A Argentina iniciou esta quinta-feira com a terceira greve geral convocada por centrais sindicais de trabalhadores desde o início da gestão do presidente Javier Milei. Os protestos são contra mudanças nas leis trabalhistas. Entre os impactos econômicos e sociais gerados por esse movimento no exterior, um dos mais imediatos e maiores ocorre em Santa Catarina com o cancelamento de voos em plena temporada turística. Mas outros setores econômicos do estado como a indústria e o comércio estão atentos e acompanham o movimento porque é grande também o fluxo de exportações e importações ao país vizinho.

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Entre quarta-feira e esta quinta-feira, foram suspensos 32 voos entre o Aeroporto Internacional de Florianópolis com destinos para a Argentina entre chegadas e partidas, informa a concessionária Zurich Airport Brasil. Os passageiros foram aconselhados a remarcar voos, o que eleva custos para eles e para as companhias aéreas.

O movimento grevista preocupa muito o setor logístico e as indústrias de SC porque muitas cargas de exportações e importações são feitas via terrestre para a Argentina. O presidente da Federação das Empresas de Transporte e Logística do Estado (Fetrancesc), Dagnor Schneider, diz que ainda é cedo para uma avaliação sobre impactos, mas a entidade está muito atenta a cada desdobramento.  

– É cedo para uma avaliação mais precisa sobre os reflexos dessa greve geral, mas como o Brasil mantém uma atividade comercial relevante com a Argentina, qualquer tipo de paralisação pode gerar impactos no fluxo de mercadorias entre Santa Catarina e o mercado argentino. Uma paralisação desse porte pode comprometer as condições de operações, custos logísticos, faturamento e produtividade, com acúmulo de cargas e atraso nas entregas. O transporte de cargas é atividade estratégica para a economia – destaca Schneider, ao enfatizar que a entidade sempre defende diálogo e previsibilidade para evitar prejuízos à sociedade.

Com a recuperação econômica da Argentina em 2025, as exportações de Santa Catarina ao país tiveram uma recuperação relevante. Durante o ano passado, as exportações do estado para a Argentina alcançaram US$ 889 milhões, um crescimento de 18,6% frente ao ano anterior.

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Uma análise feita pelo economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, apurou que entre os destaques das exportações do estado foram bens intermediários para indústrias como papel kraft, laminados de ferro e de cobre, o que mostra uma grande integração entre indústrias catarinenses e argentinas.

O comércio entre os dois mercados se destacou também com mais exportações de SC de produtos como revestimentos cerâmicos, refrigeradores, freezers, alimentos e têxteis. Nas importações, além de veículos, também se destacam alimentos em geral e conservas de alimentos, entre outros itens.

Na área de serviços, o ponto alto é intercâmbio turístico. No começo de janeiro deste ano, os argentinos eram 19% do total de turistas no litoral de Santa Catarina, um pouco menos do que no mesmo período de 2025, quando eram 22%. A presença de turistas catarinenses na Argentina também é relevante durante o ano todo.

Entre as mudanças nas leis trabalhistas previstas na reforma que atrai protestos estão jornada de trabalho mais flexível, que pode ir de 8 horas a 12 horas por dia, ampliação do período de experiência para até seis meses, restrição de greves em setores essenciais e férias mais flexíveis. Um dos planos é reduzir a informalidade no trabalho, que está em cerca de 40% no país, muito próxima da registrada no Brasil, que ficou em 38% em 2025.

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A expectativa é de que essa greve seja curta. Enquanto o governo quer mostrar força política e aprovar uma reforma trabalhista, as centrais sindicais, por sua vez, também mostram sua força de mobilização.  

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