analisados por pesquisadores da UFSM e de universidade da Inglaterra, pertencem ao período triássico e são os mais antigos do mundo descobertos até agora. Isso significa que essa região brasileira é o berço mundial dos dinossauros.
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Um dos pesquisadores que atuam no Cappa e também explicam aos visitantes um pouco desse mundo é Jhonata Martins. Ele é bioólogo e doutorando em paleontologia pela UFSM.
O Buriolestes schultzi, um dos fósseis de dinossauros encontrados no município, tinha cerca de um metro e meio de comprimento e era carnívoro. Se alimentava de outros animais. Os testes indicaram que ele vivia há 233 milhões de anos. Recebeu esse nome científico porque foi encontrado nas terras da família Buriol.
Outro dinossauro encontrado em São João do Polêsine é o Gnathovorax cabreirai, também com cerca de 233 milhões de anos. Era carnívoro, com cerca de dois metros e meio de comprimento, estava nas terras da família Marchezan e foi descoberto pelo paleontólogo da região, Sérgio Furtado Cabreira.
Macrocollum Itaquii, é um dinossauro herbívaro, de 233 milhões de anos. Era maior, com cerca de quatro metros de comprimento. Foi descoberto no município de Agudo, que também integra a Quarta Colônia. O Cappa tem todas as partes do corpo dele, destacou Jhonata Martins.
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A universidade informa que além de dinossauros, no Cappa estão fósseis de cinodontes, dicinodontes e rincossauros. Um dos destaques é o Exaeretodon riograndensis, um cinodonte que também tem 233 milhões de anos. É um animal gigante, com até 14 metros de comprimento. Segundo pesquisadores, seria de uma linhagem de jacarés que antecedeu os dinossauros.
Cappa é atração turística
O centro de pesquisa Cappa se tornou uma das principais atrações turísticas do Rio Grande do Sul, com potencial para crescer ainda mais. Abre ao público diariamente 9h às 11h30min e das 13h30min às 17h, inclusive nos fins de semana e feriados. Recebe visitantes do Brasil e do exterior. De outros países normalmente vêm pesquisadores e quem não fala português já traz um tradutor.
Praça e parque com réplicas de dinos
Cidades da região aproveitam o diferencial de dinossauros para apresentar réplicas em praças e, assim, atrair turistas. Em São João do Polêsine, a praça ao lado da igreja ganhou réplicas dos dinossauros encontrados no município, o Buriolestes schultzi e o Gnathovorax cabreirai, além de outro da região.
Em Faxinal do Soturno, município ao lado e um dos maiores da região, uma iniciativa privada projeta dinossauros. A Fundação Ângelo Bozzetto fez o Parque dos Dinossauros, onde as principais atrações são cinco grandes esculturas de dinos que foram achados em municípios do Geoparque da Quarta Colônia.
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Geoparque mundial da Unesco
As atrações paleontológicas são as principais referências internacionais do Geoparque da Quarta Colônia, reconhecido como geoparque mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
O geoparque, localizado no Centro do Rio Grande do Sul, é integrado pelos municípios de Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira Martins.
Entre as atrações estão, também, a cultura de imigrantes italianos e alemães, cultura religiosa (igrejas históricas com pinturas exclusivas) gastronomia típica, turismo junto à natureza e estação de águas termais. Os custos para visitar a região não são altos e a rede hoteleira oferece diversas opções, incluindo equipamentos de categoria econômica, executiva e até de água termal.
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