O avanço da reforma trabalhista do presidente da Argentina, Javier Milei, com aprovação pela Câmara nesta quinta-feira e retorno ao Senado para aprovação até 01 de março pode significar um estado de greve geral longo na Argentina. Se essa continuidade do momento ocorrer, o comércio entre o Brasil e a Argentina pode ser severamente afetado, com impacto importante para a economia catarinense, alerta a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maria Teresa Bustamante.

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– Tudo indica que o estado de greve poderá permanecer até a aprovação final. Desta forma, a continuidade da greve afeta severamente as operações de comércio exterior entre ambos os países. Poderá gerar aumento expressivo de custos logísticos pela permanência de cargas nos pontos de desembaraço aduaneiro, interrupção na cadeia de suprimentos enfrentando ainda riscos de falta de insumos importados e quebra de fluxo de caixa, atrasos no cumprimento de contratos de fornecimento, entre muitos outros fatores. Isso prejudica também a confiança e a reputação entre as partes – alerta Maria Teresa Bustamante.

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A presidente da Câmara da Fiesc lamenta que essa falta de previsibilidade e a possibilidade de uma extensão dessa greve aconteça num momento positivo, de aumento do comércio bilateral entre as partes.

Para aprovar a proposta nesta quinta-feira na Câmara, o governo flexibilizou várias medidas que estava propondo, mas ele segue firme na decisão de mudar essa legislação trabalhista que é desde o peronismo, com cerca de 70 anos no país. O objetivo é oferecer uma legislação mais moderna e mais flexível para empresas e trabalhadores.

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O que se observa são posições duras tanto da parte das centrais sindicais, quanto da parte do governo. Milei tem mostrado determinação com essa mudança porque está forte politicamente, conseguiu vencer a eleição legislativa em outubro, tem apoio empresarial para as mudanças e recebeu ajuda de US$ 20 bilhões do presidente dos EUA, Donald Trump, com a promessa de que iria modernizar a economia do país.

Entre as mudanças nas leis trabalhistas previstas na reforma estão jornada de trabalho mais flexível, que pode ir de 8 horas a 12 horas por dia, ampliação do período de experiência para até seis meses, restrição de greves em setores essenciais, férias mais flexíveis e redução da informalidade no trabalho, que chega a 40% do total dos empregos.

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