Ao participar de evento de entrega de medalhas do Mérito Industrial para industriais de Santa Catarina nesta sexta-feira (19), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, comentou sobre o projeto de mudança da jornada semanal no país de 6X1 para 5X2, que tramita no Congresso Nacional. O industrial disse ter esperança de que os senadores vão deixar essa discussão para depois das eleições.  

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– Não queremos deixar de discutir o assunto, mas precisamos sair do oportunismo eleitoral – afirmou Ricardo Alban.

Entre os desafios do projeto, na avaliação do empresário, está o tempo limitado para implantar a mudança, em apenas 60 dias. Em 60 dias ninguém aumenta a produtividade que perdeu em décadas, em 60 dias ninguém faz investimentos em automação e em produtividade, disse o líder da CNI.

O presidente da CNI alertou também que, caso efetivamente seja aprovada, a redução vai impactar em aumento de preços em torno de 6% a 8% de um modo geral. Mas essa inflação só deverá chegar ao consumidor após as eleições de outubro, alerta ele.

– O que ocorre em Brasília nesta véspera de corrida eleitoral é uma irresponsabilidade que tira o sono dos que levantam cedo e vão dormir tarde, como os que se encontram neste auditório hoje. Pasmos, asistimos à tentativa de impor — por lei e às pressas — uma redução de jornada que terá graves consequências para o futuro das empresas, dos trabalhadores e do país – afirmou Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.

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Para o presidente da Fiesc, o debate sobre a redução da jornada está superficial. Ignora estagnação da produtividade brasileira e as mudanças drásticas em curso no mundo do trabalho.

Na avaliação do presidente da CNI, falta considerar nessa discussão que a maioria dos trabalhadores brasileiros já trabalha em jornada menor do que 44 horas semanais. Isso porque a jornada média do país é 38,4 horas semanais. Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros têm jornada de 44 horas semanais, observou ele.

O empresário também chamou a atenção para o fato de que os desafios da economia brasileira são muito maiores do que na última redução de carga horária, em 1988, quando passou de 48 para 44 por semana.